sábado, 8 de janeiro de 2011

A DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO

A DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO

TEXTO AUREO = “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3.10).

VERDADE PRÁTICA A descida do Espírito Santo é o cumprimento da promessa de Deus e marca o início da era da salvação, que terminará com a vinda de Cristo.

LEITURA EM CLASSE = ATOS 2.1-13,38

INTRODUÇÃO

A manifestação das línguas tem sido objeto de extensos debates. A experiência vivida pelos apóstolos nessa ocasião foi um fenômeno completamente novo. A Noiva de Cristo através dos séculos vem experimentando essas experiências pentecostais.

1. DIA DE PENTËCOSTE

1. “Cumprindo-se o dia de Pentecoste” (v. 1). Pentecoste (Nm 28.26) era uma das três principais festas judaicas, instituídas por Deus, através de Moisés. Páscoa (Lv 23.4- 8) e Tabernáculos (Lv 23.34) são as outras duas. Essas festividades solenes eram significativas e apontavam para o Messias.

a) Páscoa. Era a comemoração da saída dos filhos de Israel do Egito, também chamada de Festa dos Pães Asmos ou Ázimos (porque nela o pão era sem fermento), comemorada ainda hoje pelos judeus. Para nós, ela se cumpriu no sacrifício de Jesus, pois o cordeiro pascal, descrito em Êxodo 12.3-8, apresenta os requisitos encontrados em Cristo.

b) Festa dos Tabernáculos. Chamada em hebraico de “Sucot”, comemora o período em que os filhos de Israel viveram em cabanas no deserto, quando saíram do Egito (Lv 23.33-43). Era a última festa do ano e durava oito dias. Era uma festividade alegre (Lv 23.40). Está mencionada em João 7.37-39. Ela representa o gozo e a alegria dos crentes. O quadro profético ainda não se cumpriu: será no Milênio.

c) Pentecoste. É uma palavra grega que significa “qüinquagésimo”, porque essa festa era celebrada 50 dias após a Páscoa (Lv 23.15,16). Chamada em hebraico de “Shavuot”, plural de “shavua “, significa “semana”, mas é também conhecida como a Festa das Primícias, pois coincidia com o fim da colheita de trigo. O nome “Festa de Pentecoste” ficou assim conhecido, por ser realizada no qüinquagésimo dia após a Páscoa.
2. Reunidos no mesmo lugar (v. 1). Havia quase 120 discípulos, incluindo as corajosas e heroínas pessoas anônimas que tiveram participação efetiva na obra de Deus (At 1.15). O local era o Cenáculo, em Jerusalém (At 1.13), onde perseveravam “unanimemente em oração e súplicas” (At 1.14). À luz do contexto reunidos no mesmo lugar fala de unanimidade de propósito, esperando a promessa do Pai.

II. A VINDA DO ESPÍRITO SANTO

1. Barulho vindo do Céu (v.2). Vento e fogo são dois dos símbolos do Espírito Santo (Mt 3.11; Jo 3.8). A manifestação divina ligada ao fogo era comum no Antigo Testamento, tanto para trazer juízo (Jl 2.3), como para iniciar uma nova era ao povo de Deus (Ex 3.1,2).

2. Línguas repartidas como que de fogo (v. 3). Isso fala das diversidades de línguas. O fogo é a garantia de que Deus estava nesse negócio, visto que para os judeus a manifestação divina estava ligada ao fogo (Ex 3.2, 3; 19. 16-20; 1 Rs 18. 38; Lc 9.54).

3. “Todos foram cheios do Espírito Santo” (v.4). Nenhum dos patriarcas e profetas viveu essa experiência, embora alguns deles falassem desse evento mais como algo ainda para o futuro, pois, na época do Antigo Testamento, o Espírito Santo atuava sob medida.

a) Nomes do Espírito Santo no Antigo Testamento. O Espírito Santo está presente em todo o Antigo Testamento, a partir de Gênesis 1.2, de maneira expressa, pois, como terceira Pessoa da Trindade, Ele está onde surge o nome de Deus. A expressão “Espírito Santo” só aparece três vezes na Antiga Aliança (Sl 51.11; Is 63.10,11).

b) Divindade e personalidade no Antigo Testamento. E apresentado como Deus pessoal no Antigo Testamento: “O Espírito do Senhor falou por mim, e a sua palavra esteve em sua boca, disse o Deus de Israel...” (2 Sm 23.2,3).

c) Obras do Espírito Santo no Antigo Testamento. Atuou na criação do Céu e da Terra (Gn 1.2; Sl 104.30) e do homem (Jó 33.4). Inspirou os profetas do Antigo Testamento (2 Pe 1.19-21). Por essa razão, o profeta era chamado de “homem do Espírito” (Os 9.7).


d) O Espírito Santo no Novo Testamento. O homem do Antigo Testamento desconhecia a experiência pentecostal, pois a descida do Espírito Santo foi para que ficasse conosco “para sempre.” Era a promessa de Jesus para a Dispensação da Igreja (Jo 14.16).

e) “Cheio do Espírito Santo”. O que significa ser “cheio do Espírito Santo”? É uma figura de linguagem. Significa que alguém abriu espaço em sua vida, para que o Espírito Santo possa operar sem restrição.

III. FALAR LÍNGUAS

1. “Começaram a falar em outras línguas” (v. 4). Era Babel às avessas. Naquela torre, ninguém se entendia, pois um não compreendia o que o outro dizia (Gn 11.7-9). Em Jerusalém, no Pentecoste: “cada um os ouvia falar na sua própria língua” (v. 6).

a) O duplo milagre. Essas línguas não eram da Terra. A palavra “línguas”, nos versículos 3 e 4, é glossa.(grego). Mas o vocábulo “língua”, nos versículos 6 e 8, é dialektos, (grego). O que isso significa? Que o milagre foi duplo: Os discípulos falaram línguas desconhecidas (glossa), e cada representante dessas 17 nações ouvia-os em sua própria língua (dialektos).

b) Língua do Céu. Língua estranha não é o mesmo que língua estrangeira, a qual há sempre quem possa entender, mas a língua estranha só compreende quem o Espírito Santo revelar. Disse o apóstolo Paulo: “Porque o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios” (1 Co 14.2).

c) Exemplo prático. John L. Sherrill, em seu livro Eles Falam em Outras Línguas, pp. 153-155, afirma que apresentou a seis lingüistas (três deles da Universidade de Colúmbia) fitas de vozes de pessoas que falavam em línguas, que ele gravou em cultos pentecostais. Um deles era técnico no estudo de estruturas lingüísticas. Ao ouvirem essas fitas, não puderam identificar coisa alguma dessas línguas. Disseram que eram línguas estruturadas, embora não as identificassem.

2. Línguas como evidência do batismo no Espírito Santo. Ter o Espírito Santo não é o mesmo que ser batizado no Espírito Santo. Os discípulos, mesmo antes do Pentecoste, já tinham o Espírito Santo (Jo 20.22). O batismo no Espírito Santo é um revestimento de poder que capacita o crente a fazer a obra de Deus, principalmente, para fazer missões (At 1.8; Lc 24.49).

a) Como se sabe que alguém foi batizado no Espírito Santo? A evidência desse batismo é o falar línguas. No dia de Pentecoste eles falaram línguas (v. 4).
Antes disso, ninguém tivera tal experiência. Na casa de Cornélio, como Pedro soube que o Espírito Santo desceu sobre eles? “Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus” (At 10.46).

b) Perigo das inovações. Há igrejas neopentecostais que não têm noção dessa evidência e confundem ter o Espírito Santo com o batismo no Espírito Santo. Ultimamente, estão inventando muitas práticas exóticas sem apoio bíblico.
Eu já vi alguém dizer: “Eu falo línguas”, e outra pessoa responder para ele: “Fale”, e ele começar a falar. Há também pessoas que querem ajudar Jesus fazer a obra: Falam línguas e mandam as pessoas que ainda não foram batizadas imitá-las.

3. O batismo no Espírito Santo hoje (v. 38). Não há qualquer indicação no Novo Testamento de que a promessa do batismo no Espírito Santo seja algo meramente para o primeiro século, como defendem expositores antipentecostais. A promessa é para “tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar”. Há registros de que ao longo da história do Cristianismo, diversos cristãos falaram línguas. Irineu, Agostinho, Lutero, Wesley e muitos outros. Com o avivamento cio País de Gales, de Kansas e da rua Azuza, quase simultaneamente, o fenômeno das línguas voltou a ser algo generalizado, e não meramente uma raridade.

CONCLUSÃO

A promessa do Espírito Santo diz respeito, principalmente, aos “últimos dias”, e não à era dos apóstolos. Além disso, Pedro, ao citar o profeta Joel, substituiu a expressão “derramarei o meu Espírito” por “derramarei do meu Espírito”. Isso mostra que o Pentecoste foi o início da Dispensação do Espírito Santo, e que a efusão do Espírito seria na sua plenitude nos “últimos dias”, os dias em que estamos vivendo.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lições bíblicas CPAD 1996

PEDRO, O PREGADOR DO PENTECOSTE

PEDRO, O PREGADOR DO PENTECOSTE

TEXTO ÁUREO = “Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse- lhes: Varões judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras” (At 2.14)

VERDADE PRÁTICA = O segredo da permanência do poder pentecostal, que recebemos, é dar plena liberdade ao Espírito Santo, sobre as nossas vidas.

TEXTO BÍBLICO BÁSICO - At 3.14-24

INTRODUÇÃO

Antes de falarmos de Pedro como pregador do Pentecoste, que é o assunto principal desta lição, falaremos um pouco de sua vida, sua conversão e sua experiência com Deus. Sua chamada para o ministério apostólico se deu quando ele estava em plena atividade de sua profissão de pescador (Mt 4.18-22).

Pedro era irmão de André e filho de certo Jonas (Mt 16.17), e natural de Betsaida (Jo 1.44). Era casado (Mt 8.14), não se apartava de sua esposa, nem mesmo em suas viagens missionárias (1 Co 9.5). Seu nome de nascimento era Simão. Quando, porém, Jesus o chamou para se integrar em seu ministério, como um dos seus apóstolos, mudou o seu nome chamando-o de Pedro (Mt 16.18).

Pedro, em grego, significa pedra; e Simão é forma abreviada de Simeão, que significa “famoso”. Os escritores católicos romanos, para defenderem a primazia de Pedro, como papa, dizem que ele residiu em Roma por 25 anos, de 42-67 a.D.
Outros, no entanto, negam essa opinião. Uma terceira versão admite que Pedro esteja algum tempo em Roma e que, nesse período, escreveu suas epístolas. Esta opinião é mais correta.

I. PEDRO BUSCA O PENTECOSTE

Antes do Pentecoste, Pedro participou dos grandes e maravilhosos momentos junto com Jesus. Assistiu à ressurreição do filho de Jairo (Lc 8.51). Participou da reunião da transfiguração (Mt 17); do milagre da moeda tirada da boca do peixe, pescado por ele (Mt 17.27). Teve o privilégio de ter os seus pés lavados por Jesus (Jo 13.6-10). Ouviu a voz de Deus falando com Seu filho Jesus Cristo (Mc 9.2-3). Não obstante, cortou a orelha de Malco (Jo 18.10,11); negou a Cristo, vergonhosamente, diante de uma criada (Mc 14.68).

Assistiu à ascensão do Senhor (At 1.11-13). Após a ressurreição, Jesus ordenou que ele fosse para Galiléia onde se encontraria com ele (Mc 16.7). No entanto ele foi pescar, voltando à profissão antiga, levando também outros companheiros (Jo 21.3).

Para apascentar o Seu rebanho, Jesus exigiu que ele se convertesse (Jo 21.15). Pregou o primeiro sermão para a escolha do substituto de Judas (At 1.15-17).
Foi este homem, cheio de falhas, que se tornou no grande pregador do, pentecoste.

1. Pedro busca o batismo com Espírito Santo. Não é possível ser um bom pregador pentecostal, sem, antes haver recebido o batismo com o Espírito Santo.
Pedro ouviu Jesus, não somente pregar, mas, ensinar, doutrinar, acerca do batismo com o Espírito Santo (Lc 24.49; AT 1.4,5, 8).

Após a ascensão do Senhor Jesus, Pedro e os demais apóstolos foram para o Cenáculo buscar a promessa do Pai (At 1.13,14). Foi um período de dez dias de oração, que começou depois da ascensão (quarenta dias depois da ressurreição (At 1,3), e durou até o dia de Pentecoste (cinqüenta dias depois da ressurreição (At 2.1).

O alvo da oração era receber o batismo com o Espírito Santo, conforme a promessa de Jesus (Lc 24.49). Devemos pedir aquilo que desejamos, com objetividade, assim como os apóstolos e os demais que com eles estavam no Cenáculo. Devemos pedir aquilo que Deus prometeu ou promete.
Elias pediu o que Deus havia prometido (I Rs 18.1,41- 46). Moisés orou quarenta dias, pedindo aquilo que mais desejava, e obteve a resposta (Dt 9.25,26).

2. Pedro recebe a promessa (At 1.13,14; 2.1-4). “Todos foram cheios do Espírito Santo”, inclusive Pedro. Não ficaram ocupados com discussões estéreis, se Jesus realmente batizava ou não, nem expressaram dúvidas sobre se esta bênção era para aquele tempo ou para mais tarde.

Pelo contrário, creram na promessa de Jesus e ficaram orando. Assim resolveram o problema. Por que não fazemos o mesmo nos dias de hoje? Muitos ficam discutindo o assunto, outros ficam querendo ensinar, ou estabelecer regras para se receber o batismo com Espírito Santo. A melhor regra é a que está escrita na Palavra de Deus. É entrar no “cenáculo” e pedir, suplicar, até que seja revestido de poder (At 1.13,14; Lc 24.49).

Muitos, hoje, não são batizados, porque não querem “subir ao cenáculo” uns dizem que querem quando Jesus quiser; outros, ainda, mais pessimistas, dizem: “eu não mereço”. Devemos crer nas promessas do Senhor e fazer conforme Ele ordena: “Pedi, pedi” (Mt 7.8). Você, sendo batizado com o Espírito Santo, terá melhor e maior condição de ensinar, de pregar e de testemunhar acerca do Pentecoste, assim como fez Pedro
(At 2. 14-18).

3. Pedro fala às multidões. Pedro, agora, cheio do Espírito Santo, tinha convicção, ousadia, por isso, “Pondo- se em pé, levantou a sua voz” (At 2.14).
O crente cheio do Espírito Santo não fica sentado, calado e amedrontado, diante dos ouvintes; mas fala com poder e ousadia às multidões.Oito anos depois, Pedro, diante dos irmãos em Jerusalém, defendendo-se das acusações dos legalistas, por ele haver pregado aos gentios, disse: “Quando eu comecei a falar caiu o Espírito Santo, como a nós no princípio”, referindo-se ao dia de Pentecoste (At 11.15), quando ele e os demais foram batizados com o Espírito Santo.
Sejamos pentecostais semelhantes a Pedro.

II. O DISCURSO DE PEDRO NO PENTECOSTE

O batismo com o Espírito Santo, conforme aconteceu no dia de Pentecoste, quando todos os que o receberam davam glória a Deus, falavam línguas e profetizavam, maravilhando o povo (At 2.6,7), é normal nos dias de hoje.
Foi necessário que Pedro se levantasse e explicasse ao povo, o que estava acontecendo naquele dia (At 2.16). Citando as Escrituras ele disse que o batismo com o Espírito Santo está vinculado aos “últimos dias”.

Cremos e ensinamos que esses “últimos dias” se iniciaram com a vinda de Jesus a este mundo (Hb 1.2) e se prolongará até o fim dos séculos, incluindo vários “dias proféticos”, como o dia do Senhor Jesus Cristo “(Fp 1.6; Co 1.8), que é o dia do arrebatamento da Igreja, e o chamado “Dia do Senhor” (I Ts 5.2-4; II Pe 3.10), que será o dia do juízo de Deus sobre os ímpios.

1. “Estes homens não estão embriagados” (2.15). Muitas mentiras, muitas calúnias, têm sido lançadas sobre os evangélicos através dos tempos, especialmente os das Assembléias de Deus, que foram pioneiros do movimento pentecostal neste País. Vemos aí a primeira mentira contra os primitivos pentecostais: “estão cheios de mosto”. Foram chamados de beberrões de vinho!
Quantos irmãos pentecostais têm sofrido com as calúnias, até mesmo daqueles que se dizem crentes em Cristo. A esposa de Davi, a filha de Saul, censurou o seu esposo, quando este estava cheio do Espírito Santo (II Sm 6.14), chamando- ode vadio (II Sm 6.16,20). Precisamos conhecer bem a Palavra de Deus, para responder àqueles que nos acusam.

2. “Não é assim como vós pensais” (2.15). Alguns dizem que Pedro era analfabeto, sem cultura, “sem letras e indouto” (At 4.13). Não é bem assim. Cremos que Pedro, antes de ser apóstolo era homem “sem letras”; mas duvidamos que depois de passar mais de três anos ouvindo e aprendendo aos pés do Mestre dos mestres, Pedro continuasse indouto. Na verdade, Pedro tornou-se um homem de conhecimentos profundos. De outro modo, como um homem sem letras teria tido condições de escrever coisas tão sábias, tão profundas (I Pe 3.19-22; 2Pe 3.15,16). A Igreja e a Escola Dominical precisam de pregadores e mestres pentecostais que vivam, preguem e ensinem sob a inspiração de Espírito Santo; e que usem o nome Pentecostal, não apenas como “bandeira”, mas como realidade, tal como usava o personagem desta lição, o apóstolo Pedro.

III. PEDRO EXPLICA O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO SANTO

Em seu discurso, Pedro explica que esta bênção viria “sobre toda a carne” (At 2.17), isto é, dos que crêem em Jesus. Apesar de ser oferecida a todos, nem todos a recebem, uns porque não crêem, outros porque não buscam, outros, ainda, porque não desejam. Não obstante, a promessa é para todos. Para todas as igrejas, para todos os crentes, para todos “quantos Deus nosso Senhor chamar” (At 2.39). Você foi chamado por Deus? Então creia, o Pentecoste é para você também.

1. A promessa do batismo com o Espírito Santo. “Sobre meus servos e minhas servas” (2.18). Pedro, citando as profecias de Joel, diz que o derramamento do Espírito Santo é sem distinção de classe social, sexo, ou idade. A promessa do derramamento do Espírito é de abrangência universal. É para tantos quantos o Senhor chamar. Não importa que sejam “senhores” ou “servos”, isto é, nobres ou plebeus, sábios ou indoutos, ricos ou pobres, crianças, jovens ou velhos.

Cremos que o batismo com Espírito Santo é uma bênção subseqüente à salvação, diferente do batismo nas águas. O batismo em águas é feito pelo homem em obediência ao mandamento do Senhor Jesus (Mt 28.19,20), e o batismo como Espírito Santo é efetuado pelo Senhor, de conformidade com as Suas promessas (Lc 24.49; At 1.5).

Os apóstolos em Jerusalém enviaram Pedro e João a Samaria, a fim de que orassem pelos que criam no Evangelho, para que estes recebessem o Espírito Santo. Foi por isso que também o apóstolo Paulo perguntou aos novos convertidos de Éfeso, se eles já o haviam recebido (At 19.1- 3). Como a resposta foi negativa, Paulo orou e eles foram batizados como Espírito Santo.

2. A abrangência da promessa. O Pentecoste muda, transforma, levanta, encoraja e aviva. Aquele Pedro, que dias antes, tremera diante de uma criada, negando o seu Mestre, agora, batizado com O Espírito Santo, põe-se de pé e fala com ousadia, dizendo: “Escutai as minhas palavras” (At 2.14); “Isto é o que foi dito pelo profeta Joel” (At 2.16; JL 2.28-32).

Gerações passaram, desde o profeta Joel, sem ver o cumprimento desta profecia. Profetas, reis e sacerdotes foram, em ocasiões especiais, revestidos pelo Espírito Santo (Nm 11.25; Dt 34.9; Jz 6.34; 11.29; 14.6; I Sm 16.13).

Mas nunca, antes, o Espírito foi derramado, como no dia de Pentecoste. O Pentecoste foi o início de uma nova era ou dispensação, ou ministério do Espírito (2 Co 3.8). Pedro se refere a uma época (aos “últimos dias “v. 17),que começou no dia de Pentecoste e só terminará com “O grande dia do Senhor”.

O Pentecoste, portanto, não é apenas um fato histórico e transitório, restrito a uma época, ele é permanente, é receptível, e é “para tantos quantos nosso Senhor chamar” (2.39).

O Pentecoste foi e sempre será acompanhado de milagres e poder sobrenatural da parte de Deus. Pentecoste, sem milagres, sem poder, sem cura divina, sem profecia, sem línguas estranhas, sem mudança de vida, sem confissão e abandono de pecado, sem santidade não é Pentecoste. Sem o Pentecoste a Igreja não teria o poder para evangelizar (At 1.8).

IV. O FRUTO DA MENSAGEM PENTECOSTAL

A mensagem pentecostal é sempre ungida. Compunge os corações e promove perguntas: “Que quer isto dizer?” Promove arrependimento e conversão dos pecadores (2.41). No memorável dia de Pentecoste, três mil almas creram em Jesus e foram batizadas em águas, como resultado da mensagem pentecostal.
Pela manhã, no cenáculo, 120 crentes foram batizados com Espírito Santo.

Ao findar do dia, três mil pessoas haviam sido salvas, batizadas em águas e acrescentadas à Igreja do Senhor. A mensagem pentecostal produz vida, convicção doutrinária, milagres, amor pelas almas e pela igreja, e louvor. Onde há pentecoste, há louvores a Deus. Onde há pentecoste, há salvação de almas, curas divinas e batismo com Espírito Santo (2. 4 1-47). É interessante notar que quando a Lei foi promulgada (Ex 32.28), três mil pessoas foram mortas. Quando a Graça foi anunciada, na unção do Espírito Santo, três mil pessoas foram salvas (At 2.41). Este é o fruto da mensagem pentecostal. Aleluia!


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lições bíblicas CPAD 1988

O Dia de Pentecostes

O Dia de Pentecostes

CAPÍTULO 2

Muitos séculos se interpuseram entre a promessa do Messias (até as mais recentes) e sua vinda, mas entre a promessa do Espírito e sua vinda transcorreram apenas alguns dias. Durante esse período, os apóstolos, mesmo tendo recebido ordens para pregar o evangelho a toda criatura e começando por Jerusalém, ficaram totalmente parados por falta de vento, incóguitos e escondidos, sem fazer pregações. Mas, neste capítulo, o vento norte e o vento sul despertando-os, coloca-os no púlpito. Temos aqui: 1. A vinda do Espírito sobre os apóstolos e sobre quem estava com eles no dia de Pentecostes (vv. 1-4). II. As especulações que o fato ocasionou entre as pessoas do mundo todo que, na ocasião, estavam em Jerusalém (vv. 5-13). III. O sermão que Pedro pregou a essas pessoas depois dessas ocorrências.

Na prédica, ele mostra que o derramamento do Espírito era o cumprimento de uma promessa do Antigo Testamento (vv. 14-21), era outra confirmação de que Jesus era o Messias, fato já comprovado por sua ressurreição (vv. 22-32), e era o produto e evidência da sua ascensão ao céu (vv. 33-36). IV O bom efeito deste sermão, que ocasionou a conversão de muitos à fé de nosso Senhor Jesus Cristo e seu acréscimo ao registro de membros da igreja (vv. 37-41). V A devoção eminente e atos de caridade desses primeiros cristãos, e os símbolos manifestados da presença de Deus com eles e do poder neles (vv. 42-47).

O Dia de Pentecostes = vv. 1-4

Temos aqui a narrativa da vinda do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus. Observe: Quando e onde ocorreu a vinda do Espírito Santo, pois são detalhes particularmente notáveis para a maior certeza das coisas.

1. A vinda do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus ocorreu quando o dia de Pentecostes se cumpriu. Esta é referência à maneira de falar sobre a instituição desta festa: Sete semanas inteiras serão (Lv 23.15), contando-se do dia da oferta das primícias, que era o dia logo após a Páscoa, o décimo sexto dia do mês de abibe, o dia em que Jesus ressuscitou.

Cumprindo-se esse dia, ou seja, havia passado completamente a noite precedente e uma parte do dia. (1) O Espírito Santo desceu na hora de uma festa solene, porque havia uma grande multidão em Jerusalém proveniente de todas as regiões da nação e prosélitos de outros países. Essas pessoas tornariam a festa mais pública e espalhariam sua fama mais cedo e mais rápido, contribuindo muito para a propagação do evangelho em todas as nações. Como se deu na Páscoa e se dá hoje, as festas judaicas serviram para divulgar os cultos e as festividades do evangelho. (2) Esta festa de Pentecostes era feita em memória do recebimento da lei no monte Sinai, de onde datamos a incorporação da igreja judaica.
O Dr. Lightfoot entende que foram mil e quatrocentos e quarenta e sete anos antes deste Pentecostes. Era pertinente, pois, que o Espírito Santo fosse dado nessa festa, em fogo e em línguas, para a promulgação da lei evangélica, não para uma nação, mas para toda criatura. (3) Esta festa de Pentecostes ocorreu no primeiro dia da semana (Jo 20.1,19), mais uma referência ao valor desse dia. E outra confirmação de ser ele o sábado cristão (este é o dia que fez o Senhor, Sl 118.24). O domingo é um memorial permanente na igreja destas duas grandes bênçãos: a ressurreição de Jesus e o derramamento do Espírito, ambas ocorridas nesse dia da semana.

Isso serve para justificar nossa observância desse dia sob o nome oficial e título honorifico de odiado Senhor (Ap 1.10), fazendo-nos ainda vivenciar a santificação desse dia em louvores a Deus particularmente por duas grandes bênçãos. Na minha opinião, a cada dia do Senhor, durante o ano, devemos mencionar de modo pleno e específico, em nossas orações e louvores, estas duas bênçãos. E o que fazem algumas comunidades ao mencionarem a ressurreição de Jesus no dia da Páscoa e o derramamento do Espírito em pequena dose aos domingos. Quando o fizermos, que o seja com sentimento apropriado!

2. A vinda do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus ocorreu quando estavam todos reunidos no mesmo lugar. O texto não diz em particular que lugar era esse. Talvez tenha sido no templo, para onde se dirigiam em ocasiões públicas (Lc 24.53), ou no próprio cenáculo onde se reuniam em outros tempos.

Seja como for, aconteceria em Jerusalém, porque esta fora a cidade onde o Senhor escolhera colocar seu nome. A profecia anunciava que dessa cidade sairia a palavra do Senhor para todas as nações (Is 2.3). Agora, eis o lugar do encontro geral de todas as pessoas devotas; ali Deus prometera encontrá-las e abençoá-las; ali Ele as encontra com a bênção das bênçãos. Jerusalém desonrou por demais a pessoa de Cristo. Mesmo assim, Ele lhe prestou essa declaração como ensino para o seu remanescente de todos os lugares e tempos; Ele o fez em Jerusalém.

Nessa cidade, os discípulos se reuniram num único recinto, num espaço pequeno que não conteria todos. E ali estavam todos reunidos de comum acordo. Não nos esqueçamos quantas vezes, enquanto o Mestre estava com os discípulos, houve [...] entre eles contenda sobre qual deles parecia ser o maior (Lc 22.24). Mas agora todas estas disputas e querelas acabaram, pois ninguém mais procedia assim. A porção que já tinham recebido do Espírito Santo, quando Jesus o assoprou sobre eles, corrigira em boa medida os erros nos quais essas contendas se fundamentavam e os dispusera ao amor santo.

Ultimamente, eles oravam mais juntos que o habitual (v. 14), e isso os fez amar uns aos outros ainda mais. Por sua graça, Ele assim os preparou para o dom do Espírito Santo, pois a pomba santa não vem onde há barulho e tumulto, mas se move sobre a face de águas tranqüilas e não turbulentas. Queremos que do alto o Espírito seja derramado em nós (Lc 24.49)?
Então, estejamos todos reunidos no mesmo lugar de comum acordo, e, a despeito da diversidade de sentimentos e interesses, como sem dúvida havia entre esses discípulos, concordemos em amar uns aos outros. Onde os irmãos vivem em união, [...] ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (Sl 133.1,3).

Como o Espírito Santo veio sobre os discípulos de Jesus. Lemos muitas vezes no Antigo Testamento que Deus desceu em uma nuvem, como quando Ele tomou posse do tabernáculo e, tempos depois, do templo, evidenciando a escuridão daquela dispensação. E Jesus subiu ao céu em uma nuvem para nos dar a entender que somos mantidos na escuridão em relação ao mundo superior. Mas o Espírito Santo não desceu em uma nuvem. Ele viria para dispersar e espalhar as nuvens que cobrem a mente humana e para trazer luz ao mundo.

1. Esta é uma convocação audível dada aos discípulos para despertar suas expectativas de algo grande (v. 2). O texto sacro diz: (1) Que o Espírito Santo veio de repente, não se foi formando gradualmente, como fazem os ventos comuns, mas atingiu sua força subitamente. Veio mais cedo do que esperavam, assustando até os que estavam juntos esperando e provavelmente ocupados em exercícios religiosos. (2) Que veio do céu um som, como uma trovoada (Ap 6.1).

As Escrituras registram que Deus tira os ventos dos seus tesouros (Sl 135.7) e os encerra nos seus punhos (Pv 30.4). Este som veio dele, como a voz de alguém clamando: Preparai o caminho do Senhor (Mt 3.3). (3) Que era o som, como de um vento, pois o modo de o Espírito proceder é igual ao do vento: ouves a sua voz, mas não sabes donde vem (Jo 3.8). Quando o Espírito de vida estava para entrar nos ossos secos, o profeta recebe a ordem de profetizar ao espírito: Assim diz o Senhor Jeová: Vem dos quatro ventos, ó espírito (Ez 37.9). E embora o Senhor não viesse a Elias no vento; contudo, isso o preparou para receber a descoberta de si mesmo na voz mansa e delicada (1 Rs 19.11,12).

O Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade (Na 1.3), e Ele falou com Jó de um redemoinho (Jó 38.1). (4) Que era um vento veemente e impetuoso. Era forte e violento, e veio com grande estrondo e com muita força, como se fosse derrubar tudo que estivesse pela frente. O propósito disso era demonstrar a poderosa te- fluência e operação do Espírito de Deus na mente dos homens, e através deles, no mundo, para que eles fossem poderosos em Deus para a destruição de fortalezas (2 Co 10.4). (5) Que encheu toda a casa em que estavam assentados.

Provavelmente isso alarmou a cidade inteira, mas para mostrar que era sobrenatural, concentrou-se meramente naquela casa. E semelhante ao que pensam certos estudiosos ao afirmarem que o vento enviado para deter Jonas afetou somente o navio onde ele se encontrava (Jn 1.4) e também que a estrela dos magos posicionou-se somente por cima da casa onde o menino se achava. Isso dirigiria as pessoas que observavam o fenômeno a ir ao local investigar o significado do que acontecia.
O vento que encheu a casa deixou os discípulos apavorados, ajudando-os a ficar em posição multo séria, reverente e tranqüila para o recebimento do Espírito Santo. Assim as convicções do Espírito abrem caminho para os seus consolos; e as rajadas violentas desse vento santo preparam a alma para as suas brisas suaves e sussurrantes.

2. Este é um sinal visível do dom que os discípulos receberam. Eles viram línguas repartidas, como que de fogo (v. 3), as quais pousaram — ekhatise. Não foram as línguas repartidas que pousaram, mas Ele, o Espírito (assim significado), que pousou sobre cada um deles, como ocorreu com os profetas de antigamente. Ou conforme a descrição do Dr. Hammond: “Houve o surgimento de algo parecido com a luz de fogo em chamas sobre cada um deles, que se dividiu e, assim, assumiu a semelhança de línguas divididas ou repartidas próximo das suas cabeças”. A chama de uma vela é algo semelhante a uma lingua. Existe um meteoro que os naturalistas chamam ignis lambens — uma chama suave, não um fogo voraz, como fora este. Observe:

(1) Houve um sinal exterior perceptível para confirmar a fé dos discípulos e convencer as outras pessoas. O mesmo sucedia com os profetas de antigamente. Eles tinham sua primeira missão confirmada por sinais para que todo o Israel soubesse que eles foram consagrados profetas.

(2) O sinal dado foifogo para que a predição de João Batista relativa a Jesus se cumprisse: Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Mt3.11), ou seja, com o Espírito Santo como com fogo. Os discípulos estavam na festa de Pentecostes celebrando o recebimento da lei no monte Sinai. A lei foi dada em fogo, por isso foi chamada lei de fogo como o evangelho é chamado evangelho de fogo. A missão de Ezequiel foi confirmada por uma visão de brasas de fogo ardentes (Ez 1.13), e a de Isaías por uma visão de brasa viva que lhe tocou os lábios (Is 6.6,7). O Espírito, como fogo, derrete o coração, separa e queima a escória, e acende sentimentos santos e devotos na alma. E na alma, como no fogo que está sobre o altar, que são oferecidos os sacrifícios espirituais. Este é o fogo que Jesus veio lançar na terra (Lc 12.49).

(3) Este fogo apareceu na forma de línguas repartidas. As operações do Espírito são muitas. O falar em diversas línguas é uma dessas operações e foi separado para ser a primeira evidência do dom do Espírito Santo, ao qual este sinal serve de referência. [1] Eram línguas, pois é proveniente do Espírito que temos a palavra de Deus, e é pelo Espírito que Jesus falaria com o mundo. Ele deu o Espírito aos discípulos para dotá-los de conhecimento e de poder para espalhar e proclamar ao mundo o que eles sabiam, visto que a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útíl (1 Co 12.7). [2] Estas línguas eram repartidas, dando a entender que Deus dividiria entre todas as nações o conhecimento da sua graça, assim como está escrito que Ele, por sua providência, reparte a elas a luz dos corpos celestes (Dt 4.19).
As línguas foram divididas, mas mesmo assim os discípulos continuavam de comum acordo, pois pode haver uma unidade sincera de sentimentos onde há diversidade de expressão. O Dr. Lightfoot observa que a divisão de línguas na torre de Babel foi a expulsão dos pagãos. Quando eles perderam o único idioma no qual pregavam sobre Deus, perderam todo o conhecimento de Deus e da religião, e caíram na idolatria. Mas agora, depois de cerca de dois mil anos, Deus, por meio de outra divisão de línguas, restabeleceu o conhecimento de si mesmo para as nações.

(4) Este fogo pousou sobre os discípulos durante algum tempo para denotar a habitação constante do Espírito Santo neles. Os dons proféticos de outrora eram conferidos esparsamente e apenas em poucas ocasiões, mas os discípulos de Jesus sempre teriam consigo os dons do Espírito, embora o sinal talvez logo desaparecesse. Não sabemos se estas chamas de fogo passaram de um para o outro, ou se havia tantas chamas quantas pessoas. Mas tinham de ser chamas fortes e brilhantes para que fossem visíveis à luz do dia, pois o dia, que ainda é hoje, chegara.

Quais foram os efeitos imediatos disso? (v. 4). 1. Todos foram cheios do Espírito Santo de maneira mais plena e poderosa que antes. Eles foram cheios com a graça do Espírito e ficaram mais que nunca sob a sua influência santificadora. Agora eles eram santos, espirituais, menos apegados a este mundo e mais bem familiarizados uns com os outros. Eles ficaram mais cheios do consolo do Espírito, alegraram-se mais que nunca no amor de Jesus e na esperança celestial, e, nisso, todas as suas aflições e medos foram absorvidos.
Eles também foram, como prova disso, enchidos com os dons do Espírito Santo, que é o propósito específico do evento narrado nesse texto. Eles foram dotados de poderes milagrosos para proveito do evangelho. Para mim, está claro que não só os doze apóstolos, mas todos os cento e vinte discípulos foram igualmente cheios do Espírito Santo nessa ocasião. Todos os setenta discípulos, que eram homens apostólicos e envolvidos na mesma obra, bem como todos os demais que também pregariam o evangelho.

Em Efésios 4.8,11, está escrito expressamente: Subindo ao alto, quando Jesus ascendeu ao céu (que se refere a isso, v. 33), Ele deu dons aos homens: uns para apóstolos (como foram os doze), outros para profetas, outros para evangelistas (como eram muitos dos setenta discípulos, pregadores itinerantes) e outros para past ores e doutores estabelecidos em determinadas igrejas, como supomos que mais tarde alguns deles foram. O todos aqui tem de se referir ao todos que estavam reunidos (v. 1; cap. 1.14,15). 2. Todos [...] começaram o,falar em outras línguas, além da língua materna que cada um falava, mesmo sem nunca haver aprendido essas outras línguas. Os assuntos de que tratavam não eram conversas comuns, mas eram a palavra de Deus e louvores ao seu nome, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem, ou lhes dava a falar, apophthengesthai — proferir apotegmas, declarações significativas e de peso, dignas de se manter na memória.
A situação, provavelmente, não era uma pessoa falando uma língua e outra, uma segunda e, assim por diante (como ocorreu com as muitas famílias que se espalharam em Babel), mas a cada um era permitido falar diversas línguas, conforme a ocasião. E presumimos que entendiam aquilo que diziam e também o que os outros diziam, privilégio de que os construtores de Babel não dispunham (Gn 11.7).

Não falavam, aqui e ali, uma palavra em outra língua, ou gaguejavam algumas frases incompletas, mas falavam com exatidão, fluência e elegância como se fosse sua língua nativa, pois tudo o que é produzido por milagre tem de ser da melhor qualidade. Eles não falavam por haverem pensado ou meditado previamente, mas conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Era o Espírito Santo que lhes concedia o conteúdo e a língua. (1) Este era um milagre de grande porte, um milagre ocorrido na mente (e assim tinha muito da natureza de um milagre do evangelho), pois é na mente que as palavras são formadas.

Eles nunca tinham aprendido estas línguas, nem também qualquer língua estrangeira que poderia ter-lhes facilitado o aprendizado dessas. Ao que parece, nunca tinham sequer ouvido tais línguas, nem tampouco possuído a mínima noção delas. Não eram nem estudantes nem viajantes, nem haviam possuído qualquer oportunidade de aprender idiomas por intermédio de livros ou conversação. Pedro era bastante atrevido para falar em sua própria língua, mas os demais não eram porta-vozes, nem eram ágeis de entendimento. Mas agora o coração dos imprudentes entenderá a sabedoria; e a língua dos gagos estará pronta para falar distintamente (Is 32.4). Quando Moisés reclamou: Sou pesado de boca, Deus respondeu: Eu serei com a tua boca. E acrescentou:

Arão [...]falará por ti ao povo (Ex 4.10,12,16). Mas Deus fez mais para estes seus mensageiros: aquele que fez a boca do homem refez a boca destes. (2) Este era um milagre extremamente adequado, necessário e útil. Os discípulos falavam aramaico, um dialeto hebraico. Por isso, era necessário que eles fossem dotados com a capacidade para entenderem o hebraico, idioma em que o Antigo Testamento foi originalmente escrito, e o grego, idioma em que o Novo Testamento será originalmente redigido. Mas isso não era tudo.

Eles foram comissionados a pregar o evangelho a toda criatura (Mc 16.15), a ensinar todas as nações (Mt 28.19). Há aqui uma dificuldade insuperável se revelando: Como eles dominariam os muitos idiomas para que falassem inteligentemente a todas as nações? Seria o trabalho de uma vida inteira alguém aprender todas as línguas da época. Portanto, para provar que Jesus lhes daria autoridade para pregar às nações, Ele lhes dá a capacidade de pregar na língua de cada uma dessas nações. Ao que parece, este foi o cumprimento desta promessa que Jesus fez aos discípulos: Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas (Jo 14.12).

Para que isto fosse devidamente reconhecido e considerando todos os fatos, as obras maiores teriam de ser maiores que as curas miraculosas que Jesus fez. O próprio Jesus não falava em outras línguas, nem capacitou os discípulos a fazê-lo, enquanto estava com eles. Este foi o primeiro efeito do derramamento do Espírito sobre eles (v. 18). O arcebispo Tillotson pensa que se agora pessoas de mente genuína procurassem sincera e vigorosamente converter os infléis ao cristianismo, Deus favoreceria extraordinariamente tal tentativa dispondo-lhes toda assistência adequada, como fez na primeira proclamação do evangelho.

O Dia de Pentecostes = vv 5-13

Há aqui um relato da notícia que se espalhou em Jerusalém sobre o dom extraordinário que todos os discípulos subitamente receberam. Observe:
IA grande confluência de pessoas em Jerusalém era maior que o habitual em época de festa do Pentecostes (v. 5). Em Jerusalém estavam habitando ou havia judeus que eram varões religiosos, inclinados à religião e que tinham o temor de Deus diante dos olhos (conforme significa a palavra corretamente).

Alguns eram prosélitos de justiça, porque foram circuncidados e aceitos na igreja judaica, ao passo que outros eram apenas prosélitos de portão, porque abandonaram a idolatria e se entregaram à adoração do verdadeiro Deus, sem, contudo, obedecerem à lei cerimonial. Parte desses que agora estavam em Jerusalém era de todas as nações que estão debaixo do céu, para onde os judeus foram espalhados ou de onde foram feitos prosélitos.

A expressão é hiperbólica, denotando que havia pessoas das regiões mais bem conhecidas do mundo de então. Tanto como Tiro foi, ou Londres é, o local de encontro de homens de negócio do mundo inteiro, Jerusalém, naquela época, era o local de encontro de pessoas religiosas de todas as regiões. 1. Temos uma lista de alguns países de onde esses estrangeiros vieram a Jerusalém (vv. 9-11).

Alguns vieram de países orientais, como os partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, que são a posteridade de Sem. Então passamos para a Judéia, a qual deve ser mencionada, porque, embora a língua dos habitantes da Judéia fosse a mesma dos discípulos, contudo eles a falavam com o sotaque e dialeto do norte do país (és também galileu, Mc 14.70, pois a tua fala te denuncia, Mt 26.73). Mas agora, depois do Pentecostes, empregavam-na tão corretamente quanto os próprios habitantes da Judéia.

Em seguida, vêm os habitantes de Capadócia, Ponto e daquele país ao longo do Proponto, denominado particularmente de Asia, sendo estes os países para os quais esses estrangeiros foram dispersos e para quem Pedro mais tarde escreveu (1 Pe 1.1). Depois, vêm os moradores da Frígia e Panfília, que se situavam em direção oeste, sendo a posteridade de Jafé como também o eram os forasteiros romanos.
Havia também alguns que moravam na região sul do Egito e partes da Líbia, junto a Cirene; outros que residiam na ilha de Creta e outros que habitavam os desertos da Arábia. Mas, originalmente, compunham-se todos ou de judeus que foram espalhados nesses países, ou de prosélitos convertidos à religião judaica, sendo nativos desses países. O Dr. Whitby observa que os escritores judeus dessa época, como Fion e Josefo, falam que os judeus habitavam em todas as regiões
da terra inteira e que não há um povo na terra entre os quais não habitem alguns judeus. 2. O motivo que reuniu todos esses judeus e prosélitos em Jerusalém nesta época.

Não foi para fazer urna visita passageira em Jerusalém durante a festa do Pentecostes, porque o texto diz que eles estavam habitando lá. Eles alugavam quartos em casas particulares, porque nesse tempo havia a expectativa geral do aparecimento do Messias. As semanas de Daniel haviam acabado de se cumprir, o cetro se arredara de Judá e o pensamento geral era que logo se havia de manifestar o Reino de Deus (Lc 19.11). Isso fez com que as pessoas que eram mais zelosas e devotas fossem a Jerusalém e permanecessem temporariamente lá, para que tivessem parte antecipada no Reino do Messias e as bênçãos desse reino.

O temor que tomou conta dos estrangeiros quando ouviram os discípulos falar nas suas próprias línguas. Pelo visto, os discípulos falaram em vários idiomas antes que as pessoas desses respectivos idiomas viessem a eles, pois se subentende (v. 6) que foi a propagação dessas notícias que ajuntou a multidão. Foram, sobretudo, as pessoas de diferentes países que ficaram mais abaladas com esta operação de maravilhas (1 Co 12.10) que os próprios habitantes de Jerusalém.

1. Os estrangeiros observaram que os que falavam eram todos galileus, pessoas que não conheciam outra língua exceto a materna (v. 7). Eram pessoas de baixo nível cultural, de quem ninguém esperaria nada culto ou educado. Deus escolheu as coisas loucas e fracas loucas deste mundo para confundir as sábias e fortes (1 Co 1.27). O povo pensava que Jesus fosse galileu, mas seus discípulos realmente eram pessoas incultas e ignorantes.

2. Os estrangeiros reconheceram que os discípulos falavam inteligente e prontamente cada um na língua desses estrangeiros (os quais eram juízes muito competentes). Falavam de modo tão correto e fluente que nenhum dos seus próprios compatriotas poderia falar melhor: Nós os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos (v. 8), ou seja, ouvimos um ou outro deles falando em nossa língua nativa. Os partos ouviam um deles falar seu idioma, os medos ouviam outro falar o seu e assim sucessivamente: Todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus (v. 11). Seus respectivos idiomas eram desconhecidos em Jerusalém e, provavelmente, menosprezados e subestimados.
Portanto, não só era uma surpresa, mas uma surpresa agradável eles ouvirem o idioma do próprio país deles sendo falado, como ocorre naturalmente com os que são estrangeiros em terra estrangeira. (1) As palavras que os estrangeiros ouviam os discípulos pronunciarem diziam respeito às grandezas de Deus, megaleia tou Theou — Magnalia Dei, as grandes coisas de Deus. E provável que os discípulos falassem sobre Jesus, a redenção por meio dele e a graça do evangelho. Essas são realmente as grandes coisas de Deus, que serão para sempre coisa maravilhosa aos nossos olhos (Sl 118.23). (2) Os estrangeiros ouviram os discípulos louvarem a Deus por essas grandes coisas e ensinarem as pessoas acerca destas coisas, na língua de cada uma delas, segundo percebiam a língua das pessoas que os ouviam ou daqueles que lhes faziam perguntas.

Mas talvez por estarem habitando há algum tempo em Jerusalém, esses estrangeiros ganharam certo domínio no idioma hebraico, habilitando-os a entender o que os discípulos queriam dizer, caso tivessem falado nesse idioma. [1] O fato era muito estranho e ajudava a convencer o juízo dos estrangeiros de que esta doutrina era de Deus, pois as línguas eram um sinal [...] paro. Os incrédulos (1 Co 14.22, versão RA). [2] O fato era muito prazeroso aos sentidos e ajudava a prender as emoções dos estrangeiros, visto que era indicação clara do privilégio estendido aos gentios.

Esse fato também sinalizava que o conhecimento e o culto a Deus já não estariam restritos aos judeus e que a parede de separação seria derribada. Para nós é alusão clara da mente e vontade de Deus de que os registros sagrados das grandezas de Deus seriam preservados por todas as nações e em sua própria língua. As Escrituras seriam lidas e o culto público feito nas línguas comuns das nações.

3. Os estrangeiros ficaram curiosos em saber o que era que estava acontecendo e consideraram o fato surpreendente: Todos se maravilhavam e estavam suspensos (ou seja, em êxtase, que é o significado da palavra, v. 12). Eles estavam em dúvida sobre qual era o significado disso. Supunham que tinha a ver com o estabelecimento do Reino do Messias, do qual possuíam altas expectativas. Eles perguntavam a si mesmos e uns aos outros: Ti an theloi touto einai; — Quid hoc sibi unlt? — Qual é a tendência disso? Seguramente é para dignificar e, assim, distinguir estes homens como mensageiros do céu. Portanto, como aconteceu com Moisés junto à sarça ardente, assim eles se viraram para lá e viram esta grande visão (Ex 3.3).

O desprezo que alguns nativos da Judéia e Jerusalém deram ao fato, provavelmente os escribas, os fariseus e os principais dos sacerdotes que sempre resistiam ao Espírito Santo. Diziam: Estes homens estão cheios de mosto, ou seja, vinho doce, dando a entender que eles beberam demais neste tempo de festa (v. 13). Não que eles fossem tão faltos de entendimento a ponto de pensar que vinho em excesso faria as pessoas falarem línguas que nunca aprenderam. Mas estes, sendo judeus nativos, não sabiam, como os estrangeiros, que o que era falado era realmente os idiomas de outras nações.
Por isso, para eles soava palavreado desconexo e sem sentido, como bêbedos, como às vezes falavam aqueles loucos de Israel (2 Sm 13.13). E semelhante à ocasião em que eles resolveram não crer no dedo do Espírito nos milagres de Cristo, e eles saíram com esta: Ele expulsa os demônios pelo príncipe dos demônios (Mt 9.34). Assim, quando resolveram não crer na voz do Espírito na pregação dos apóstolos, eles saíram com esta: Estes homens estão cheios de vinho novo. Portanto, se chamaram beberrão ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos? (Mt 10.25; 11.19).


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Comentário Bíblico Mathew Henry - Novo Testamento Edição Compelta

COMEÇANDO POR JERUSALÉM

COMEÇANDO POR JERUSALÉM

TEXTOO ÁUREO = “E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” (Lc 24.47).

VERDADE PRATICA = Começando por Jerusalém, em obediência à ordem de Jesus, o evangelho tem sido pregado a todas as nações. A Igreja, na Década da Colheita, não pode descuidar-se desta missão.

TEXTO BÍBLICO BÁSICO = Lc 24.47; At 2.47; 4.16; 5.12,28,29

INTRODUÇÃO

A palavra Jerusalém aparece no texto canônico mais de 800 vezes. Essa cidade tem sido o centro religioso do mundo. As atenções de Deus e da Igreja se voltem para ela, porquanto está estreitamente vinculada às profecias bíblicas.
O título desta lição 6 tomado das palavras que foram dirigidas pelo Senhor Jesus aos apóstolos e demais discípulos reunidos em Jerusalém, após o evento maravilhoso da ressurreição (Lc 24.33-47).

1. IDENTIFICANDO JERUSALÉM

1. Informações gerais. A antiga cidade de Jerusalém é mencionada no texto sagrado desde o livro de Gênesis ao de Apocalipse. Ao tempo de Abraão, Jerusalém era conhecida como Salém, e Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, era o seu rei (Gn 14.18; SI 76.2; Hb7.1,27). Porém, um dia, Salém foi invadida pelos jebuseus, recebendo o nome de Jebus. Mais tarde veio a chamar-se Jerusalém, que significa habitação de paz. Nos dias do rei Davi, tornou-se a capital do reino de Israel até o reinado de Reoboão, quando houve a divisão em duas facções a saber: Reino de Israel e Reino de Judá. Jerusalém continuou sendo a capital deste último até à invasão dos exércitos de Nabucodonosor, que a destruíram completamente. Leia 2 Sm 5.5-7; 2 Rs 25.1-11; 2Cr 10; 11.1-17.

Durante o reinado de Davi, Jerusalém tomou-se o centro de adoração a Deus para toda a nação israelita (1 Cr 15.17- 27; 2 Sm 6.17). Isto foi possível devido a decisão sábia do rei Davi, que ordenou aos sacerdotes e levitas transportarem a arca de Deus para Jerusalém, abrigando- a em uma tenda ou tabernáculo. Posteriormente, coube ao rei Salomão o privilegiado encargo de construir o Templo, onde eia ficou abrigada até a destruição de Jerusalém. Data deste tempo o seu desaparecimento. Até hoje, ninguém sabe que destino teve a arca, símbolo da presença de Deus no meio do Seu povo.

Totalmente destruída no ano 70 de nossa era, quando capturada pelas forças romanas comandadas pelo general Tito, Jerusalém voltará a ser a cidade central em Israel e no mundo, no reinado milenar de Cristo.
2. Outros nomes e títulos. A cidade de Jerusalém recebeu diversos nomes, cada um deles em circunstância diferente e relacionada a fato isolado. Assim sendo, vamos relacionar alguns exemplos: a) Anel (Is 29.1); cidade de Davi (2 Sm 5.7); cidade de Deus (Sl 46.4); cidade de justiça, cidade fiel (Is 1.26); cidade de verdade (Zc 8.3); cidade do grande Rei (Sl48 .2; Mt 5.35); cidade santa (1s48.2; Mt 27.5 3); Sião (Sl 87.2); o Senhor está ali (Ez 48.35).

Essa cidade já foi destruída e reconstruída diversas vezes, especialmente devido às muitas guerras que já teve de sofrer. Duas dessas destruições são: a de Nabucodonosor, no ano 587 a.C.; e a do general romano Tito, no ano 70 d.C. A origem da cidade é do segundo milênio a.C.

3. Sua Importância. Jerusalém aparece na Bíblia e na História como “a cidade escolhida por Deus para ser a revelação do único e verdadeiro Deus, o centro do seu culto, de suas leis e revelação pessoal, com a missão de proclamá-lo a todo o mundo”.

II. AMANDO JERUSALÉM

1. Jerusalém no Antigo Testamento. Existem abundantes informações sobre a cidade de Jerusalém e muitas delas provocam em nós sensações de simpatia por ser uma histórica cidade. Alinhemos algumas referências:

• Seus montes no redor, representando a proteção de Deus aos seus filhos (SI 125.2);

• Foi conquistada pelo rei Davi, por isso foi chamada “cidade de Davi” (2 Sm 5.7).

• Davi edificou um altar numa eira comprada a Araúna (2 Sm 24.24,25);

• Salomão construiu o templo na eira que Davi comprara a Araúna (2Cr 3.1);

• A cidade foi várias vezes atacada por exércitos inimigos (1 Rs 14.25,26; 2 Rs 23.33);

• Foi destruída por Nabucodonosor (2 Rs 25.8-11).

2. Jerusalém nos Evangelhos. A vida terrena de Jesus se relaciona profundamente com a cidade de Jerusalém. Eis alguns dos enfoques dado. pelos Evangelhos: a) Jesus foi apresentado no templo (Lc 2.22); b) discutiu com os mestres, quando tinha doze anos (Lc 2.46,47); c) ainda em Jerusalém, Jesus entrou triunfalmente (Mt 21.1-11); d) Jesus chorou e profetizou sobre a cidade (Mt 23.37-39); e) foi em Jerusalém que Jesus proferiu o famoso sermão profético, registrado nos capítulos 24 e 25 de Mateus.
E nessa cidade aconteceram os fatos culminantes do seu ministério: sua paixão e morte na cruz do Calvário.

3. Lágrimas sobre Jerusalém. As lágrimas derramadas pelo Senhor Jesus sobre a cidade de Jerusalém e sua célebre lamentação (Mt 23.37; Lc 19.41) traduzem a sua sensibilidade, o seu amor e a sua presciência:

a. Sensibilidade de um Salvador rejeitado, conhecedor das profundas e marcantes necessidades espirituais da população da cidade, a qual reagiu com desprezo e frieza às suas mensagens de paz e perdão.

b. Amor divino que encarnava todo o seu ministério e sua personalidade e que se refletia em grossas lágrimas de compaixão por uma cidade, indiferente ao seu sacrifício.

c. Presciência que o levou a predizer o dia trágico em que a nação seria levada cativa, a casa ficaria deserta, tudo se reduziria a cinzas, saudade e luto. Tal foi o resultado de haver rejeitado o Messias, o Cristo de Deus, pois “veio para o que era seu e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Na cidade onde Ele terminou seu ministério, nós deveríamos começar o nosso; e dali o evangelho sairia para transformar a terra, mudando o rumo da história do mundo.

III. ENCHENDO JERUSALÉM

O livro de Atos dos Apóstolos, que alguém ousou dizer poder-se-ia chamar Atos do Espírito Santo ou Atos da Igreja, narra os passos primeiros da Igreja do Senhor Jesus aqui na terra. A Igreja começou em Jerusalém, e dali estendeu- se em seus primeiros anos a praticamente todo o mundo.

1. O dia de Pentecoste. Foi do agrado do Pai que o dia de Pentecoste ocorresse em Jerusalém, com o derramamento do Espírito Santo. Sem o dia de Pentecoste e a experiência nele havida, a Igreja seria uma religião fria, desanimada e inoperante, e após ele, a Igreja tomou-se poderosa, atuante e imbatível. A cidade que viu Jesus morrer, viu também, sua Igreja nascer, sob o poder do Espírito Santo, no dia de Pentecoste. Os discípulos haviam sido fiéis à exortação: “Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestido de poder” (Lc 24.49). A Igreja deveria começar o seu labor em Jerusalém, utilizando o potencial que ali o Senhor lhe dera. Ali descera o Espírito Santo, o consolador e condutor da Igreja. O Espírito veio para ficar, começando por Jerusalém, onde sua atuação desencadeou uma oposição tão violenta que os crentes tiveram de se dispersar (At 8.1).

2. A Igreja em Jerusalém. A Igreja começou a pregar o evangelho em Jerusalém, depois de dotada do poder do alto na experiência do dia de Pentecoste (At 2.1-4).
Também ali o Senhor começou a operar sinais e maravilhas por meio dos apóstolos (At 3.1-11). Sendo ameaçados pelas autoridades, declararam ser mais importante obedecer a Deus do que aos homens (At 4.19,20).
Com o poder do Espírito Santo e em nome do Senhor Jesus, os apóstolos continuavam curando enfermos, libertando oprimidos, ressuscitando mortos, dando vista aos cegos e abrindo os ouvidos dos surdos. As autoridades sabiam que esses homens andavam com Jesus e não podiam refutá-los, nem fazê-los ficar calados. O Senhor mandou, e eles começaram por Jerusalém.

3.O sentido espiritual e profético. A interpretação missiológica de “começar por Jerusalém” nos conduz a reflexões de rara sensibilidade. Jerusalém era o “lugar santo”. Nenhum lugar era melhor para começar! Em Atos 1.8, lemos de como Jesus determinou a expansão de sua Igreja na terra, mediante a pregação do evangelho por parte de testemunhas devidamente cheias de virtude (dunamis) do Espírito Santo.

O Senhor estabeleceu os parâmetros da ação missionária da Igreja, dispondo- a geograficamente em quatro pontos: Jerusalém - Judéia - Samaria - confins da terra. Confins da terra significa a ação mais distante do labor missionário. É a Igreja que se universaliza através da penetração em todas as áreas do planeta. São as missões estrangeiras. Samaria e Judéia lembram o dever de evangelizar a nação, nas regiões que nos circundam, as terras adjacentes à nossa. Podemos resumir: missões nacionais.

Começar por Jerusalém significa iniciar um grande movimento evangelístico e salvífico, tendo por ponto de partida o nosso lar, os nossos vizinhos, a nossa cidade; enfim o lugar onde estamos. A visão de um mundo perdido é a dilatação da visão de uma cidade perdida. Apaixonamo-nos por uma cidade quando começamos a nos apaixonar por nosso próprio lar. Antes de nos deslocarmos rumo a outros continentes, devemos atentar com diligência para a moeda porventura perdida dentro de nossa própria casa. Evangelismo doméstico é a base para todo o evangelismo restante. Pôr uma Bíblia na mão de nossos filhos, levá-los desde criancinhas à casa de Deus, dar um bom testemunho perante nossos vizinhos, levar pessoas amigas e colegas de trabalho para assistirem ao culto em nosso templo ou congregação - isto é começar por Jerusalém.

Que surja em nosso Brasil um movimento sério e sólido visando o despertamento da Igreja para evangelizar os lares. O texto áureo poderá ser tomado de Josué 24.15 ou Atos 16.31. Assim fazendo, a Igreja estará contribuindo para anular a operação do Maligno, que trabalha dia e noite para desmoronar os lares, tentando destruir a mais nobre das instituições de Deus na terra, o matrimônio, cujos laços, com base no amor, só podem ser desfeitas pela morte, “porque o amor é forte como a morte” (Ct 8.6) Os confins da terra nos esperam; Samaria e Judéia nos aguardam. Mas, comecemos por Jerusalém. Evitemos a proliferação de filhos pródigos, criando condições espirituais satisfatórias para nossas crianças, adolescentes e jovens. Vamos, todos, e vamos, agora, começar por Jerusalém.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lições bíblicas CPAD 1992

O SERMÃO DE PEDRO, APÓS O PENTECOSTE

O SERMÃO DE PEDRO, APÓS O PENTECOSTE

TEXTO ÁUREO = “Arrependei-vos, pois e convertei-vos. para que sejam apagados os vossos pecados e venham, assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19).

VERDADE PRÁTICA = A pregação que não menciona o nome de Jesus e nem tem consistência bíblica, será apenas um discurso social e não de Cristo.

LEITURA BÍBLICA - ATOS 3.11-26

INTRODUÇÃO

Esta é a segunda pregação de Pedro, a qual teve como ponto de partida a cura do coxo. A primeira foi como conseqüência da descida do Espírito Santo.

I. O ESPANTO DO POVO

1. Pregação no pórtico de Salomão. O coxo, ao ser curado, entendeu que agora devia fazer parte dessa nova família que despontava no horizonte. Reconheceu que recebera algo mais valioso que ouro e prata. “Apegou-se a Pedro e João”.
Isso não quer dizer que ele necessitasse de apoio físico, para se manter em pé, como afirmam alguns expositores da Bíblia, mas que se unira aos apóstolos.

2. Objetivo de Pedro. A cura do coxo foi um sinal que deixou o povo “atônito”, isto é, estupefato pela magnitude do milagre. O objetivo de Pedro, como o dos pregadores ao longo dos séculos, era trazer os pecadores a Cristo. A atenção do povo estava voltada para Pedro e João. Todos acabaram de testemunhar uma operação sobrenatural. Todos conheciam o coxo. Viam-no agora “saltando e louvando a Deus.” Estranho aquela comunidade não poder discernir a fonte desse poder.

II. ESTRATÉGIA DE PEDRO

1. “O Deus de Abraão...” (v.13). Essa estratégia também foi usada por Paulo. Os judeus se interessam quando se começa a falar de seus antepassados.
Mateus, no seu evangelho, usou também a mesma estratégia: “Livro das gerações de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mt 1.1).

O Cristianismo está intimamente ligado ao Judaísmo. O Deus que Pedro pregava era o mesmo dos judeus: “Deus de Abraão, e de Isaque, e de Jacó, o Deus de nossos pais”. Terminou com a ressurreição de Jesus, que é a coluna vertebral do Cristianismo (I Co 15.17-19); mostrando, assim, o seu poder e a sua glória, além de provar que Jesus é o Cristo (v. 26).

2. Fonte do milagre. Ninguém podia negar o milagre ocorrido. Quem operou tal milagre? O próprio Pedro, o instrumento para tal obra, afirma que foi Jesus.
O apóstolo declara também que este é o Filho do Deus, adorado pelo povo de Israel, o qual o glorificou, mostrando, assim, a natureza divina de Cristo. Ele chama Jesus de “o Santo... o Justo...” Essa declaração está em Isaías 53.11. Chama também de “o Príncipe da vida”. Expressão que só aparece aqui, em Atos 5. 31 e Hebreus 2.10; 12.2, que significa “autor da vida”, e fala da ressurreição de Cristo. Assim Pedro estava desfazendo o escândalo da cruz com a mensagem da ressurreição.

3. O Filho de Deus. O próprio Deus reconhecia ser Cristo seu Filho amado (Mt3.l7; 17.5). Os judeus recusam admitir que Jesus é Filho de Deus, como, da mesma forma, os muçulmanos. O apóstolo João afirma: “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus” (I Jo 4.15).

4. A gravidade do pecado. Nesse sermão Pedro mostrou o poder e a glória de Jesus, e ao mesmo tempo, era a prova de que o Espírito Santo operava naquelas vidas, pois, enquanto ele pregava, seus ouvintes se conscientizavam de sua culpa.

O pecado deles era quádruplo: a) “traístes” (v. 13 - ARA); b) “entregastes perante a face de Pilatos” (v. 13); c) “negastes o Santo e o Justo” (v.14); d) “matastes o Príncipe da vida” (v. 15).
Pilatos foi o procurador romano da Judéia entre 26 e 36 d.C.

5. O perdão. Longe de isentar o povo da responsabilidade da morte de Jesus, pois a multidão conhecia o princípio dos pecados por “ignorância” e voluntariedade, prescritos na lei de Moisés (Nm 15.27-30). O apóstolo agiu dessa maneira, para mostrar que Deus estava oferecendo o perdão, pois não quer que ninguém se perca (I Tm 2.4).

III. A SALVAÇÃO É PROCLAMADA

1. Arrependimento e conversão. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos” (v. 19). O arrependimento é um dos passos que leva o pecador a receber o perdão de seus pecados. A palavra hebraica, usada no Antigo Testamento, é nashuv, que significa “voltar”. Alguém descobre que está na direção errada, resolve voltar, procurando tomar o caminho correto.

Diz o apóstolo Pedro: “... e vos desviasse, a cada um, das vossas maldades” (v. 26). No Novo Testamento, o seu significado é mais profundo. A palavra grega metanoia vem de dois vocábulos metá, “passagem”, “mudança” e nous, que significa “mente”. E uma mudança radical do comportamento e da mente humana pelo poder do Espírito Santo.


2. “Tempos de refrigério”. Diz respeito à Dispensação da Graça ou do Espírito Santo. Aos que receberem o perdão dos pecados nessa Dispensação, o Espírito Santo trará o refrigério pela presença do Senhor. Isto é, consolo, derramamento do Espírito Santo, bênçãos espirituais e toda a sorte de milagres que os crentes em Jesus recebem. Isso tem acontecido na Igreja ao longo de sua história.

3. “Tempos da restauração de todas as coisas” (v. 21). Uma referência ao Milênio (Is 1-13). A palavra grega para “restauração” é apostatasis, que só aparece nessa passagem, no Novo Testamento. E interessante notar que a restauração de todas as coisas devia começar pelos filhos dos homens.

IV. APRESENTANDO PROVAS NO ANTIGO TESTAMENTO

1. O Profeta semelhante a Moisés (vv. 22, 23). O Antigo Testamento é o negativo da foto de Cristo que ainda faltava revelar. A vida de Jesus, juntamente com suas obras, estava prevista na lei de Moisés e nos profetas. Desde o seu nascimento até a sua ascensão ao Céu, estava tudo previsto nas Escrituras Sagradas. Pedro, nesse discurso e no do dia de Pentecoste, apresenta o perfil de Cristo no Antigo Testamento, provando assim que os últimos acontecimentos eram o cumprimento das Escrituras.

2. Os demais profetas também falaram de Cristo. A Bíblia hebraica constitui-se apenas do Antigo Testamento. Ela está dividida em três partes: Lei, Profetas e Escritos. “Escritos” são uma referência aos hagiógrafos, que quer dizer “escritos sagrados”.

Essa divisão já existia na época de Cristo (Lc 24.44), onde “Salmos” representa a categoria dos hagiógrafos. A expressão “todos os profetas” (v. 24) não significa todo o Antigo Testamento (isso acontece em outro lugar das Escrituras:
Atos 10.43, pois Pedro é específico, quando diz: “desde Samuel” (v. 24) e, além disso, anteriormente, fala de Moisés e depois volta a citá-lo: “Na tua descendência, serão benditas todas as famílias da terra” (v. 25), que é uma citação de Gênesis 12.3.

3. Profecias messiânicas cumpridas em Jesus. Os profetas falaram do Messias, principalmente, Isaías, que é reconhecido como o profeta messiânico. Vejamos algumas profecias:

Semente da mulher (Gn 3.15; Gl 4.4); descendente de Abraão, Isaque e Jacó (Gn 12.3; 17.19; 24.14; Lc 3.33, 34); descendente de Judá (Gn 49.10; Mt 1.2,3); nasceria de uma virgem (Is 7.14; Mt 1.18; Lc 1.34); em Belém de Judá (Mq 5.2; Mt 2.1-5; Lc 2.9-11); da linhagem de Davi (Jr 23.5,6; Mt 2.1); fugiria para o Egito (Os 11.1; Mt 1.16); as crianças de Belém seriam assassinadas (Jr 31.15; Mt 2.7); habitaria em Naftali, nos confins de Zebulom (Is 9.1-4; Mt 4.17); entraria triunfalmente em Jerusalém, montado em um jumento (Zc 9.9; Mt 21.1-11); seria traído por um amigo (Sl 41.9; Mt 26.14- 16); seria condenado pelos nossos pecados (Is 53.8-11; 1 Co 15.3); seria crucificado (Sl 22.1; Mt 19.17-19); ressuscitaria dentre os mortos (Sl 16.10; Mt 28.1-5); retornaria ao Céu (Sl 24; At 2.9- 11); seria Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110.4; Hb 5.5,6; 6.20; 7.15-17).

4. Jesus tinha consciência de sua identidade. O próprio Jesus declarou: “Convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Saimos” (Lc 24.44). Pedro procurava mostrar isso aos seus contemporâneos, para que ninguém pudesse duvidar da messianidade de Cristo.

V. LEMBRANDO O PACTO ABRAÂMICO

Pedro tomou a lembrar o pacto abraâmico e a ressaltar a ressurreição de Jesus (vv. 25,26). O pacto que Deus fez com Abraão envolvia a nação de Israel, pois a bênção diz respeito aos seus descendentes (Gn 13.14, 17; 15.18; 24.34,35), através de seu descendente. Essa promessa não era restrita à casa de Israel:
“Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Isso diz respeito ao Messias (Gn 3.16).

CONCLUSÃO

A pregação, sem mencionar a morte e a ressurreição de Cristo, está incompleta. Pedro começava suas pregações no nome de Jesus e concluía nesse mesmo nome. Isso também foi usado pelos demais apóstolos. Essas pregações de Pedro são o modelo das mensagens cristãs ao longo desses vinte séculos de Cristianismo.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lições bíblicas CPAD 1996

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A ascensão de Jesus

A ascensão de Jesus (1:6-11).


Embora demos a esta seção o título de “A ascensão”, duvida-se se o ato propriamente dito da ascensão é o aspecto central na história. Lucas se preocupa mais com aquilo que se disse do que com aquilo que aconteceu. A pergunta vital foi aquela que os discípulos fizeram: agora que Jesus foi ressuscitado dentre os mortos, Deus estava para completar Seu propósito mediante o estabelecimento definitivo do Seu domínio? A resposta dada tinha dois aspectos. O primeiro é que o tempo deste evento permaneceu sendo segredo de Deus; o que era mais importante era a tarefa imediata dos discípulos, que era a de agir como testemunhas de Jesus desde Jerusalém até aos confins da terra.


A difusão do domínio de Deus devia ser levada a efeito através dos discípulos, no poder do Espírito Santo. Era este o mandamento final que Jesus deu antes de deixar os discípulos. O segundo era que a partida de Jesus era interpretada como sendo o padrão da Sua volta final à terra para inaugurar o estabelecimento final do domínio de Deus. Estes versículos, portanto, definem o propósito de Deus e o papel da igreja dentro dele - Postulam que o período de testemunho e missão deve anteceder a volta de Jesus. Assim, eram efetivamente uma advertência aos discípulos no sentido de estes no esperarem para dentro em breve o desfecho da história. Para os leitores de Lucas, cerca de quarenta anos mais tarde, estes versículos eram uma lembrança da tarefa que devia prosseguir: o evangelho ainda precisa ser levado até aos confins da terra. Ao mesmo tempo, as palavras contêm uma nota de promessa, pois a partida de Jesus seria compensada pela vinda do Espírito, da parte do próprio Jesus (2:33).


Somente Lucas descreve a ascensão de Jesus como evento visível, embora o fato da ascensão seja solidamente atestado noutros lugares (1 Tm 3:16; 1 Pe 3:21-22), especialmente nas muitas passagens nas quais a ressurreição de Jesus é entendida, no simplesmente como a Sua volta dentre os mortos como também a Sua exaltação à destra de Deus (2:33-55). A historicidade da cena foi fortemente questionada pelos estudiosos que sustentam que Lucas criou uma representação dramática da verdade teológica da glorificação de Jesus. Há, naturalmente, dificuldades se interpretarmos a história de modo demais literal, tirando dela o conceito de um céu “lá em cima”, nalgum lugar no espaço.


A história é mais semelhante àquelas da criação do mundo ou da encarnação de Jesus ou da Sua ressurreição, nas quais os eventos que põem em justa posição a realidade transcendente de Deus e o mundo físico os quais, portanto, no podem ser plenamente descritos em termos e categorias que pertencem a este ultimo — se expressam de modo simbólico e pitoresco. O simbolismo da “ascensão” expressa o modo conforme o qual a presença física de Jesus partiu deste mundo, para depois ser substituída pela Sua presença espiritual. Dizer assim obviamente no é negar a realidade ou historicidade daquilo que aconteceu; é, sim, o reconhecimento de que aquilo que aconteceu fica além da descrição simples e literal.


É desta maneira que melhor se entende a história da ascensão de Jesus.
Lucas retrata uma nova cena, onde os discípulos retomam a referência ao reino de Deus no v. 3. A pergunta deles é se Jesus pretende restaurar o reino a Israel. Trata-se, talvez, de uma reflexão da esperança judaica de que Deus estabelecesse o Seu domínio de tal maneira que o povo de Israel ficasse livre dos seus inimigos (especialmente dos romanos) e fosse estabelecido como nação que subjugaria os demais povos. Se for assim, os discípulos apareceriam aqui como representantes daqueles leitores de Lucas que ainda não reconheceram que Jesus transformara a esperança judaica do reino de Deus, purgando dela os seus elementos políticos nacionalísticos.


Outra possibilidade é que os leitores talvez pensassem que “os tempos dos gentios”, durante os quais Jerusalém ficaria desolada, deveriam logo chegar ao fim, dando lugar à vinda do reino de Deus (Lc 21:24, 31); neste caso, haveria uma interpretação secundária da pergunta dos discípulos, em termos das expectativas dos leitores de Lucas. É menos provável que a pergunta realmente tem o sentido de indagar se a vinda do Espírito deve ser interpretada como sendo a restauração do reino. Pelo contrário, trata-se de uma pergunta acerca da proximidade do fim, que era bem natural no contexto dos aparecimentos do Jesus ressurreto: seria muito natural ficar pensando que estes talvez marcassem o início da ultima etapa no plano de Deus.


Não se dá qualquer resposta direta, porém — pelo menos no que diz respeito ao tempo. Em linguagem que relembra Marcos 13:32, Jesus declara com nitidez que a questão do tempo da atuação de Deus é do exclusivo domínio dEle, e não cabe aos homens participar do Seu conhecimento deste assunto. Visto que se trata de segredo de Deus, não há lugar para a especulação humana lição esta que deveria ficar sempre presente com aqueles que ainda procuram ansiosamente calcular o decurso provável dos eventos nos últimos dias. Os discípulos, ao invés de se entregarem aos pensamentos sonhadores ou à especulação apocalíptica, devem cumprir sua tarefa de serem testemunhas de Jesus.


O escopo da sua tarefa é de âmbito mundial. Começa com Jerusalém, a .Judéia e Samaria, e se estende até aos confins da terra. Embora alguns tenham pensado que esta expressão designa Roma, é muito mais provável que tenha um sentido mais lato; o fim de Atos não marca a completação da tarefa aqui proposta, trata-se apenas da conclusão da primeira fase.


Mesmo assim, no sentido geral, o programa aqui delineado corresponde à estrutura de Atos de modo global. Para esta tarefa, os discípulos recebem a promessa do poder do Espírito (Lc 24:49), promessa esta que primariamente se cumpriu no Pentecoste, e secundariamente se cumpriu em muitas outras ocasiões.



Estas palavras têm ênfase especial como palavras finais de Jesus antes da Sua partida; formam estreito paralelo com as Suas ultimas palavras registradas no Evangelho (Lc 24:4649), pouco antes de deixar Seus discípulos, e talvez devam ser entendidas como versão alternativa das mesmas (comparável com a maneira
de Lucas nos oferecer versões ligeiramente diferentes da conversação associada com a conversão de Paulo, nas três narrativas desta).


Imediatamente depois, Jesus foi elevado e uma nuvem o encobriu dos olhos dos discípulos. A função dos discípulos de testemunhas oculares da ascensão é sublinhada pela tríplice repetição deste pensamento neste versículo e no próximo. A nuvem é, ao mesmo tempo, o veículo que “recebe” (ARC) Jesus e O transporta para longe, e o sinal da glória celeste de Deus (cf. Lc 9:34-35; Ap 11:12). É, portanto, urna nuvem sobrenatural e simbólica.


Aqui temos o retrato dos discípulos que olhavam atentamente ao céu enquanto Jesus desaparece, detalhe este que sugere que anseiam pelo reaparecimento de Jesus ou por qualquer outro acontecimento que indicará que aquilo que viram não é o ato final no drama. A sua oração silenciosa é respondida, mediante o aparecimento de dois varões vestidos de branco.


A descrição é aquela dos anjos (Lc 24:4; At 10:30), que usam vestes brilhantes e reluzentes. A função deles é dar o comentário sobre aquilo que acontecera. Perguntam aos discípulos por que estão olhando para as alturas; a pergunta é urna repreensão implícita dirigida a eles por demorarem ali, ansiando pela continuada presença de Jesus com eles. Os discípulos já receberam a ordem quanto àquilo que devem fazer. Agora recebem a confirmação de que a ascensão de Jesus é uma garantia de que, assim como foi possível para Jesus subir ao céu, assim também será possível para Ele voltar da mesma maneira, i.é, sobre urna nuvem na parusia (Lc 21:27; Mc 14:62 cf. Dn 7:13). Desta forma, a promessa da parusia forma o fundo histórico da esperança, diante do qual os discípulos devem desempenhar seus papéis como testemunhas de Jesus. Em efeito, esta passagem corresponde à declaração de Jesus em Mc 13:10, de que o evangelho deve primeiramente ser pregado a todas as nações antes do fim poder vir.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Comentário Bíblico Atos – I. Howard Marshall