O Deus Pai
TEXTO ÁUREO
“Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e
aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt 11.27c).
ENTENDA O TEXTO ÁUREO
Jesus encerra esta declaração com uma
frase que, segundo o Comentário Bíblico Pentecostal, é “uma das afirmações
cristológicas mais ousadas e exclusivas do Evangelho”. O verbo “conhecer”,
no grego epiginōskō (ἐπιγινώσκω), não expressa mera informação, mas conhecimento
pleno, íntimo, relacional. No
mundo bíblico, conhecer é entrar em comunhão. Assim, Jesus afirma que o
Pai só pode ser conhecido em profundidade por quem pertence a Ele e é trazido
para dentro dessa relação viva. O texto deixa claro que esse conhecimento não nasce da capacidade
humana.
A Bíblia de Estudo MacArthur observa
que Jesus exclui qualquer possibilidade de o homem, por si só, “subir” até
Deus. Do início ao fim, a revelação é monergística: procede do Filho, concedida
segundo Sua soberana vontade.
O Comentário Histórico-Cultural do NT
recorda que “conhecer o Pai” era o anseio supremo da espiritualidade
judaica, mas Jesus redefine esse conhecimento: ele não acontece mais por meio
da Torá, do templo ou da tradição, e sim por meio da própria pessoa do Messias.
Quando Jesus afirma que somente Ele conhece o Pai, está reivindicando uma
relação exclusiva que ultrapassa qualquer experiência humana.
A Bíblia de Estudo Pentecostal destaca
que o verbo está no tempo presente, sugerindo uma comunhão contínua e eterna
entre Pai e Filho. O Filho não aprende o Pai; Ele sempre O conheceu. Aqui
encontramos ecos fortes de João 1.18, onde Cristo é descrito como aquele que
“está no seio do Pai”. A expressão sugere proximidade absoluta, como observam
Keener e Arrington: o Filho é a própria autoexpressão do Pai, Seu intérprete
definitivo, Aquele que O torna visível (Jo 14.9).
A frase seguinte é ainda mais
profunda: “... e aquele a quem o Filho o
quiser revelar.” O termo apokalýptō (ἀποκαλύπτω) significa “tirar o véu”,
“expor o que estava oculto”.
Na visão de Champlin e da Bíblia de
Estudo Plenitude, Jesus coloca sobre Si a prerrogativa divina da revelação.
Isso é extraordinário. O Antigo Testamento afirmava repetidas vezes que somente
Deus revela Deus (Dt 29.29; Is 45.15).
Agora, Jesus assume para Si essa
função, mostrando que Sua vontade é a vontade do Pai. Stanley Horton destaca
que, embora a revelação seja soberana (“a quem o Filho quiser revelar”), ela
não é arbitrária. A vontade do Filho reflete o coração do Pai, que deseja que
todos sejam salvos (1Tm 2.4).
A soberania da revelação não exclui a
compaixão de Deus, mas a fundamenta. Macchia e Menzies comentam que a obra do
Espírito Santo, especialmente em João
14–16, é aplicar essa revelação do Filho na vida do discípulo,
transformando conhecimento em comunhão, e comunhão em transformação.
A Bíblia de Estudo Shedd observa algo
essencial: Jesus diz isso logo após convidar os cansados e sobrecarregados a
chegarem a Ele (Mt 11.28).
Ou
seja, o conhecimento do Pai não é privilégio de uma elite espiritual, mas dom oferecido
a quem reconhece sua necessidade. No Reino,
iluminação não depende de intelecto, mas de humildade (Mt 11.25,26).
O Filho revela o Pai aos simples, aos
quebrantados, aos desesperados que se lançam inteiros nos braços de Cristo. A Bíblia
de Estudo Aplicação Pessoal enfatiza que conhecer o Pai transforma toda a vida:
identidade, descanso, missão e caráter. A revelação do Pai não é apenas
doutrinária; é cura para a
alma cansada. É a entrada no descanso que só Jesus concede (Mt 11.29).
Assim, Mateus 11.27 nos coloca diante da verdade central da fé cristã: Deus não é acessível pela religião,
conquista ou mérito. Ele é conhecido pela
graça do Filho, que Se revela aos que vêm a Ele com coração humilde. Toda a
caminhada cristã nasce, cresce e se sustenta sobre essa revelação amorosa.
VERDADE
PRÁTICA
Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do
Deus Pai por meio da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.
ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:
Só conhecemos verdadeiramente quem
Deus Pai é (Sua identidade, Seus atributos e Sua glória) porque o Filho O
revelou perfeitamente e o Espírito Santo ilumina nosso coração para
contemplá-Lo e experimentá-Lo de modo vivo e transformador.
LEITURA
BÍBLICA = Mateus 11.25-27;
João 14.6-11.
Mateus 11.25-27
25 Naquele
tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da
terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos
pequeninos.
Eu
te louvo, ó Pai Jesus inicia com uma oração de
gratidão. Os comentários pentecostais destacam que essa oração revela
intimidade única entre o Filho e o Pai, evidenciando a relação intratrinitária.
Senhor
do céu e da terra título que afirma a soberania
absoluta de Deus (MacArthur; Beacon). Mostra que a revelação é um ato soberano, não humano.
Escondeste...
revelaste a revelação é divina e seletiva. Os
estudiosos indicam: não é discriminação arbitrária, mas o juízo contra a
soberba humana e o favor dado aos humildes (Aplicação Pessoal; Pentecostal NT).
Sábios
e instruídos não pessoas inteligentes em si, mas os que
confiam na própria sabedoria e rejeitam o Filho (Histórico-Cultural).
Pequeninos
os humildes, dependentes, simples de coração. Horton associa ao princípio
espiritual: Deus dá Sua
graça aos humildes e resiste aos arrogantes. Champlin ressalta que “pequeninos” aponta para
um tipo de discipulado que depende da revelação espiritual, não de poder
intelectual.
26 Sim,
ó Pai, porque assim te aprouve.
Jesus confirma: a escolha divina em revelar aos
humildes agrada a Deus. Beacon e Plenitude destacam que aqui vemos a
alegria mútua na Trindade: o Filho se alegra com a vontade do Pai.
Há
harmonia perfeita entre o querer do Pai e o querer do Filho,
um tema muito presente em João 5–10.
A expressão enfatiza a soberania graciosa de Deus em revelar o seu Reino
(MacArthur: “a salvação é sempre um ato da livre graça de Deus”).
27 Todas
as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho, senão o
Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Todas
as coisas me foram entregues afirmação de autoridade
messiânica plena. Horton e MacArthur observam que isso aponta para a
divindade do Filho e Sua missão redentora.
Ninguém
conhece o Filho… ninguém conhece o Pai trata-se de um conhecimento íntimo,
relacional e exclusivo, como ensinam os comentários do NT da CPAD.
Senão
o Filho… e aquele a quem o Filho o quiser revelar
Cristo é o mediador da revelação divina (Beacon; Plenitude). Aqui está um dos textos mais
fortes sobre a unicidade da revelação cristológica: ninguém chega ao Pai sem
Cristo, antecipando João 14.6.
Aponta
também para a ação conjunta do Espírito Santo, pois o conhecimento do Pai é
sempre revelado pelo Filho no poder do Espírito (Horton;
Pentecostal NT).
João 14: 6-11
6 Disse-lhe
Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por
mim.
Uma das mais importantes declarações
cristológicas do NT.
Eu
sou (Egō eimi) fórmula de autoidentificação
divina (Êx
3.14), reconhecida por MacArthur e
Horton como afirmação implícita de divindade.
O
caminho Ele não apenas aponta o caminho; Ele é o
caminho (BEP).
A
verdade Cristo é a revelação final de Deus (Heb 1.1–3).
A
vida origem e doador da vida eterna (Champlin).
Ninguém
vem ao Pai senão por mim exclusividade absoluta; Beacon
observa que este versículo estabelece a singularidade do evangelho contra
qualquer universalismo.
7 Se
vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o
conheceis e o tendes visto.
A Bíblia Plenitude observa que o verbo
ginōskō indica conhecimento progressivo e relacional. Jesus liga diretamente o
conhecimento do Filho ao conhecimento do Pai, tema chave das Escrituras. A
tensão entre “não conheceram” e “agora conhecem” mostra a transição entre a
limitação pré-cruz e a revelação plena que virá com o Espírito Santo
(Pentecostal NT).
8 Disse-lhe
Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
O
pedido de Filipe revela sinceridade, mas falta de compreensão espiritual.
O desejo é legítimo, mas a percepção ainda é limitada pela expectativa de uma
manifestação visível semelhante às teofanias do AT. O pedido evidencia sede espiritual verdadeira,
porém sem entender que o Pai já está sendo revelado no Filho.
9 Disse-lhe
Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem
me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
Uma das afirmações mais fortes da
divindade de Cristo. Jesus não é apenas parecido com o Pai; Ele é a expressão
exata do Pai (Hb
1.3).
Isso não significa que Pai e Filho são a mesma pessoa,
mas que possuem natureza idêntica, operam inseparavelmente e revelam um
ao outro. Ver Jesus é compreender o caráter, o amor e a vontade do Pai.
10 Não
crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos
digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as
obras.
Aqui se destaca a união funcional e
essencial entre Pai e Filho.
Jesus fala e age em perfeita submissão e harmonia com o Pai.
Esta
é uma das bases da doutrina da Trindade: distinção de
pessoas, unidade de essência e operação. Não há autonomia independente; a obra
do Pai se manifesta plenamente no Filho.
11 Crede-me
que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas
obras.
Jesus apela à fé baseada em duas
testemunhas:
– Sua palavra (testemunho
revelacional);
– Suas obras (testemunho das
evidências messiânicas).
As
obras de Jesus são sinais do Reino, testemunhos do poder do Espírito Santo. Os
milagres confirmam Sua identidade divina e Sua missão salvadora. A fé pode
começar pela observação das obras de Cristo, mas deve amadurecer no
reconhecimento de Sua Palavra.
INTRODUÇÃO
A
doutrina da Trindade não é um enigma para ser decifrado, mas uma revelação
graciosa do próprio Deus que se dá a conhecer. Quando
abrimos as Escrituras, não encontramos três deuses, nem um único Deus que muda
de forma, mas um único Deus que existe eternamente como Pai, Filho e Espírito
Santo. Cada Pessoa é plenamente Deus, cada uma distinta, e ainda assim
inseparável na essência.
Essa é a fé que moldou a igreja desde
os primeiros séculos e permanece o alicerce de toda espiritualidade cristã
madura. É nesse terreno santo que somos chamados a tirar as sandálias e
aprender a nos relacionar com o Pai, o Deus que Jesus revelou.
Ao
estudar o Pai, não tratamos de uma ideia abstrata, mas de um Ser pessoal que
deseja ser conhecido. Jesus declarou que ninguém conhece o Pai a não ser o
Filho e aqueles a quem o Filho o revelar. A palavra
conhecer, no grego ginōskō, indica mais do que informação. Trata de
relacionamento, intimidade, confiança e vida compartilhada. Cristo não apenas
fala sobre o Pai. Ele vive diante do Pai, age em unidade com o Pai e abre o
caminho para que nós também o conheçamos. Assim, toda compreensão do Pai passa
pela pessoa de Jesus, que é a perfeita expressão de sua glória e caráter. A Escritura apresenta o Pai como
a fonte eterna de tudo o que existe. Ele é o Deus que simplesmente é.
Quando diz Eu Sou, em Êxodo 3.14, Ele revela sua
autoexistência e sua fidelidade. O Novo Testamento reforça essa verdade ao
mostrar que o Pai possui vida em si mesmo e concede essa mesma vida ao Filho.
O Comentário Beacon, não falamos de um
ser distante, mas de um Deus que cria, sustenta, governa e se envolve com o
mundo por meio de seu Filho e do Espírito. Ele é o Autor da criação, o
planejador da redenção e o mantenedor da vida. Tudo procede dEle,
tudo é realizado pelo Filho e tudo é aplicado pelo Espírito. Conhecer
o Pai é entrar na história da redenção. Desde a criação, Ele se dá a conhecer
por seus atributos, nomes e obras.
No Antigo Testamento, Israel aprendeu
a chamá-lo de Elohim, El Shaddai e YHWH, nomes que revelam seu poder, sua
suficiência e sua fidelidade.
No Novo Testamento, Jesus o apresenta
como Pai de modo ainda mais íntimo, convidando-nos a orar Pai nosso. Essa é uma revolução espiritual.
Aquele que sustenta o universo também se inclina para ouvir a oração de seus
filhos.
Cada atributo, cada nome e cada ação
do Pai não é mero conteúdo teológico, mas um convite ao relacionamento. Por
isso, ao ingressarmos nesta lição, não buscamos apenas compreender conceitos,
mas aprender a viver à luz do Pai que Cristo revelou.
A
doutrina da Trindade não é um apêndice da fé cristã. Ela é o centro pulsante da
nossa adoração, da nossa oração e da nossa vida diária.
Conhecer o Pai é
conhecer a fonte da graça, o Deus que nos adotou em Cristo e derramou sobre nós
o Espírito da filiação. Que esta
introdução abra nossos olhos, fortaleça nossa fé e desperte em nós o desejo
sincero de caminhar com o Pai, o Filho e o Espírito Santo com reverência,
alegria e confiança.
I. A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI
1. O Pai é o único Deus verdadeiro. O
ponto de partida para entender quem é o Pai é o ‘Shema Israel’, a confissão que moldou a fé do povo de Deus: Ouve,
Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Aqui, o Antigo Testamento nos
ensina que Deus é absolutamente singular. Não existe outro que compartilhe sua
essência, glória ou autoridade.
Os estudiosos do Comentário Bíblico Beacon lembram que esse texto não é
apenas uma afirmação monoteísta, mas um convite à adoração exclusiva.
Quando Jesus surge nos Evangelhos e
fala do Pai, Ele não apresenta outro Deus, mas aprofunda essa revelação. Aquele
que Israel adorava como o único Deus é o mesmo Pai que Cristo conhece
intimamente e nos convida a conhecer. À medida que avançamos pelas Escrituras,
vemos que esse Deus único se manifesta por seus nomes, seus atributos e suas
obras.
Horton observa que o Antigo Testamento
revela Deus como Criador, Rei e Sustentador de todas as coisas. Isaías declara
Tu, Senhor, és nosso Pai, mostrando que essa verdade já despontava de forma
real, ainda que não plenamente compreendida. O termo Pai aqui não expressa
apenas origem, mas cuidado, governo e amor redentor.
O Novo Testamento retoma essa linha e
a leva ao seu ápice, identificando Deus como Pai de maneira explícita em vários
textos. Ele é o Pai que cria, dirige a história e conduz seu povo com
fidelidade que nunca falha. Jesus, porém, é quem ilumina de forma plena essa
identidade. Ao chamá-lo de Pai, Ele usa a palavra aramaica abbá, expressão
íntima que revela proximidade e confiança.
Os comentaristas do Pentecostal do NT
lembram que Jesus não usa esse termo para diminuir a majestade divina, mas para
mostrar que o Deus único do Shema é também o Deus que se aproxima para salvar.
Quando Cristo ensina Pai nosso, Ele
não transmite uma fórmula, mas um caminho de relacionamento. Ele nos insere na
mesma relação que Ele possui com o Pai. O grego patḗr reforça essa dimensão:
não é uma metáfora, mas uma identidade divina real e eterna.
Assim, quando o Novo Testamento
apresenta o Pai, ele não cria uma nova divindade ao lado do Deus do Antigo
Testamento. Pelo contrário, ele declara com clareza: o Pai é o próprio Deus que
sempre se revelou como o único Senhor. Paulo usa esse título repetidas vezes,
não para apresentar uma hierarquia inferior ao Filho e ao Espírito, mas para
afirmar que o Deus da redenção é o mesmo Deus da criação.
A Bíblia de Estudo MacArthur destaca
que chamar Deus de Pai também nos lembra de nossa dependência, pois Ele é o que
sustenta todas as coisas e conduz todas as eras segundo seu conselho eterno. Por
isso, aprender a chamar Deus de Pai é mais do que dominar um conceito
teológico. É permitir que nossa vida seja moldada por essa verdade. Saber que o
único Deus verdadeiro é o Pai revelado por Jesus nos chama a viver com
reverência, confiança e entrega.
Ele não é distante, nem indiferente.
Ele é santo, mas também próximo. Ele governa o universo, mas inclina seu ouvido
aos seus filhos. Como discípulos, somos chamados a viver essa realidade
diariamente: caminhar com o Pai, confiar no Pai, obedecer ao Pai e descansar no
Pai. É assim que a fé do Shema encontra sua plenitude na vida cristã.
2. O Pai é a fonte da divindade. A
Escritura apresenta Deus como o Ser supremo, que existe por si mesmo e não
depende de nada fora dEle. Jesus afirma que o Pai tem vida em si mesmo,
expressão que revela o atributo conhecido como asseidade. No grego, a frase
zōēn en heautōi descreve vida que não é recebida, mas possuída eternamente. É a
partir desse ser absoluto que toda a revelação bíblica se torna possível.
O Antigo Testamento ecoa essa verdade
quando declara que Deus é o Eterno. Antes que os montes nascessem, Tu és Deus.
O salmista contempla não apenas a eternidade de Deus, mas sua imutabilidade,
pois o Deus que age na história é o mesmo que existe antes da história.
Horton observa que a eternidade divina
não é apenas duração infinita, mas plenitude de ser. Por isso, quando o Pai se
revela, Ele o faz a partir de uma existência que não muda e não se desgasta. A
imutabilidade do Pai se manifesta em sua fidelidade. Malaquias registra Eu, o
Senhor, não mudo. Tiago declara que nEle não há sombra de variação.
O Comentário Bíblico Beacon destaca
que essa imutabilidade garante que suas promessas não vacilam e seus decretos
não se alteram. O Deus que chamou Abraão é o mesmo que sustenta a igreja hoje.
Ele não se reinventa; Ele permanece. Isso dá ao crente segurança em tempos
instáveis. A eternidade e imutabilidade do Pai se estendem à sua obra criadora.
Ele é o Criador de tudo o que existe. Isaías proclama que Deus estabeleceu a
terra, e Paulo, ao pregar em Atenas, declara que Ele fez o mundo e tudo o que
nele há.
A Bíblia de Estudo Pentecostal observa
que o ato criador não apenas revela poder, mas intenção. O Pai cria porque
deseja compartilhar vida. Cada criatura, visível ou invisível, é sustentada
pela vontade contínua do Deus que é fonte de vida. Essa vida se expressa de
maneira profunda em Jó 33.4, onde
Eliú afirma que o Espírito de Deus me fez; o sopro do Todo-Poderoso me dá vida.
Aqui vemos a ação conjunta do Pai e do Espírito na criação e preservação da
existência humana.
Keener observa que esse texto antecipa
a compreensão neotestamentária da obra do Espírito como aquele que vivifica. O
Pai é a fonte; o Espírito é o agente que comunica essa vida aos seres criados. A
revelação do Pai como fonte da divindade se torna ainda mais clara no Novo
Testamento. Jesus o chama de Pai meu e Pai vosso. João declara que Ele é o Pai
de nosso Senhor Jesus Cristo. A relação é eterna, não iniciada no tempo.
A igreja reconhece que o Filho é
gerado do Pai e possui a mesma essência divina, como declara Hebreus ao dizer
que o Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser. O
termo grego charakter da hypostasei indica que o Filho é a perfeita
manifestação da realidade divina. No mesmo fluxo, o Espírito Santo procede do
Pai. Jesus afirma que o Consolador que eu lhes enviarei da parte do Pai, o
Espírito da verdade, que procede do Pai, dará testemunho de mim.
O verbo grego ekporeuomai aponta para
uma procedência eterna, não temporal. Arrington observa que essa distinção
relacional não diminui a divindade do Espírito, mas esclarece sua relação com o
Pai. Portanto, o Pai é reconhecido como fonte, o Filho como gerado e o Espírito
como procedente, mantendo a unidade essencial e a distinção pessoal. Essa
compreensão não é mera especulação teológica. Ela molda nossa vida espiritual.
Se o Pai é a fonte da divindade, então toda graça que recebemos flui desse amor
eterno.
Toda oração que fazemos é dirigida ao
Deus que sempre existiu e que jamais será abalado. Toda fé que professamos está
ancorada em um Deus que não muda. Hughes lembra que a disciplina espiritual se
fortalece quando entendemos que nos aproximamos de um Pai cuja vida é
inesgotável. Por isso, viver diante do Pai implica submissão e confiança. Ele é
o Deus que existe por si mesmo, mas que decidiu compartilhar vida com suas
criaturas. Ele é eterno, mas se aproxima de nós em Cristo. Ele é imutável, mas
opera de forma viva e dinâmica pelo Espírito.
Caminhamos diante de um Pai que é
fonte, origem e sustentação. Reconhecer essa verdade transforma nossa oração,
renova nossa fé e nos conduz a uma adoração mais profunda.
3. O Pai age por meio do Filho e do Espírito. A
revelação bíblica mostra que o Pai nunca age isoladamente. Desde a eternidade,
Ele se dá a conhecer como Aquele que ama, planeja e chama, e que manifesta sua
vontade por meio do Filho e do Espírito. A Trindade não é um conceito abstrato.
É o modo como Deus Se revelou para que O conheçamos de perto, de forma segura e
transformadora.
O Pai é a fonte que gera, o Filho é o
Verbo que revela e o Espírito é o poder que vivifica. E tudo isso acontece sem
divisão, competição ou graus de importância. O Deus que encontramos nas
Escrituras é o Deus que age em perfeita unidade. Quando olhamos para a obra da
criação, percebemos essa harmonia com clareza. O salmista afirma que o Pai
falou e tudo passou a existir, pois sua palavra é eficaz e criadora: Ele falou,
e tudo se fez; ordenou, e tudo surgiu (Sl
33.9).
João retoma esse mesmo movimento
quando declara que todas as coisas foram feitas por intermédio do Verbo, e sem
Ele nada do que existe teria sido feito (Jo
1.3).
Em outras palavras, o Pai é o autor da
criação, mas o Filho é o agente que a executa. O Espírito, por sua vez, pairava
sobre as águas, organizando e vivificando (Gn
1.2).
Assim, desde o primeiro capítulo da
Bíblia, vemos o Pai atuando por meio do Filho e do Espírito. Essa mesma lógica
aparece no plano eterno da salvação. Paulo diz que Deus nos escolheu antes da
criação do mundo (Ef 1.4), mostrando
que a redenção não é reação divina ao pecado, mas parte do propósito eterno do
Pai. Tito afirma que essa graça foi prometida antes dos tempos eternos (Tt 1.2).
O Filho, ao assumir nossa humanidade,
realiza esse plano com obediência perfeita e entrega total, até poder dizer: Eu
te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer (Jo 17.4). O Espírito, então, aplica
essa obra ao coração dos crentes, regenerando, convencendo e conduzindo à
verdade. A salvação é, portanto, uma obra trinitária inseparável.
É importante lembrar que essa
distinção de papéis não implica desigualdade. A tradição cristã sempre afirmou
que o Pai, o Filho e o Espírito são coeternos, coiguais e consubstanciais.
O Credo Atanasiano declara que nenhuma
das três pessoas é antes ou depois da outra. Essa verdade é fundamental para
uma teologia saudável. Se o Pai planeja, o Filho realiza e o Espírito aplica, é
porque assim Deus escolheu se revelar, e não porque um seja maior que o outro.
A unidade divina permanece perfeita. O Deus triúno age com uma só vontade,
ainda que em três relações pessoais distintas. Essa compreensão também impede
leituras equivocadas sobre subordinação eterna ou inferioridade do Filho e do
Espírito. A Bíblia não apresenta o Filho como um agente menor, mas como Aquele
em quem habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9).
O Espírito não é uma força impessoal,
mas o próprio Deus presente e atuante na vida dos fiéis, guiando, ensinando e
consolando (Jo 14.26).
Como lembra Stanley Horton, é no agir
harmonioso da Trindade que enxergamos a beleza da revelação divina, pois Deus
se mostra plenamente relacional e envolvido com seu povo. A atuação trinitária
não termina na história bíblica. Ela alcança a vida da igreja hoje. Quando
proclamamos o Evangelho, fazemos isso pelo mandato do Filho, no poder do
Espírito e sob a autoridade amorosa do Pai.
Quando oramos, somos guiados pelo
Espírito, chegamos ao Pai e o fazemos em nome do Filho. Quando vivemos em
santidade, é o Pai que nos chamou, o Filho que nos redimiu e o Espírito que nos
transforma. A vida cristã inteira é sustentada pelo agir conjunto das três
pessoas. Esse entendimento traz equilíbrio espiritual. Ele nos lembra que não
estamos entregues aos nossos próprios recursos.
O Pai continua tomando a iniciativa, o
Filho continua intercedendo e o Espírito continua conduzindo. A obra que Deus
começou em nós não depende apenas de nossa força. Ela depende da fidelidade de
um Deus que opera em perfeita unidade. Assim, o mesmo Deus que falou e criou,
que planejou e redimiu, é o Deus que hoje sustenta e aperfeiçoa sua igreja. O
estudo da Trindade não é mero exercício intelectual. Ele molda nosso modo de
viver. Se o Pai age por meio do Filho e do Espírito, então nossa vida deve
espelhar essa mesma harmonia.
Somos chamados a viver em unidade, a
cooperar uns com os outros e a nos submeter ao propósito de Deus com humildade
e reverência. A Trindade nos ensina que não existe obra divina sem
relacionamento. Não existe missão cristã sem comunhão. Por fim, quando contemplamos
a ação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito, somos convidados a nos render à
grandeza desse Deus que é imarcescível, sempre o mesmo, e que Se revela
amorosamente por meio do Filho enquanto nos transforma pelo Espírito. Conhecer
esse Deus é caminhar com segurança, porque aquele que age por meio de três
pessoas é o mesmo que nos sustenta com graça, verdade e poder.
II. O PAI REVELADO EM CRISTO
1. O Pai se revela aos humildes. A
revelação do Pai em Cristo é uma das verdades mais belas e, ao mesmo tempo,
mais confrontadoras das Escrituras. Jesus afirma que o Pai escolhe revelar sua
identidade não aos que confiam em seu próprio entendimento, mas àqueles que se
curvam diante dEle com humildade. Esse ensino expõe um princípio espiritual que
atravessa toda a Bíblia: o conhecimento de Deus não começa na inteligência
humana, mas na disposição do coração.
Deus não é descoberto. Ele se revela. Quando
Jesus ora dizendo que o Pai ocultou essas coisas dos sábios e instruídos, Ele
usa palavras carregadas de significado. O termo grego sophós descreve pessoas
reconhecidas por sua habilidade intelectual, enquanto synetós aponta para
indivíduos capazes de análise profunda e leitura refinada. Fariseus e escribas
se encaixavam bem nessas categorias. Eram treinados, cultos e meticulosos nas
Escrituras, mas permaneciam cegos para a verdade que Jesus trazia. Possuíam
informação, mas não transformação.
Como observa o Comentário Bíblico
Pentecostal, a soberba espiritual fecha a mente para a revelação que só o
Espírito pode conceder. Jesus então contrasta esses grupos com os pequeninos,
palavra traduzida do grego népios, que descreve tanto crianças pequenas quanto
pessoas simples e dependentes. Não se trata de falta de capacidade intelectual,
mas de postura interior. No Reino, pequeninos são aqueles que reconhecem sua
necessidade e se abrem para o agir de Deus. São pessoas que humildemente
recebem o que o Pai revela. Essa verdade ecoa o que o próprio Jesus ensinou em
outro momento: quem não se tornar como uma criança jamais entrará no Reino.
A humildade é a porta da revelação. É
importante perceber que esse modo de Deus Se revelar encontra eco também na
criação.
Paulo afirma em Romanos 1 que a criação inteira anuncia o eterno poder e a natureza
divina de Deus, de maneira tão clara que os seres humanos ficam indesculpáveis.
A expressão grega para tornar claro, phaneroó, indica algo exposto à vista,
colocado diante dos olhos. A natureza aponta para Deus, mas esse conhecimento
não salva. Ele apenas evidencia que o ser humano escolheu ignorar o Criador. A
revelação geral cria responsabilidade, mas somente a revelação em Cristo produz
vida. Por isso Jesus é central. Ele não apenas fala do Pai. Ele manifesta o
Pai.
O verbo revelar, no grego apokalyptó,
usado no mesmo contexto de Mateus 11,
carrega a ideia de retirar o véu, tornar visível o que estava oculto. Em
Cristo, Deus não deixa dúvidas sobre Seu caráter, Seu amor e Seu propósito. O
que a criação apenas sussurra, Cristo proclama com clareza. Como afirma Craig
Keener, Jesus é a chave hermenêutica da revelação divina. Nele, o Pai pode ser
conhecido de forma pessoal, salvadora e transformadora. Essa revelação, no entanto,
continua sendo um dom, não uma conquista humana. Não é o domínio dos textos
sagrados que abre o coração, mas a graça. Os fariseus conheciam as palavras,
mas não reconheciam o Verbo. Os pequeninos reconheciam o Verbo e, por meio
dele, discerniam o Pai. É assim até hoje. Deus não se deixa encontrar pelos
autosuficientes, mas se mostra aos que se rendem.
A verdadeira sabedoria começa onde
termina o orgulho. Diante dessa verdade, somos chamados a olhar para Cristo com
reverência, dependência e fé. Ele é a janela que nos permite ver o Pai. Nele, o
Pai se torna conhecido. Sem Ele, o Pai permanece velado. Ao mesmo tempo, somos
lembrados de que a criação continua anunciando que existe um Deus, e essa
mensagem pesa sobre a consciência de todos. Os que ignoram a revelação do Filho
não poderão alegar falta de luz. Foram cercados por evidências, tanto na
criação quanto no testemunho do Evangelho.
A vida cristã floresce quando vivemos
como os pequeninos. Humildade abre espaço para discernimento espiritual. Dependência
abre espaço para comunhão. Submissão abre espaço para revelação. O Pai se dá a
conhecer aos que param de disputar com Ele e começam a ouvir. E quando Cristo
se torna o centro, o coração encontra luz, descanso e direção.
A revelação do Pai em Cristo não é
apenas um tema doutrinário. É um convite diário para caminhar sob a luz daquele
que continua falando.
2. O Pai se faz conhecer pelo Filho. O
Filho é o caminho pelo qual o Pai se deixa conhecer. Não há outra porta, outro
acesso, outra lente capaz de revelar quem Deus é. Quando Jesus afirma que
ninguém conhece o Pai senão o Filho, Ele coloca a revelação divina num terreno
profundamente relacional. A palavra conhecer nesse texto é o verbo grego
ginóskō, que não descreve apenas informação, mas experiência íntima, percepção
viva e comunhão. Jesus não apenas sabe sobre o Pai. Ele O conhece plenamente,
porque compartilha Sua essência, Sua vontade e Seu coração. Essa declaração
aponta para uma verdade essencial: o Pai não é uma força impessoal nem um
conceito abstrato. Ele é um Deus vivo, que fala e se relaciona.
O convite do Salmo 46.10, “Parem de lutar e saibam que eu sou Deus”, mostra que
o conhecimento do Pai passa por um encontro que silencia o orgulho e abre
espaço para a revelação. Isaías declara que não há outro semelhante a Ele. Essa
singularidade torna indispensável que o próprio Deus se revele, porque não
podemos chegar a Ele por nossa própria capacidade. Por isso o Filho é chamado
de o Mediador. Paulo afirma em 1Timóteo
2.5 que existe um único mediador entre Deus e os homens, e esse mediador é
Cristo.
O termo grego mesítēs descreve alguém
que constrói a ponte, que cria acesso, que reconcilia partes antes separadas.
Sem Cristo, essa ponte não existe. Ele não apenas entrega um caminho. Ele é o
caminho, como declara em João 14.6.
Todo conhecimento do Pai passa por Ele, porque toda a plenitude da divindade
habita no Filho de forma corporal, como Paulo ensina em Colossenses 2.9. Jesus é também o intérprete do Pai. João afirma
que o Filho “o revelou” (Jo 1.18).
O verbo grego exēgéomai, traduzido
como revelar, é a raiz da palavra exegese. Ele descreve a ação de explicar,
interpretar, tornar claro. Cristo é, portanto, a exegese viva do Pai. Se
queremos saber como Deus pensa, ama, age, conduz, corrige ou acolhe, precisamos
olhar para Jesus. Sem Ele, toda tentativa de conhecer a Deus acaba distorcida,
porque o coração humano fabrica ídolos e projetam ideias equivocadas sobre
Deus. Foi assim com Israel no deserto, e continua sendo assim quando as pessoas
tentam conhecer Deus sem a luz de Cristo.
Essa verdade tem implicações
espirituais profundas. Muitos enxergam sinais de Deus na criação, nos valores
morais, na beleza do mundo ou em experiências pessoais. Esses testemunhos são
reais e correspondem ao que Paulo chama de revelação geral. Eles indicam que
Deus existe, mas não dizem quem Ele é. A criação nos confronta, mas não nos
salva. Ela aponta para a existência de Deus, mas não revela Seu caráter
redentor. Apenas Cristo faz isso. Ele é a imagem visível do Deus invisível,
como Paulo afirma em Colossenses 1.15.
Nesse sentido, o ensino de Jesus em Mateus 11.27 também é uma palavra de
consolo. O conhecimento do Pai não é obtido por esforço intelectual, nem
reservado a uma elite espiritual. O Filho revela o Pai “a quem Ele quiser”.
Essa expressão não exclui ninguém. Pelo contrário, enfatiza que o acesso é
fruto da graça. O Filho deseja revelar o Pai àqueles que se aproximam com fé,
humildade e disposição de ouvir. Não é mérito, é misericórdia.
Não é conquista, é dom. Todo discípulo
de Cristo é chamado a viver a partir dessa verdade. Conhecer o Pai é caminhar
com o Filho. É permitir que Cristo molde nossa visão de Deus, corrija nossas
percepções distorcidas, cure nossas imagens erradas e nos conduza ao coração do
Pai. Sem Cristo, o Pai permanece distante. Em Cristo, Ele se torna próximo,
acessível e amoroso. A vida cristã floresce quando deixamos o Filho nos
introduzir nessa comunhão que transforma, sustenta e conduz.
3. Quem vê o Filho vê o Pai. As
palavras de Jesus para Filipe soam como um convite à reverência: quem olha para
o Filho está diante da revelação mais nítida que a humanidade já recebeu do
Pai. João registra esse momento com precisão. Ao dizer “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14.9, NVI), Jesus retira o véu que
por séculos permaneceu entre o Deus invisível e o coração humano. Aqui não há
exagero, mas a afirmação simples e profunda de que o Pai se deixa conhecer, e
Ele o faz no rosto, na voz e na vida do Filho. Essa declaração repousa sobre a
realidade da Trindade. Jesus e o Pai não são a mesma Pessoa, mas compartilham a
mesma essência divina. Por isso Ele afirma: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).
O autor de Hebreus reforça essa
verdade quando descreve o Filho como “o resplendor da glória de Deus e a
expressão exata do seu ser” (Hb 1.3,
NVI). O termo grego usado para “expressão exata” é charaktēr, que significa
impressão precisa, marca perfeita, sem distorção.
Em outras palavras, tudo o que o Pai é
em Seu caráter, o Filho torna visível em Sua encarnação.
Jesus não age à parte do Pai. Ele
mesmo declara: “As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Ao
contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra” (Jo 14.10, NVI). O verbo “realizar”
traduz o grego poieō, que transmite a ideia de ação contínua. O Pai opera no
Filho, e o Filho age em perfeita consonância com a vontade do Pai (Jo 4.34; 6.38).
Aqui vemos a submissão amorosa do
Filho e a generosidade do Pai em Se dar a conhecer por meio do Enviado. Os
comentaristas pentecostais destacam essa dinâmica. O Comentário Bíblico
Pentecostal observa que Jesus não apenas fala sobre o Pai; Ele encarna o Pai.
Gordon Fee afirma que a cristologia
joanina nos leva a compreender que a revelação de Deus não está em conceitos
abstratos, mas em uma Pessoa real.
Champlin lembra que esse texto exige
cuidado: não é que Deus se torne visível em Sua essência, mas que Seu caráter,
vontade e propósito se tornam plenamente compreensíveis em Cristo. Jesus é o
intérprete definitivo do Pai. João resume essa missão com uma afirmação
decisiva: “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do
Pai, o tornou conhecido” (Jo 1.18, NVI).
A expressão “tornou conhecido” traduz exēgeomai, de onde vem “exegese”. Cristo
é a exegese viva do Pai. Ele explica o Pai. Ele revela o Pai. Ele interpreta o
Pai para nós.
Assim, quando olhamos para o Filho,
vemos o caráter do Pai em ato. Sua compaixão pelos quebrantados revela o
coração misericordioso do Pai. Suas palavras de sabedoria exibem a mente eterna
do Pai. Seu perdão aos pecadores manifesta a graça paternal que restaura. Até
Sua indignação diante da injustiça mostra a santidade do Pai que não tolera o
mal.
A vida de Jesus é o espelho perfeito
no qual podemos enxergar quem Deus é. Essa verdade oferece direção espiritual
ao discípulo. Quem deseja conhecer o Pai não precisa buscá-lo em especulações
filosóficas, nem em tradições humanas, nem em intuições religiosas. Basta fixar
os olhos em Cristo. Ele é o caminho, a porta e a luz. Ele é o Deus que se fez
próximo para que pudéssemos andar em comunhão com o Pai. A presença do Pai no
Filho também transforma a nossa vida devocional.
Jesus afirma que quem ama e guarda Sua
palavra experimentará a manifestação do Pai e do Filho (Jo 14.21,23). Não se trata de mera teoria teológica, mas de uma
realidade espiritual acessível. O Pai se faz presente no coração daquele que
recebe o Filho, pois onde o Filho é honrado, o Pai é revelado.
Por isso, toda busca por Deus deve
começar com Jesus e terminar nEle. Conhecer o Filho é entrar na intimidade do
Pai. Seguir o Filho é trilhar o caminho que o Pai preparou. Amar o Filho é
viver na comunhão do Deus que se revela e que chama Seus filhos para perto de
Si.
III. A PESSOA DE DEUS PAI
1. Atributos incomunicáveis do Pai. Quando
abrimos as Escrituras para contemplar quem Deus é, percebemos que o Pai não se
revela como uma ideia abstrata, mas como o Deus vivo, pessoal e santo. Para
conhecê-lo de verdade, precisamos considerar aquilo que somente Ele possui em
Sua essência divina. São os atributos incomunicáveis. Eles pertencem ao Pai, ao
Filho e ao Espírito Santo, e nenhum deles pode ser compartilhado com a
criatura. Olhar para esses atributos é aprender a temer, amar e confiar no Deus
que nos criou para viver diante dEle com reverência e alegria.
O primeiro desses atributos é a autoexistência. Deus existe por Si
mesmo e não deriva Sua vida de nenhuma outra fonte. Quando o Senhor disse a
Moisés “Eu Sou o que Sou” (Êx 3.14, NVI),
revelou que Sua vida não tem origem fora dEle. O termo hebraico ehyeh carrega a
ideia de existência absoluta. Jesus afirma a mesma realidade quando declara que
o Pai “tem vida em Si mesmo” (Jo 5.26).
Esta é a marca do Deus verdadeiro: Ele não é sustentado pelo universo; é o
universo que subsiste porque Ele é.
A eternidade
de Deus aprofunda ainda mais esse mistério. O salmista testemunha: “de
eternidade a eternidade tu és Deus” (Sl 90.2, NVI). Aqui, a linguagem humana se
curva, porque não há início nem fim na vida divina. O Pai não está preso à
sucessão de passado, presente e futuro. Isaías proclama que Ele habita “a
eternidade” (Is 57.15), termo que
aponta para um modo de existência totalmente distinto da nossa experiência
temporal. Cristo, o Filho eterno, manifesta essa mesma realidade quando afirma:
“Antes de Abraão nascer, Eu Sou” (Jo
8.58), declarando Sua eternidade compartilhada com o Pai.
A imutabilidade
é outro pilar da perfeição divina. Deus não muda em Seu caráter, propósito ou
santidade. “Eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6, NVI). Tiago reforça que nEle “não
há mudança” (Tg 1.17). O termo grego
tropē significa variação ou oscilação. Deus não sofre variações como a criação.
O Pai é sempre o mesmo, e essa firmeza nos dá segurança. O Filho revela a mesma
imutabilidade ao ser chamado “o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13.8). O Espírito Santo, que
procede eternamente do Pai, opera com essa constância divina na obra de
santificação.
A onipotência
também pertence exclusivamente a Deus. Jó reconhece: “Sei que podes fazer todas
as coisas” (Jó 42.2, NVI). O poder
do Pai não é força impessoal, mas poder santo dirigido por sabedoria perfeita.
Quando o anjo diz a Maria que “para Deus nada é impossível” (Lc 1.37), afirma a soberania do Pai,
que age no mundo em perfeita harmonia com o Filho e o Espírito. A criação, a
providência e a redenção são obras do Deus que tudo pode e tudo faz com
propósito.
A onisciência
revela que Deus conhece todas as coisas em um único ato. O Salmo 139 declara que Ele conhece cada palavra antes que chegue aos
nossos lábios. O autor de Hebreus afirma que “tudo está descoberto e exposto”
diante dEle (Hb 4.13). O termo grego
gumnós significa desnudo, revelando que nada escapa aos olhos do Pai. Jesus
manifesta essa mesma ciência divina ao conhecer os pensamentos de seus
interlocutores (Jo 2.24,25). O
Espírito Santo, que sonda as profundezas de Deus (1Co 2.10), participa dessa plenitude de conhecimento.
A onipresença
completa este retrato. Deus está plenamente presente em todos os lugares sem se
dividir ou se espalhar. Davi reconhece que não há lugar onde Sua presença não
alcance (Sl 139.7-10). Jeremias
afirma que Ele “enche os céus e a terra” (Jr
23.24). Cristo encarnado viveu a limitação humana, mas após Sua ascensão
declarou Sua presença contínua com os discípulos: “estarei sempre com vocês” (Mt 28.20). O Espírito Santo torna essa
presença real em nós, fazendo do crente um templo vivo onde Deus habita.
Esses atributos não são ideias frias,
mas fundamentos para nossa vida espiritual. Eles nos lembram que o Pai não é
limitado como nós. Ele não muda, não falha, não se surpreende, não se esgota e
não se ausenta. O Filho revela esses atributos em Sua obra redentora, e o
Espírito Santo os aplica à nossa vida, firmando-nos na confiança de que Deus é
absolutamente digno de toda adoração.
Quando compreendemos quem Deus é,
aprendemos a descansar. A eternidade do Pai nos lembra que nossas lutas não são
definitivas. Sua imutabilidade nos protege da ansiedade. Sua onipresença
sustenta nossa comunhão. Sua onisciência nos conduz com sabedoria. Sua
onipotência nos guarda em cada fraqueza. E Sua autoexistência nos chama a
adorá-lo com reverência, reconhecendo que toda vida procede dEle.
2. Atributos comunicáveis do Pai. Quando
a Escritura afirma que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, ela não
está falando apenas de racionalidade ou capacidade moral. Está dizendo que o
Pai, em Sua bondade, decidiu refletir parte de Seu próprio caráter em nós.
Esses atributos comunicáveis não são meras virtudes humanas. São traços da vida
divina impressos na criatura, para que vivamos diante dEle com santidade, amor
e fidelidade. Ao compreendermos esses atributos, voltamos a enxergar quem somos
e para que existimos.
O primeiro atributo comunicável é a santidade. Deus declara: “Sejam santos,
porque Eu sou santo” (Lv 19.2; 1Pe
1.15,16, NVI). O termo grego hagios significa separado, consagrado. A
santidade não é apenas ausência de pecado, mas presença ativa da vida de Deus
em nós. O Pai é santo em essência. O Filho revela essa santidade em cada
palavra e obra. O Espírito Santo a produz em nosso caráter. Silas Queiroz
lembra que a santidade é a saúde espiritual da alma, sem a qual não discernimos
a vontade de Deus. Esta santidade comunicada não nos torna perfeitos, mas nos
chama a uma vida progressiva de conformação ao caráter divino.
O amor
é outro atributo comunicável, e talvez o mais conhecido. “Deus é amor” (1Jo 4.8, NVI). O termo grego agapē
descreve um amor que nasce na vontade e busca o bem do outro sem esperar
retorno. O Pai ama desde a eternidade. O Filho manifesta esse amor na cruz. O
Espírito derrama esse amor em nossos corações (Rm 5.5). Champlin lembra que o ser humano só consegue amar
verdadeiramente porque participa, ainda que de forma limitada, desse amor
divino. Quando amamos a Deus e ao próximo (Mt
22.37-39), refletimos o próprio coração do Pai. Amar é viver como filhos
que carregam o rosto do Pai no mundo.
A fidelidade
também é atributo comunicável. “Se somos infiéis, Ele permanece fiel” (2Tm 2.13). A palavra grega pistós
significa digno de confiança. Deus é fiel porque Seu caráter nunca falha. O
Filho revela essa fidelidade ao cumprir toda a vontade do Pai (Jo 4.34).
O Espírito nos torna participantes
dessa mesma constância, fortalecendo-nos em meio às tentações e provando que a
fidelidade não é esforço isolado, mas fruto da graça. O livro Apocalipse
exorta: “seja fiel até a morte” (Ap
2.10). Nossa fidelidade é reflexo da fidelidade divina sustentando nosso
coração.
A bondade
também flui do Pai para Seus filhos. “O Senhor é bom e o seu amor dura para
sempre” (Sl 100.5, NVI). A bondade
divina é mais que gentileza. É a disposição permanente de Deus agir com graça e
misericórdia. Cristo encarna essa bondade ao acolher pecadores e restaurar
vidas. O Espírito a produz como fruto em nós (Gl 5.22). Gordon Fee observa que a bondade cristã é marca do
Reino, e torna visível no mundo o caráter do Deus que é bom em tudo o que faz.
A justiça
é outro atributo comunicável que aparece com força nas Escrituras. Deus é justo
e ama a justiça (Sl 11.7). O termo
grego dikaiosynē indica conformidade ao padrão moral divino. Cristo é chamado
de “justo” (At 3.14) porque expressa
perfeitamente a justiça do Pai. O Espírito Santo convence o mundo da justiça (Jo 16.8). Quando praticamos a justiça,
refletimos o governo santo de Deus e testemunhamos Sua integridade diante dos
homens.
A misericórdia
também é comunicável. O Pai se apresenta como “rico em misericórdia” (Ef 2.4). O termo hebraico hesed descreve
o amor leal, firme e comprometido. Jesus manifesta essa misericórdia com
compaixão profunda pelos feridos. O Espírito nos move a estender essa mesma
misericórdia aos que sofrem. Marcelo Oliveira ressalta que a misericórdia
divina não apenas nos alcança, mas nos transforma em agentes de cura na vida de
outros.
A longanimidade
e a paciência pertencem igualmente ao caráter comunicável de Deus. Ele é
“tardio em irar-se” (Sl 103.8). O
Filho demonstra essa paciência com discípulos lentos para entender. O Espírito
a produz em nós como fruto (Gl 5.22).
A paciência cristã é reflexo da paciência divina que sustém o mundo e oferece
tempo para arrependimento.
Outro atributo comunicável é a sabedoria. Deus é fonte de toda
sabedoria (Sl 111.10; Tg 1.5).
Cristo é chamado de “sabedoria de Deus” (1Co
1.24).
O Espírito concede discernimento e luz
para compreender a vontade do Pai. A sabedoria não é apenas conhecimento, mas
capacidade de viver segundo o propósito de Deus. Champlin afirma que sabedoria
é aplicar a verdade divina ao cotidiano. Quando buscamos sabedoria,
participamos da mente de Cristo.
Por fim, a verdade também é atributo comunicável. Deus é verdadeiro (Jo 3.33).
Jesus declara: “Eu sou a verdade” (Jo
14.6). O Espírito é o Espírito da verdade (Jo 16.13). A verdade divina expulsa a mentira, ordena a vida e
transforma o coração. Quando vivemos com integridade, falamos a verdade e a
praticamos, refletimos o caráter do Deus que nunca engana nem se contradiz.
Estes atributos comunicáveis nos
lembram que fomos criados para refletir a glória de Deus. Eles não nos tornam
divinos, mas revelam quem devemos ser no cotidiano. Santidade, amor,
fidelidade, bondade, justiça, misericórdia, paciência, sabedoria e verdade
formam o retrato da vida cristã madura. O Pai os concede. O Filho os
exemplifica. O Espírito os forma em nós. E a Igreja se torna testemunha viva do
caráter de Deus no mundo.
3. Os nomes que revelam o Pai. Os
nomes de Deus sempre foram mais do que títulos formais. Para a mente hebraica,
conhecer o nome de alguém significava conhecer seu caráter, suas intenções e
seu modo de agir. Por isso o salmista declara que aqueles que conhecem o nome
do Senhor encontram nele confiança e descanso (Sl 9.10). Um nome, na Escritura, não é uma etiqueta. É uma janela
que se abre para quem Deus é. Estudar esses nomes é aproximar-se do coração do
Pai.
O primeiro nome que encontramos é Elohim (Gn 1.1). Ele aparece em forma
plural, um plural reverencial que exalta a grandeza divina, mas que também
preserva um eco da comunhão intratrinitária que se revela plenamente nas
Escrituras (Gn 1.26). A criação,
segundo o Comentário Pentecostal do Novo Testamento, nasce dessa comunhão
eterna. O Pai cria por meio do Filho e no poder do Espírito, e esse nome sugere
que o Deus que inicia a história faz isso com majestade e relação.
Outro nome essencial é El Shadday (Gn 17.1). Ele é revelado a Abraão no momento em que o patriarca
encara sua fragilidade e o limite das possibilidades humanas.
Shadday aponta para aquele que
sustenta, nutre, fortalece e faz florescer a promessa acima de qualquer força
natural. Silas Queiroz observa que esse nome revela a capacidade de Deus de
suprir integralmente as necessidades de seu povo. Quando o Pai se apresenta
como El Shadday, Ele nos chama a abandonar a autossuficiência e a confiar na
suficiência divina.
Também encontramos o nome Adonai, proclamado em textos de
adoração (Sl 8.1). Adonai expressa a
autoridade amorosa de Deus sobre seu povo. No Novo Testamento, o grego Kyrios
assume essa função e é aplicado a Jesus como reconhecimento de sua plena
divindade (At 2.36).
Gordon Fee afirma que chamar Jesus de
Kyrios é confessar que a autoridade do Pai repousa sobre o Filho. Assim, ao
chamarmos Deus de Adonai, entendemos que Ele governa não como tirano, mas como
Senhor que conduz nossa história com propósito.
O nome mais sagrado no Antigo
Testamento é o tetragrama YHWH. Ele
é revelado a Moisés em um momento decisivo para Israel (Êx 3.14). Deus declara: “Eu Sou o que Sou”. Essa expressão, na
visão de Champlin, comunica existência própria, fidelidade absoluta e presença
contínua. YHWH não se limita ao passado nem ao futuro; Ele se dá como aquele
que sempre é. A experiência de conhecer YHWH formou o coração da fé israelita.
Para um oriental antigo, conhecer esse nome significava caminhar com o Deus que
se revela na história, que chama, liberta e guia com mão forte.
Nos Profetas, YHWH aparece como o Deus
eterno e imutável (Ml 3.6). Ele não
se desgasta, não muda de humor, não se contradiz. É esse nome que sustenta a fé
do povo em tempos de crise. Quando o salmista o invoca como “aquele que cavalga
sobre as nuvens” (Sl 68.4), ele o
enxerga como o Deus que domina os céus e governa a criação com soberania e
ternura.
Cada nome revela facetas do Pai que se
manifestam também no Filho e no Espírito. Jesus carrega o nome do Pai em si (Jo 17.6). Ele é o Kyrios que age com
compaixão, o Elohim que cria nova vida nos corações, o YHWH presente que diz
“Eu estarei sempre com vocês” (Mt
28.20). O Espírito Santo continua essa obra ao selar em nós a certeza de
que o Pai é o mesmo Deus vivo de Abraão, Moisés e Davi.
Conhecer esses nomes transforma nossa
devoção. Eles nos chamam a confiar no Deus que cria, sustenta, governa, liberta
e permanece. Eles nos lembram que o Pai não é uma ideia abstrata, mas alguém
que se deixou conhecer em cada estação da história. E hoje Ele deseja que
conheçamos seu nome com reverência e intimidade, vivendo à luz de sua
santidade, soberania e amor.
Que cada nome do Pai desperte em nós
uma fé mais profunda. Que o Deus que disse “Eu Sou” seja reconhecido em nossa
vida como o Senhor presente, santo e suficiente. E que nossa caminhada diária
revele que o nome que confessamos molda o modo como vivemos.
- A seguir, uma lista abrangente dos
principais nomes e títulos de Deus nas Escrituras; Incluo nomes do hebraico,
aramaico e grego, bem como títulos descritivos usados em ambos os Testamentos:
1.
Nomes Próprios de Deus no Antigo Testamento (Hebraico)
1. YHWH (יהוה): “EU SOU / O que é / O Eterno” Significado: O Deus
autoexistente, imutável, eterno. Aparece: Êx
3.14–15; mais de 6.800 vezes no AT. Observação: Nome de aliança; revela
Deus como pessoal, fiel, soberano e presente.
2. Yahweh Elohim (יְהוָה אֱלֹהִים):
“SENHOR Deus” Significado: O Deus da aliança que é também o Deus Todo-Poderoso.
Aparece: Gn 2.4; Êx 34.6.
Observação: Combina o nome pessoal de Deus com o título majestoso “Elohim”.
3. Elohim (אֱלֹהִים): “Deus / Poderoso / Criador” Significado: O
Forte; o Poderoso; Aquele que cria e sustenta. Aparece: Gn 1.1 (primeira palavra sobre Deus nas Escrituras). Observação:
Embora plural, vem acompanhado de verbos no singular → indica majestade e
complexidade da divindade.
4. El (אֵל): “Deus / Forte” Significado: Força, poder, autoridade
divina. Aparece: Gn 14.18–20; Sl 90.2.
5. El Shaddai (אֵל שַׁדַּי):
“Deus Todo-Poderoso” Significado: O Suficiente; o Todo-Poderoso; Aquele que
nutre e sustenta. Aparece: Gn 17.1;
28.3; 35.11.
6. El Elyon (אֵל עֶלְיוֹן):
“Deus Altíssimo” Significado: O Supremo; acima de todos os deuses e poderes.
Aparece: Gn 14.18–20; Sl 7.17; 78.35.
7. El Olam (אֵל עוֹלָם):
“Deus Eterno” Significado: Aquele que é de eternidade a eternidade. Aparece: Gn 21.33; Sl 90.2.
8. El Roi (אֵל רֳאִי):
“Deus que vê” Significado: Aquele que vê tudo e cuida. Aparece: Gn 16.13 (Hagar
nomeia Deus assim).
9. Yahweh Jireh (יְהוָה יִרְאֶה):
“O SENHOR proverá” Significado: Deus supridor, provedor. Aparece: Gn 22.14.
10. Yahweh Rapha (יְהוָה רֹפְאֶךָ):
“O SENHOR que te sara” Significado: Deus cura física, emocional e
espiritualmente. Aparece: Êx 15.26.
11. Yahweh Nissi (יְהוָה נִסִּי):
“O SENHOR é minha bandeira” Significado: Deus é vitória, proteção e estandarte
de guerra. Aparece: Êx 17.15.
12. Yahweh Shalom (יְהוָה שָׁלוֹם):
“O SENHOR é paz” Significado: Fonte de paz plena, harmonia, restauração.
Aparece: Jz 6.24.
13. Yahweh Ra‘ah / Rohi (יְהוָה רֹעִי): “O SENHOR é meu
pastor” Significado: Cuidador, guia, sustentador. Aparece: Sl 23.1.
14. Yahweh Tsidkenu (יְהוָה צִדְקֵנוּ): “O SENHOR é nossa justiça”
Significado: Deus é o fundamento da justiça e da retidão. Aparece: Jr 23.6; 33.16.
15. Yahweh Sabaoth (יְהוָה צְבָאוֹת): “SENHOR dos Exércitos”
Significado: Comandante supremo das forças celestiais. Aparece: 1Sm 1.3; Is 6.3; Sl 24.10.
16. Yahweh Shammah (יְהוָה שָׁמָּה): “O SENHOR está ali” Significado:
Presença permanente. Aparece: Ez 48.35.
17. Adonai (אֲדֹנָי): “Senhor / Mestre / Dono” Significado: Autoridade
soberana e domínio. Aparece: Gn 15.2; Sl
8.1.
2.
Nomes e Títulos em Aramaico
18. Abba (אבא): “Pai / Papai” Significado: Termo íntimo de
relacionamento. Aparece: Mc 14.36; Rm
8.15; Gl 4.6. Observação: Expressa proximidade amorosa com Deus,
introduzida por Jesus.
19. Maranatha (מָרָנָא תָא): “Vem, Senhor!” / “O Senhor vem!”
Significado: Confissão da soberania e expectativa da volta de Cristo. Aparece: 1Co 16.22. (Embora não seja nome direto
de Deus, funciona como aclamação divina.)
3.
Nomes e Títulos de Deus no Novo Testamento (Grego)
20. Theos (Θεός): “Deus” Significado: Divindade suprema. Aparece: Jo 1.1 e por todo o NT. Observação:
Utilizado para o Pai, o Filho e, em alguns contextos, para o Espírito.
21. Kyrios (Κύριος): “Senhor / Dono / Soberano” Significado: Título
usado para Deus no AT (YHWH) e aplicado a Jesus. Aparece: Lc 2.11; At 2.36; Fp 2.11.
22. Despotes (Δεσπότης): “Soberano absoluto / Mestre” Aparece: Lc 2.29; At 4.24; 2Pe 2.1; Jd 4. Observação:
Ênfase no poder absoluto e domínio divino.
23. Pater (Πατήρ): “Pai” Significado: Deus como Pai amoroso, protetor e
fonte da vida. Aparece: Mt 6.9; Jo 17.1;
Rm 8.15.
24. Ho On (ὁ ὤν): “O que é /
O existente” Aparece: Ap 1.4,8; 4.8.
Observação: Eco direto de Êx 3.14
(LXX).
25. Pantokratōr (Παντοκράτωρ): “Todo-Poderoso” Aparece: Ap 1.8; 4.8; 11.17. Significado:
Autoridade universal; soberania total.
26. Sōtēr (Σωτήρ): “Salvador” Aparece: Lc 2.11; Tt 2.13. Observação: Atribuído ao Pai e ao Filho.
27. Basileus (Βασιλεύς): “Rei” Aparece: 1Tm 1.17; Ap 15.3; 19.16. Observação: “Rei dos reis” é título
direto da soberania divina.
4.
Títulos descritivos de Deus nas Escrituras
28. Rocha (צוּר / πέτρα) Significado: Segurança, estabilidade,
proteção. Aparece: Dt 32.4; Sl 18.2; 1Co
10.4 (Cristo).
29. Escudo (מָגֵן) Significado: Protetor fiel. Aparece: Gn 15.1; Sl 3.3.
30. Pastor (רֹעֶה / ποιμήν) Aparece: Sl 23.1; Jo 10.11.
31. Redentor (גֹּאֵל / λυτρωτής) Aparece: Jó 19.25; Sl 19.14; Ef 1.7.
32. Santo de Israel (קְדוֹשׁ יִשְׂרָאֵל) Aparece: Is 1.4; 43.3.
33. Juiz de toda a terra (שֹׁפֵט / κριτής) Aparece: Gn 18.25; Hb 12.23.
34. Pai das luzes Aparece: Tg
1.17.
35. Alfa e Ômega Aparece: Ap
1.8; 22.13.
36. Deus de toda consolação Aparece: 2Co 1.3.
37. Pai das misericórdias Aparece: 2Co
1.3.
38. Deus de paz Aparece: Rm
15.33; 1Ts 5.23.
39. Deus da esperança Aparece: Rm
15.13.
40. Deus de amor e paz Aparece: 2Co
13.11
CONCLUSÃO
A doutrina da Trindade nos leva a
contemplar o coração da fé cristã. Nesta lição, aprendemos que o Pai não é uma
ideia abstrata nem uma força impessoal. Ele é o Deus vivo que se revelou em
nomes que comunicam sua grandeza, fidelidade e proximidade. É o Pai que cria,
que sustenta o universo e que conduz a história com propósito. Ele é o Deus
eterno, imutável e pessoal que se fez conhecer por meio de sua Palavra e, de
modo supremo, por meio de seu Filho.
Quando olhamos para esses nomes,
entendemos que conhecer o Pai é entrar em um relacionamento real com aquele que
sempre foi santo, bom e presente.
Também vimos que essa revelação só
pode ser compreendida em Cristo. O Filho é o intérprete perfeito do Pai, a
imagem exata do seu ser. Ele nos mostra como o Pai pensa, age e ama. A vida
eterna não é apenas viver para sempre, mas conhecer o Pai por meio do Filho,
como afirmou Jesus em João 17.3. A Trindade não é um enigma intelectual, mas a
forma como Deus nos acolhe em sua própria vida. O Espírito Santo torna essa verdade
viva em nós, conduzindo-nos a uma relação filial marcada por confiança,
obediência e amor.
Por fim, compreender o Pai à luz da
Trindade transforma nossa caminhada diária. Somos chamados a viver como filhos
adotados, guiados pelo Espírito e formados pela palavra do Filho. Isso nos leva
a uma devoção mais profunda, a uma vida de santidade e ao compromisso de
refletir o caráter do Pai em tudo o que fazemos. Conhecer o Pai não termina na
teoria. Ele nos chama a viver perto dele, a adorá-lo com entendimento e a
obedecê-lo com alegria. Que essa lição reacenda em nós o desejo de caminhar com
o Deus que nos criou, nos redimiu e nos sustenta.
Encerrando esta preciosa lição,
podemos fazer três aplicações práticas:
1. Busque conhecer o Pai de forma
diária por meio da Palavra, permitindo que os nomes e atributos de Deus moldem
sua visão da vida, suas decisões e seu senso de propósito.
2. Cultive uma vida de oração centrada
em Cristo, reconhecendo que Ele é o único caminho para conhecermos o Pai e
vivermos como filhos adotados.
3. Permita que o Espírito Santo forme
em você o caráter do Pai, praticando obediência, santidade e amor nas relações
familiares, na igreja e no trabalho.