O Filho como o
Verbo de Deus
TEXTO ÁUREO
“E o Verbo se fez
carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do
Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo
1.14).
ENTENDA O TEXTO ÁUREO:
João 1.14 encontra-se no Prólogo do
Evangelho de João (1.1–18), considerado um dos textos cristológicos mais
elevados do Novo Testamento. O prólogo funciona como uma lente teológica
através da qual todo o Evangelho deve ser lido. João escreve para uma
comunidade cristã confrontada por: Tendências gnósticas incipientes, que
negavam a verdadeira humanidade de Cristo; Concepções judaicas que esperavam um
Messias político, mas não um Deus encarnado; Influência helenista, onde logos
era entendido como princípio racional impessoal. Contra essas visões, João
afirma: o Logos eterno não apenas veio ao mundo: Ele se fez carne.
O
Verbo se fez carne (καὶ ὁ λόγος σὰρξ ἐγένετο)
a) ὁ λόγος (ho lógos) O termo Logos
remete: À Palavra criadora de Deus (Gn
1; Sl 33.6); À sabedoria personificada (Pv
8); À revelação divina ativa e pessoal. João já afirmou nos versos
anteriores que o Logos: É eterno (1.1),
É distinto do Pai (πρὸς τὸν θεόν), É Deus (θεὸς ἦν ὁ λόγος). Logo, o Logos não
é um atributo divino, mas uma Pessoa divina.
b) σὰρξ ἐγένετο (sarx egeneto) O verbo
ἐγένετο (“tornou-se”) indica entrada real em uma nova condição, não mera
aparência. O termo sarx (“carne”) não significa apenas corpo físico, mas a
condição humana em sua fragilidade, limitação e historicidade. João não diz que
o Verbo assumiu um corpo, mas que se fez carne. Isso afirma: A verdadeira
humanidade de Cristo; A união hipostática: uma só Pessoa, duas naturezas, sem
confusão, divisão ou mistura. Contra o docetismo, João afirma: Deus sangrou,
sentiu fome, chorou e morreu.
E
habitou entre nós (καὶ ἐσκήνωσεν ἐν ἡμῖν): O verbo ἐσκήνωσεν
vem de σκηνή, tabernáculo. Essa expressão carrega profundo simbolismo
veterotestamentário: O tabernáculo era o lugar da presença manifesta de Deus (Êx 25.8); A glória de Deus enchia o
tabernáculo (Êx 40.34). João está
dizendo: Jesus é o novo Tabernáculo. Nele, Deus habita permanentemente com seu
povo. Não mais uma tenda temporária, mas uma presença encarnada e definitiva.
Vimos
a sua glória (καὶ ἐθεασάμεθα τὴν δόξαν αὐτοῦ): O verbo ἐθεασάμεθα
indica contemplação consciente e testemunhal, não uma visão superficial. A
glória aqui não é meramente esplendor visível, mas a manifestação do caráter
divino, percebida: Nos sinais (Jo 2.11),
Na autoridade de suas palavras, Sobretudo, na cruz (Jo 12.23; 17.1). Em João, a glória de Cristo culmina
paradoxalmente no Calvário.
Glória
como do Unigênito do Pai (δόξαν ὡς μονογενοῦς παρὰ πατρός)
a) μονογενοῦς (monogenēs): Não
significa “criado”, mas único em natureza, singular, incomparável. Jesus é: O
Filho eterno, De mesma essência (homoousios) com o Pai, Não adotado, mas gerado
eternamente. Essa glória não é delegada, é intrínseca.
Cheio
de graça e de verdade (πλήρης χάριτος καὶ ἀληθείας): Essa
expressão ecoa Êxodo 34.6: “Deus
compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade e fidelidade.” João
identifica em Jesus: A graça (χάρις): favor imerecido que salva; A verdade (ἀλήθεια):
revelação fiel de quem Deus é.
Cristo não apenas ensina a verdade; Ele é a
verdade.
Ele não apenas concede graça; Ele é a graça
encarnada.
João
1.14 ensina que: Deus entrou na história sem
perder sua divindade; A revelação máxima de Deus não é uma lei, mas uma Pessoa;
A glória divina se revela plenamente na humildade, no amor e na cruz; Em
Cristo, o transcendente se torna acessível. Cristologia correta gera adoração
verdadeira. Não adoramos um mestre moral, mas o Deus encarnado. A encarnação
santifica a vida comum. Deus não despreza o corpo, o trabalho, a dor e a
história. A Igreja é chamada a refletir graça e verdade Assim como Cristo veio
cheio de graça e verdade, a Igreja não pode escolher uma sem a outra.
VERDADE PRÁTICA
Jesus
Cristo, o Verbo eterno, é a revelação plena e visível de Deus ao mundo,
manifestando graça, verdade e a glória do Pai.
ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:
Jesus Cristo, o Verbo eterno que se
fez carne e tabernaculou entre nós, é a revelação definitiva e visível do Deus
invisível; n’Ele, a glória do Pai se manifesta de forma acessível, redentora e
transformadora, de modo que conhecer a Deus, experimentar Sua graça salvadora e
caminhar na verdade só é possível por meio da pessoa e da obra de Cristo.
LEITURA BÍBLICA = João 1.1-5,14.
Observação
editorial: os comentários abaixo não são citações
literais, mas sínteses teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras
citadas.
1 No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus.
Esses versículos constituem o prólogo
que apresenta vários dos temas mais importantes dos quais João tratará,
especialmente o tema principal de que "Jesus é o Cristo, o Filho de Deus''
(vs. 12-14; cf. 20.31). Várias
palavras-chave repetidas ao longo do Evangelho (p. ex., vida, luz, testemunho,
glória) aparecem aqui. O restante do Evangelho desenvolve o tema do prólogo no
sentido de como o “Verbo" eterno de Deus, Jesus, o Messias e o Filho de
Deus, se tornou carne e ministrou entre os seres humanos, para que todo aquele
que nele crer seja salvo.
Embora João tenha escrito o prólogo no
mais simples vocabulário do NT, as verdades que o mesmo transmite são as mais
profundas. Seis verdades básicas sobre Cristo como o Filho de Deus, são
tratadas no prólogo:
1) o Cristo eterno (vs. 1-3);
2) o Cristo encarnado (vs. 4-5);
3) o precursor de Cristo (vs. 6-8);
4) o Cristo não reconhecido (vs. 9-11);
5) o Cristo onipotente (vs. 12-13); e
6) o Cristo glorioso (vs. 14-18).
No
princípio. Em contraste com 1 Jo 1.1, onde João usa frase semelhante ("desde o
princípio") para referir-se ao ponto inicial do ministério de Jesus e da
pregação do evangelho, essa frase é paralela a Gn 1.1, onde a mesma é usada. João usou a frase no sentido absoluto
para referir-se ao princípio do tempo-espaço material do universo, era. O verbo
"ser" destaca a preexistência eterna do Verbo, ou seja, Jesus Cristo.
Antes que o universo tivesse princípio, a segunda pessoa da Trindade já
existia, ou seja, ele sempre foi (cf.
8.58).
Essa palavra é usada em contraste com
o verbo "foi feito" no v. 3, que indica um começo no tempo. Pelo fato
do tema de João ser Jesus Cristo é Deus eterno, a segunda pessoa da Trindade,
ele não incluiu uma genealogia, como fazem Mateus e Lucas. Conquanto cm termos
de sua humanidade Jesus teve uma genealogia humana, em termos de sua divindade,
ele não tem genealogia, o Verbo. João tomou emprestado o termo "Verbo"
do vocabulário do AT bem como da filosofia grega, na qual o termo era
essencialmente impessoal, significando o princípio racional da "razão
divina", "mente" ou mesmo "sabedoria".
João, porém, imbuiu o termo
inteiramente de significados do AT e cristão (p. ex., Gn 1.3, onde a palavra de Deus trouxe o mundo à existência; SI 33.6; 107.20; Pv 8.27, onde a
palavra de Deus é sua poderosa autoexpressão na criação, sabedoria, revelação e
salvação) e fez com que ele referisse a uma pessoa, ou seja, a Jesus Cristo. O
uso filosófico grego, portanto, não é o pano de fundo exclusivo do pensamento
de João. Estrategicamente, o termo "Verbo" serve como palavra-ponte
para alcançar não apenas judeus, mas também gregos não salvos. João escolheu
esse conceito porque tanto os judeus como os gregos estavam familiarizados como
o mesmo, o Verbo estava com Deus. O Verbo, a segunda pessoa da Trindade, estava
em íntima comunhão com Deus, o Pai, por toda a eternidade. No entanto, embora o
Verbo usufruísse de todo esplendor e eternidade com o Pai (Is 6.1-13; 12.41; 17.5), ele voluntariamente abriu mão de sua
posição celestial, assumindo forma humana, e sujeitando-se à morte na cruz (Fp
2.6-S).
Era
Deus. A construção grega enfatiza que o Verbo
tinha toda a essência ou todos os atributos da divindade, ou seja, Jesus, o
Messias, era plenamente Deus (cf. Cl
2.9). Mesmo na encarnação, quando se esvaziou, ele não deixou de ser Deus,
mas assumiu natureza e corpo genuinamente humanos e voluntariamente abstraiu-se
do exercício independente dos atributos da divindade.
2 Ele estava no princípio com Deus.
João
1.2 funciona como uma reiteração enfática do que
já foi afirmado em João 1.1, reforçando
a eternidade e a distinção pessoal do Verbo. οὗτος (houtos, “Ele”) retoma
diretamente o Logos, identificando-o como uma Pessoa, não um princípio
impessoal. ἦν (ēn, “estava”) está no imperfeito do verbo eimi, indicando
existência contínua no passado, sem ponto de início.
O Verbo não passou a existir; Ele já
existia. ἐν ἀρχῇ (en archē, “no princípio”) ecoa Gênesis 1.1, situando o Verbo antes da criação, fora do tempo
criado. πρὸς τὸν θεόν (pros ton Theon, “com Deus”) expressa relacionamento
pessoal íntimo e face a face, afirmando distinção sem separação entre o Verbo e
o Pai. João 1.2 afirma que o Verbo
eterno existia desde toda a eternidade em comunhão pessoal com Deus Pai,
confirmando que Jesus não é um ser criado nem subordinado, mas coeterno,
coigual e consubstancial com Deus, fundamento indispensável para a fé cristã e
para uma cristologia ortodoxa.
3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito
se fez.
Todas
as coisas foram feitas por intermédio dele. Jesus
Cristo foi agente do Pai envolvido na criação de todas as coisas no universo (Cl
1.16-17; Hb 1.2).
4 Nele, estava a vida e a vida era a luz dos
homens;
vida,.,
luz.,, trevas. João apresenta ao leitor os temas
contrastantes que ocorrem ao longo de todo o Evangelho. "Vida" e
"luz" são qualidades do Verbo, que não são apenas compartilhadas pelo
Pai (5.26), mas também por aqueles
que respondem à mensagem do evangelho de Jesus Cristo (8.12; 9.5; 10.28; 11.25; 14.5). João usa a palavra
"vida" c. 36 vezes no seu Evangelho, muito mais do que qualquer outro
livro do NT.
A palavra refere-se não apenas num
sentido amplo à vida física e material que o Filho concedeu ao mundo criado por
meio de seu envolvimento como agente da criação (v. 3), mas especialmente à
vida espiritual e eterna concedida como dom por meio da fé nele (3.15; 17.3; Ef 2.5).
Na Escritura, "luz" e
"trevas" são símbolos bastante conhecidos. Intelectualmente,
"luz" se refere à verdade bíblica e "trevas" se refere a
erro ou falsidade (cf. SI 119.105; Pv
6.23). Moralmente, "luz" se refere à santidade ou pureza (1 Jo 1.5) e "trevas” se refere ao
pecado ou à prática do mal (1.3.19;
12.35,46; Rm 13.11-14; 1Ts5.4-7;1Jo 1.6; 2.8-11). "Trevas"
assumem significado especial em relação a Satanás (e seus companheiros
demoníacos), que domina o presente mundo espiritual em trevas (1 Jo 5.19) como "o príncipe da
potestade do ar", promovendo trevas espirituais e rebelião contra Deus (Ef 2.2). João usa o termo
"trevas" 14 vezes (oito no Evangelho e seis em 1 João) do total de 17
ocorrências no NT, tornando o termo quase que exclusivamente uma palavra
joanina. Em João, "luz" e "vida" têm significado especial
em relação ao Senhor Jesus Cristo, o Verbo (v.
9; 9.5; 1 Jo 1.5-7; 5.12,20).
5 e a luz resplandece nas trevas, e as trevas
não a compreenderam.
Prevaleceram.
As "trevas" não são capazes de vencer ou conquistar a luz. Assim como
uma única lâmpada proporciona luminosidade a toda uma sala em trevas, do mesmo
modo também os poderes das trevas são vencidos pela pessoa e obra do Filho por
meio de sua morte na cruz (cf. 19.11a).
14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como
a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
O
Verbo se fez carne. Conquanto Cristo como Deus seja não
criado e eterno, a palavra "tornou-se" enfatiza Cristo assumindo a
humanidade (cf. Hb 1.1-3; 2.14-18). Esse
fato é certamente o mais profundo de todos porque indica que o infinito
tornou-se finito; o Eterno foi conformado ao tempo; o Invisível tornou-se
visível; o Ser sobrenatural reduziu-se ao natural. Na encarnação, entretanto, o
Verbo não deixou de ser Deus, mas tornou-se Deus em carne humana, ou seja,
plena divindade em forma humana como um homem (1Tm 3.1b).
Habitou.
Significa "fincar o tabernáculo" ou "morar numa tenda". O
termo lembra o tabernáculo do AT, onde Deus se encontrava com Israel antes do
templo ser construído (Êx 25.8).
Chamava-se "a tenda da congregação" (Êx 33.7; "tabernáculo do testemunho", Septuagirita),
onde "falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu
amigo'' (Êx 33.11). No NT. Deus
escolheu habitar entre o seu povo de uma maneira muito mais pessoal,
tornando-se homem. No AT, quando o tabernáculo foi concluído, a gloriosa
presença de Deus encheu toda a estrutura (Êx
40.34; cf. I Rs 8.10).
Quando o Verbo se tornou carne, a
gloriosa presença da divindade estava incorporada nele (cf. Cl 2.9). cheio de graça e de verdade. João provavelmente tinha
em mente Êx 33—34. Naquela ocasião,
Moisés pediu que Deus lhe mostrasse a sua glória. O Senhor respondeu a Moisés
que desfilaria toda a sua "bondade" perante ele, e, então,, enquanto
desfilava, ele declarou: "o SENHOR... compassivo, demente e longânimo e
grande em misericórdia e fidelidade" (Êx
33.18-19; 34.5-7).
Esses atributos da glória de Deus enfatizam
a bondade do caráter de Deus, especialmente em relação à salvação. Jesus como
Javé do AT (8.58; "Eu SOU") exibiu os mesmos
atributos divinos quando habitou entre os homens na era do NT (Cl 2.9). vimos a sua glória. Embora a
sua divindade estivesse oculta em carne humana, há traços de sua divina
majestade nos Evangelhos. Os discípulos viram relances de sua glória no monte
da transfiguração (Mt 17.1-8). A
referência à glória de Cristo, porém, não foi apenas visível, mas também
espiritual. Eles viram-no exibir os atributos ou características de Deus
(graça, bondade, misericórdia, sabedoria, verdade, etc.; cf. Êx 33.18-23).
Glória
como... do Pai. Jesus, na qualidade de Deus, exibiu a
mesma glória que a do Pai. Eles são um em natureza essencial (cr. 5.17-30; 8.19; 10.30). unigênito.
A palavra "unigênito" traz a ideia de "o único amado".
Portanto, expressa a ideia de peculiaridade singular, de ser amado como ninguém
outro. Por essa palavra, João enfatiza o caráter exclusivo do relacionamento
entre o Pai e o Filho na divindade (cf.
3.10,1 8; 1Jo 4.9). Não traz a conotação de origem, mas de proeminência
singular; por exemplo, foi usada para referir-se a Isaquc (Hb 11.17), que foi o segundo filho de Abraão (Ismael foi o
primeiro (Gn 16.1 5; 21.2-3).
INTRODUÇÃO
Como o Deus invisível pode ser
plenamente conhecido por homens finitos, limitados pelo tempo e pela matéria? A
resposta do cristianismo não é uma ideia, um sistema filosófico ou uma
experiência mística, mas uma Pessoa: o Verbo eterno que se fez carne.
O prólogo do Evangelho de João nos
conduz ao coração da fé cristã ao afirmar que, antes de qualquer coisa existir,
o Logos já era, já estava com Deus e já era Deus. Aqui não estamos diante de
poesia abstrata ou especulação teológica, mas de uma declaração solene sobre a
identidade de Jesus Cristo como o próprio Deus revelado. João escreve em um
contexto marcado por tensões teológicas profundas: de um lado, o pensamento
grego, que concebia o logos como um princípio racional impessoal; de outro,
correntes proto-gnósticas, que viam a matéria como inferior e negavam a
possibilidade de Deus assumir carne. Contra ambos, o apóstolo proclama uma
verdade escandalosa e gloriosa: o Logos não apenas é pessoal e divino, como
entrou na história, assumiu natureza humana e revelou visivelmente a glória do
Pai. O eterno entrou no tempo; o Criador se aproximou da criatura; o Deus
transcendente se fez imanente sem deixar de ser Deus.
Nesta lição, veremos que a encarnação
do Verbo não é um detalhe secundário da fé, mas o clímax da revelação divina.
João nos apresenta o Filho como Deus eterno, agente da criação, fonte da vida,
luz que vence as trevas e, sobretudo, a revelação plena e definitiva do Pai. Ao
longo do estudo, compreenderemos como a doutrina do Logos fundamenta a
cristologia bíblica, sustenta a fé trinitária e responde às heresias antigas e
modernas que tentam reduzir Jesus a um ser criado, um mestre moral ou um
intermediário espiritual. Assim, este texto nos convida a contemplar o mistério
central do Evangelho: em Cristo, Deus não apenas falou; Deus se mostrou.
Conhecer o Verbo é conhecer o Pai; rejeitar o Verbo é permanecer nas trevas.
Diante dessa revelação, somos chamados não apenas a compreender, mas a adorar,
confessar e proclamar que Jesus Cristo é o Verbo eterno, cheio de graça e de
verdade, a perfeita manifestação da glória de Deus entre nós.
I. O VERBO COMO DEUS ETERNO
1. O Verbo preexistente. Antes
de qualquer começo mensurável, antes do tempo, da matéria e da história, o
Evangelho de João nos conduz a uma afirmação que silencia toda pretensão humana
de definir Deus por categorias limitadas: “No princípio era o Verbo” (Jo 1.1, NVI). Essa frase não descreve
um ponto inicial, mas uma realidade eterna. João não diz que o Verbo passou a
existir, mas que Ele já era. O verbo grego ēn indica existência contínua. O
Logos não teve origem. Ele precede o princípio. Aqui somos levados diretamente
ao atributo da eternidade, exclusivo de Deus, e confessamos que o Filho não
pertence à ordem das coisas criadas, mas à própria vida divina. O prólogo
joanino, frequentemente chamado de Hino do Logos, possui estrutura poética e
teológica cuidadosamente construída. Como observam os comentários
histórico-culturais, trata-se de um cântico cristológico primitivo,
provavelmente usado na catequese e no culto da igreja apostólica.
Nele, João apresenta, em forma
condensada, toda a cristologia que será desdobrada ao longo do Evangelho. O
Logos não é um tema periférico. Ele é o fundamento de toda a revelação. O hino
começa na eternidade, atravessa a criação, entra na história pela encarnação e
culmina na revelação do Pai. Nada é acidental. Tudo é confessional. Ao empregar
o termo lógos, João dialoga com dois mundos sem se submeter a nenhum deles. No
pensamento grego, o logos era entendido como um princípio racional impessoal
que organizava o cosmos.
No judaísmo, a Palavra de Deus era
ativa, criadora e reveladora. João vai além de ambos. Ele afirma que o Logos é
pessoal, eterno e plenamente divino. Não é uma força. Não é um intermediário.
Não é uma emanação. É o próprio Filho Unigênito, que está com Deus e é Deus.
Assim, João corrige o racionalismo grego e confronta o dualismo gnóstico, que
rejeitava a união entre Deus e a matéria. Essa preexistência do Verbo não é uma
abstração teológica, mas uma verdade que percorre toda a Escritura.
Paulo afirma que “Ele é antes de todas
as coisas” (Cl 1.17, NVI). O autor
de Hebreus declara que por meio do Filho Deus fez o universo (Hb 1.2). O Verbo não entra em cena
apenas no Novo Testamento. Ele já atua no Antigo. Muitos estudiosos
pentecostais reconhecem que as manifestações do Anjo do SENHOR, que fala como
Deus, recebe adoração e exerce autoridade divina, apontam para teofanias do
Verbo pré-encarnado. Aquele que apareceu a Agar, a Abraão e a Moisés não era um
ser criado, mas a autoexpressão pessoal de Deus na história.
Quando João afirma que o Verbo estava
com Deus, ele utiliza a expressão pros ton Theón, indicando comunhão face a
face. Não se trata de proximidade funcional, mas de relacionamento eterno. O
Filho vive voltado para o Pai desde toda a eternidade. Aqui encontramos o
fundamento da doutrina trinitária. O Verbo é distinto do Pai, mas jamais
separado Dele. Essa relação eterna revela que Deus nunca foi solitário. Antes
da criação, já existia comunhão, amor e glória compartilhada. Isso transforma
nossa compreensão de Deus e também da vida cristã, que é chamada a refletir
essa comunhão.
A afirmação da preexistência do Verbo
também protege a fé da igreja contra erros antigos e modernos. Jesus não
começou em Belém. Ele não foi adotado como Filho. Ele não evoluiu para a
divindade. Ele é eternamente o que sempre foi. Negar essa verdade compromete o
Evangelho, a redenção e a adoração cristã. Somente um Salvador eterno pode
oferecer uma salvação eterna. Somente Aquele que é Deus pode revelar plenamente
Deus. Essa doutrina nos chama à reverência e à confiança. O Cristo que caminha
conosco na história é o mesmo que governa a eternidade. O Verbo que se fez
carne é o Deus que sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder.
Conhecê-lo não é apenas acumular
informação, mas render-se em adoração. Quem compreende que Jesus é o Verbo
eterno aprende a descansar, obedecer e viver com temor santo diante dAquele que
é, que era e que há de vir.
2.
O Verbo como pessoa distinta. Quando João declara que “o
Verbo estava com Deus” (Jo 1.1b, NVI),
ele nos conduz a um dos terrenos mais santos da revelação bíblica. A expressão
grega pros ton Theón não descreve mera proximidade espacial, mas comunhão viva,
pessoal e intencional. O termo pros sugere movimento em direção ao outro,
relação face a face, vida compartilhada. João afirma que, desde toda a
eternidade, o Verbo vive em perfeita comunhão com o Pai. Não se trata de
solidão divina, mas de relacionamento eterno. Antes de qualquer criatura
existir, já havia comunhão, amor e glória entre o Pai e o Filho.
Essa afirmação protege a igreja de um
erro recorrente na história cristã. O Verbo não é o próprio Pai sob outra
forma. Ele é distinto do Pai, embora da mesma essência. João sustenta a unidade
divina sem apagar a distinção pessoal. O monoteísmo bíblico permanece intacto,
conforme Deuteronômio 6.4, mas agora
é revelado de modo mais pleno. Há um só Deus, mas esse Deus subsiste
eternamente em comunhão. Pai, Filho e Espírito Santo não são manifestações
temporárias de uma única Pessoa, mas Pessoas reais, coexistentes e eternas. A
teologia trinitária nasce aqui, não de especulação filosófica, mas da revelação
do próprio Deus em Cristo.
Essa verdade transforma nossa fé e
nossa prática. Se o Verbo vive eternamente em comunhão com o Pai, então a
comunhão não é acessória à vida cristã. Ela é essencial. Fomos criados e
redimidos para participar dessa vida relacional de Deus. A oração, a adoração e
a vida comunitária não são deveres frios, mas respostas ao Deus que é relação
em sua própria essência. Conhecer o Filho é ser introduzido nessa comunhão
eterna. E viver em Cristo é aprender, dia após dia, a refletir na terra a
comunhão que sempre existiu no céu.
3.
O Verbo é da mesma essência do Pai. A afirmação “o Verbo era
Deus” (Jo 1.1c, NVI) é uma das
declarações cristológicas mais densas de toda a Escritura. João não suaviza sua
linguagem nem deixa margem para ambiguidades. Ele conduz o leitor ao coração do
mistério divino ao afirmar que o Logos não apenas estava com Deus, mas é Deus
em sua própria natureza. Aqui, o apóstolo nos chama a ir além da linguagem
comum e a contemplar a identidade do Filho à luz da revelação eterna. Não se
trata de função, cargo ou autoridade delegada, mas de essência. No texto grego,
João utiliza o termo Theós sem o artigo definido. Essa construção tem sido alvo
de distorções ao longo da história, especialmente por leituras que desconhecem
a gramática grega ou que se aproximam do texto com pressupostos teológicos
equivocados.
No
entanto, como bem observam os comentários pentecostais e históricos, a ausência
do artigo não indica inferioridade nem indefinição. Pelo contrário, ela
enfatiza a natureza do Verbo. João não diz o que o Verbo faz, mas quem Ele é. O
Logos possui plenamente a qualidade da divindade. Ele compartilha da mesma
natureza que o Pai, sem confusão de pessoas e sem divisão de essência. Essa
verdade é reafirmada ao longo do Evangelho. Quando Jesus declara “Eu e o Pai
somos um” (Jo 10.30, NVI), Ele não
está falando apenas de unidade de propósito, mas de unidade ontológica. Da
mesma forma, ao afirmar “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14.9, NVI), Jesus revela que nEle habita a plenitude da
divindade. Paulo ecoa essa verdade ao declarar que “nele habita corporalmente
toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9,
NVI).
A
igreja primitiva reconheceu que essa linguagem exige a confissão de que o Filho
é homoousios, da mesma substância do Pai. Essa não é uma formulação filosófica
tardia, mas uma conclusão fiel ao testemunho bíblico. Compreender que o Verbo é
da mesma essência do Pai também ilumina a doutrina da criação. João afirma que
todas as coisas foram feitas por meio dele (Jo
1.3).
A
criação é obra exclusiva de Deus. Logo, se o Verbo cria, Ele é Deus. Não há
gradação de divindade no Filho. Ele não é um Deus menor nem um ser exaltado.
Ele é eterno como o Pai, criador como o Pai, digno de adoração como o Pai. Essa
verdade sustenta toda a fé cristã e protege o Evangelho de reducionismos
perigosos. Essa confissão transforma nossa relação com Cristo. Quando oramos a
Jesus, não falamos com um intermediário distante, mas com o próprio Deus que se
fez próximo. Quando confiamos em sua obra redentora, descansamos na suficiência
de Deus em sua totalidade. O Verbo que nos salva é plenamente Deus. E
exatamente por isso Ele é plenamente capaz de nos sustentar, perdoar,
transformar e conduzir até o fim. Conhecer essa verdade não é apenas um
exercício intelectual. É um convite à adoração reverente e à confiança absoluta
naquele que é Deus conosco.
II. O VERBO
COMO CRIADOR
1. O agente
da criação. A Escritura inicia sua revelação
afirmando que “no princípio, criou Deus” (Gn
1.1, NVI). O verbo hebraico bārā não descreve um simples rearranjo de
matéria pré-existente, mas um ato soberano, exclusivo e livre de Deus. Criar,
no sentido bíblico, é trazer à existência aquilo que antes não existia. A fé
cristã confessa que o universo não é fruto do acaso nem de forças autônomas,
mas da vontade consciente do Criador. Hebreus afirma que “o universo foi
formado pela palavra de Deus” (Hb 11.3,
NVI). Desde o início, a criação está ligada à Palavra. Deus cria falando.
Deus cria revelando sua vontade.
É nesse ponto que o prólogo de João
aprofunda e ilumina a revelação do Antigo Testamento. Ao declarar que “todas as
coisas foram feitas por meio dele” (Jo 1.3, NVI), o apóstolo identifica o Verbo como o agente ativo da
criação. O texto grego é enfático e não admite exceções. Nada do que existe
veio à existência à parte do Logos. João não está acrescentando uma nova
doutrina, mas revelando quem sempre esteve por trás da obra criadora. O Deus
que cria em Gênesis é o mesmo que cria por meio do Filho. A criação, portanto,
já é uma obra trinitária em sua origem, ainda que essa verdade só seja
plenamente revelada no Novo Testamento. Essa afirmação tem profundo peso
cristológico.
A criação é uma obra que pertence
exclusivamente a Deus. Se o Verbo cria, então o Verbo é Deus. Paulo confirma
essa verdade ao afirmar que “nele foram criadas todas as coisas” e que “tudo
foi criado por ele e para ele” (Cl 1.16,
NVI). O Filho não é um instrumento passivo, mas o mediador soberano da
criação. Como observa a teologia pentecostal clássica, o Filho é o agente pelo
qual o Pai traz o universo à existência, e o Espírito é aquele que sustenta e
vivifica essa obra. Aqui não há divisão de glória, mas perfeita harmonia na
ação divina.
Essa doutrina corrige visões
reducionistas de Cristo e confronta qualquer tentativa de vê-lo apenas como
mestre moral ou líder espiritual. O Jesus que caminha pelas estradas da
Galileia é o mesmo que chamou os céus e a terra à existência. O Verbo que se
fez carne é o Criador que sustenta todas as coisas pela sua palavra. Essa
verdade amplia nossa compreensão da encarnação. O Criador não se afastou de sua
criação, mas entrou nela para redimi-la. Aquele que fez o mundo conhece
profundamente sua dor, sua queda e sua necessidade de restauração. Reconhecer o
Verbo como Criador transforma nossa forma de viver. Se tudo existe por meio
dele e para ele, então nossa vida também lhe pertence. Nada é neutro. Nada é
sem propósito. O Cristo que nos salva é o mesmo que nos criou. Isso gera
humildade, responsabilidade e esperança. Vivemos em um mundo sustentado pelo
Verbo. E caminhamos rumo à consumação conduzidos pelo mesmo Senhor que disse,
no princípio, “haja luz”, e que continua trazendo luz às trevas do coração
humano.
A
Questão do “Verbo” e a Suposta Lacuna entre Gênesis 1:1 e 1:2
Uma
Avaliação Bíblica, Cristológica e Doutrinária
Ao tratarmos do Verbo (Logos) como
revelação plena de Deus no Evangelho de João, somos inevitavelmente levados ao
tema da criação. João não começa seu Evangelho por acaso com as palavras: “No
princípio…” (ἐν ἀρχῇ – en archē), ecoando diretamente Gênesis 1:1. O apóstolo deseja deixar claro que o mesmo Verbo
eterno que se fez carne é o agente direto da criação, sem qualquer ruptura,
lacuna ou caos fora do controle soberano de Deus (Jo 1.1–3; Cl 1.16; Hb 1.2).
Entretanto, algumas correntes
interpretativas, como a trazida pela Bíblia
de Estudo Dake (CPAD) e o chamado Criacionismo da Lacuna (Gap Theory),
sugerem que entre Gênesis 1:1 e 1:2
ocorreu um longo período não descrito, marcado por uma primeira criação
perfeita, seguida pela queda de Lúcifer, que teria trazido juízo cósmico,
resultando no estado da terra como “sem forma e vazia” (tohu vabohu).
1. O que defende a Teoria da Lacuna?
De forma resumida, essa interpretação
propõe que:
Gênesis
1:1 descreve uma criação original perfeita;
Entre os versículos 1 e 2 teria ocorrido a queda de Lúcifer (cf. Is 14; Ez 28);
Gênesis
1:2 retrataria uma terra arruinada, em caos,
fruto de juízo divino;
Os seis dias seguintes seriam uma obra
de restauração, não de criação inicial.
Essa leitura foi popularizada no
século XIX, sobretudo para tentar conciliar o texto bíblico com teorias
geológicas antigas da Terra, e ganhou projeção no meio pentecostal brasileiro
por meio da Bíblia de Estudo Dake.
2. Problemas Exegéticos da Teoria da Lacuna
Apesar de sua difusão, essa posição
enfrenta sérias dificuldades bíblicas e teológicas:
a)
O texto hebraico não exige uma lacuna
O verbo hebraico הָיְתָה (hayetah) em Gênesis 1:2 é corretamente traduzido
como “era”, não “tornou-se”. A leitura natural do texto indica continuidade
narrativa, não ruptura:
“No princípio criou Deus os céus e a
terra. A terra era sem forma e vazia…”
Não há no texto qualquer marcador
gramatical que indique juízo, destruição ou reconstrução.
b)
“Sem forma e vazia” não significa juízo
A expressão tohu vabohu descreve
estado inicial não organizado, não um mundo destruído. O próprio texto mostra
que Deus organiza progressivamente aquilo que inicialmente não estava
estruturado. Trata-se de ordenação, não de restauração pós-juízo.
c)
O Novo Testamento rejeita qualquer caos fora da soberania do Verbo
João
afirma explicitamente:
“Todas as coisas foram feitas por
intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).
Não há espaço para uma criação
paralela, autônoma ou corrompida antes da obra do Logos. O Verbo não apenas
restaura; Ele origina e sustenta todas as coisas (Cl 1.16–17).
d)
A queda de Satanás não é colocada na criação material
Textos como Isaías 14 e Ezequiel 28 tratam, primariamente, de reis históricos,
usando linguagem simbólica e poética. A leitura que os transforma em narrativas
literais da queda de Lúcifer antes de Gênesis
1:2 é teologicamente especulativa e exegeticamente frágil.
3.
Cristologia do Verbo versus a Lacuna
A doutrina do Verbo encarnado nos
ensina que:
Cristo é o princípio absoluto da
criação;
Nele não há improviso, reparo ou
correção de falhas anteriores;
A criação não nasce do caos causado
por Satanás, mas da palavra soberana de Deus. “Disse Deus… e assim se fez.”
O Logos não reage ao caos, Ele governa
a criação desde o princípio.
Introduzir uma lacuna dominada por
forças caóticas enfraquece a cristologia joanina, pois desloca a centralidade
do Verbo como Senhor da história e da criação.
4.
Por que a CPAD suspendeu a publicação da Bíblia de Estudo Dake?
A
Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) decidiu suspender a publicação
da Bíblia de Estudo Dake no Brasil por razões doutrinárias e pastorais, entre
elas:
Posições teológicas controversas e não
consensuais, como:
A Teoria da Lacuna;
Especulações sobre anjos, demônios e
mundos pré-adâmicos;
Anotações excessivamente dogmáticas,
muitas vezes apresentadas como verdades bíblicas absolutas, quando são
interpretações particulares;
Risco de confusão doutrinária para
igrejas locais e alunos de EBD;
Desalinhamento com a doutrina oficial
histórica das Assembleias de Deus no Brasil, que adota uma leitura mais
cautelosa, cristocêntrica e bíblica da criação.
Importante destacar: a suspensão não
foi um ataque pessoal a Finis Jennings Dake, mas uma decisão editorial e
pastoral, visando preservar a clareza doutrinária e evitar especulações que
ultrapassam o texto bíblico.
5.
Síntese Teológica
À luz da Palavra-chave: VERBO,
aprendemos que:
O Logos é eterno, criador e soberano;
A criação não começa em ruína, mas em
propósito;
O caos inicial não é fruto da queda de
Lúcifer, mas o palco onde a Palavra de Deus manifesta ordem, vida e luz;
Em João, o Verbo não apenas cria o
mundo; Ele entra nele para redimi-lo.
Portanto, nossa fé não repousa em
lacunas especulativas, mas na certeza gloriosa de que: “O Verbo se fez carne e
habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1.14)
Ele é o princípio da criação, o centro
da revelação e o fim de todas as coisas.
2. A fonte
da vida. Quando João afirma que “nele estava a vida” (Jo 1.4a, NVI), ele não está
descrevendo apenas um atributo de Jesus, mas revelando Sua identidade divina. O
termo grego usado para vida é zōē, que em João nunca se limita à existência
biológica, mas aponta para a vida que procede de Deus, plena, eterna e
qualitativamente superior. O Verbo não apenas comunica vida. Ele é a própria
fonte dela. Toda vida criada encontra sua origem nele, e toda vida redentora
flui dele. João conduz o leitor a compreender que não existe vida fora do
Logos, nem no plano natural nem no espiritual.
Essa afirmação carrega um peso
cristológico profundo. João ensina que a vida não é algo que o Verbo recebeu
posteriormente, mas algo que sempre esteve nele. A construção do texto indica
permanência e essência, não concessão temporária. Isso ecoa o testemunho de Atos 17.25, onde Deus é descrito como
aquele que não depende de nada para existir. A autossuficiência da vida no
Verbo revela um atributo exclusivo da divindade. Criaturas vivem por dependência.
O Filho vive por essência. Aqui João rompe com qualquer tentativa de reduzir
Jesus a um ser criado ou subordinado ontologicamente ao Pai.
Essa verdade é explicitada em João
5.26, quando Jesus declara que o Pai concedeu ao Filho “ter vida em si mesmo”.
A expressão não indica origem temporal, mas comunhão eterna. O Pai não cria a
vida do Filho. Ele compartilha a mesma vida. Trata-se da aseidade divina
participada pelo Filho, uma doutrina central para a fé trinitária. O Verbo
possui a mesma substância do Pai, como o próprio João reafirma em outros
textos. Quem vê o Filho vê o Pai. Quem recebe o Filho recebe a vida que sempre
existiu em Deus. Do ponto de vista pastoral, essa doutrina confronta uma fé
superficial que busca vida em fontes secundárias. João afirma que a vida eterna
não é um conceito, nem uma recompensa futura isolada do presente. Ela está em
uma Pessoa. “Quem crê no Filho tem a vida eterna” (Jo 3.36, NVI).
Não se trata apenas de duração
infinita, mas de comunhão restaurada. Fora do Verbo, o ser humano pode até
existir, mas permanece espiritualmente morto. A vida verdadeira começa quando
somos unidos a Cristo pela fé. Para a vida cristã diária, essa verdade nos
chama a um realinhamento profundo.
Muitos crentes conhecem doutrinas, frequentam
cultos e cumprem disciplinas, mas continuam espiritualmente esgotados porque se
desconectaram da fonte. João nos lembra que toda vitalidade espiritual flui da
comunhão viva com o Verbo. Permanecer nele não é um detalhe devocional, é uma
necessidade vital. Onde o Verbo governa, a vida floresce. Onde Ele é
negligenciado, até a fé se torna estéril.
3. A luz
dos homens. João afirma que “a vida era a luz dos
homens” (Jo 1.4b, NVI), unindo dois
temas inseparáveis em seu Evangelho. Vida e luz não são conceitos abstratos,
mas realidades pessoais reveladas no Verbo. A luz aqui não é mera iluminação
intelectual, mas revelação salvadora. No Antigo Testamento, a luz está
associada à própria presença de Deus, à Sua santidade e à Sua ação redentora.
Quando João declara que essa vida se tornou luz para os homens, ele está
dizendo que o próprio Deus se deu a conhecer em Cristo. A luz não surge do
homem em busca de Deus, mas de Deus vindo ao encontro do homem perdido.
Ao afirmar que “a luz resplandece nas
trevas” (Jo 1.5), João descreve um
conflito espiritual real. O verbo grego phaínō indica brilho contínuo,
persistente, que não se apaga. As trevas representam o estado espiritual da
humanidade caída, marcada pelo pecado, ignorância e rebelião. João então
utiliza o verbo katalambánō, que pode significar compreender, dominar ou
sufocar. A afirmação é poderosa. As trevas não conseguem entender plenamente a
luz, nem dominá-la, nem apagá-la. O mal não é um rival equivalente. Ele é
parasita, derrotado desde o início pela presença ativa do Verbo. Isso corrige
leituras dualistas e reafirma a soberania absoluta de Cristo sobre a criação e
sobre a história.
Quando João identifica Jesus como “a
luz verdadeira” (Jo 1.9) e o próprio
Cristo declara “Eu sou a luz do mundo” (Jo
8.12), somos confrontados pastoralmente. A luz não apenas consola, ela
expõe. Ela revela o pecado, desmascara ilusões religiosas e chama à conversão.
Muitos preferem as trevas porque elas
escondem, mas a luz cura porque revela. Caminhar na luz é submeter-se diariamente
ao governo do Verbo, permitindo que Ele ilumine motivações, escolhas e afetos.
Onde Cristo governa, as trevas recuam. Onde Ele é acolhido, a vida floresce. A
pergunta que permanece não é se a luz venceu, pois ela já venceu, mas se
estamos dispostos a sair das sombras e viver plenamente diante dela.
III. O
VERBO COMO REVELAÇÃO DO PAI
1. A
encarnação do Verbo. A declaração de João “o Verbo se fez
carne e habitou entre nós” (Jo 1.14a,
NVI) é uma das afirmações mais densas de toda a Escritura. Aqui não estamos
diante de uma metáfora poética, mas de um acontecimento histórico e redentor. O
Verbo eterno, que estava com Deus e era Deus, entrou plenamente na condição
humana. A expressão “se fez carne” aponta para a realidade concreta da
encarnação. Sárx não descreve apenas corpo físico, mas a totalidade da
existência humana, frágil, limitada e sujeita ao sofrimento. O Filho não apenas
visitou a humanidade, Ele a assumiu. Sem deixar de ser Deus, tornou-se
verdadeiramente homem, inaugurando o mistério central da fé cristã.
João afirma que o Verbo “habitou”
entre nós, usando o verbo grego eskēnōsen, literalmente armou sua tenda. Essa
escolha vocabular é profundamente teológica. Remete ao Tabernáculo do deserto,
onde a glória de Deus se manifestava no meio de Israel. Assim como a shekinah
enchia a tenda, agora a presença divina se manifesta de forma plena na pessoa
de Cristo. Não se trata mais de um lugar sagrado, mas de uma pessoa. Jesus é o
novo e definitivo Tabernáculo. Nele, Deus não apenas se aproxima, mas se torna
acessível, visível e relacional. A encarnação redefine completamente a maneira
como conhecemos a Deus. João acrescenta “e vimos a sua glória”. A glória não
foi percebida por sinais externos de poder político ou militar, mas revelada em
graça, verdade e obediência ao Pai. Essa glória culmina na cruz, onde a
fraqueza aparente revela a sabedoria e o amor de Deus. Em Cristo, a glória
divina não elimina a humanidade, mas se expressa por meio dela. Paulo ecoa essa
verdade ao afirmar que “em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da
divindade” (Cl 2.9, NVI). Não há
fragmentação. Não há divisão. A revelação é plena e suficiente.
Essa afirmação conduz à doutrina da
união hipostática. O Filho possui duas naturezas distintas, divina e humana,
unidas em uma única pessoa, sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem
separação. Essa verdade não é fruto de especulação filosófica, mas nasce da
leitura fiel das Escrituras.
Filipenses
2.6–8 mostra que o esvaziamento do Filho não foi
abandono da divindade, mas renúncia voluntária de prerrogativas. Ele assumiu a
forma de servo para revelar o coração do Pai. Aqui aprendemos que a verdadeira
revelação de Deus é marcada por humildade e entrega. É nesse contexto que surge
a discussão histórica sobre o título Theotokos, que significa aquela que dá
Deus à luz. O termo foi amplamente debatido no Concílio de Éfeso, em 431 d.C.,
quando a Igreja enfrentou o ensino de Nestório, que separava excessivamente as
naturezas de Cristo.
Ao afirmar Maria como Theotokos, a
Igreja não exaltou Maria acima do que as Escrituras permitem, mas protegeu uma
verdade cristológica essencial. Aquele que nasceu dela não era apenas um homem
no qual Deus habitou, mas o próprio Filho eterno encarnado. Negar o título,
naquele contexto, significava enfraquecer a unidade da pessoa de Cristo.
O Concílio de Éfeso foi, portanto, uma
resposta pastoral e doutrinária. Ele reafirmou que Jesus Cristo é uma única
pessoa divina, plenamente Deus e plenamente homem desde a encarnação. A ênfase
não estava em Maria, mas na identidade de Cristo. Essa definição preserva o
ensino bíblico de que Deus realmente entrou na história humana. Para a tradição
pentecostal e reformada continuísta, essa confissão não é um apego a
terminologias antigas, mas um compromisso com a fidelidade bíblica e com a
centralidade de Cristo como único mediador. João conclui essa seção apontando
que o Verbo é a revelação final do Pai. Hebreus afirma que Deus falou de muitas
maneiras no passado, mas agora falou pelo Filho (Hb 1.1–2).
Isso significa que não buscamos
revelações paralelas ou superiores. Toda revelação autêntica do Espírito nos
conduz ao Cristo encarnado, crucificado e glorificado. O Espírito não cria um
novo Cristo, Ele ilumina o Cristo revelado. Aqui encontramos equilíbrio
teológico e maturidade espiritual. A encarnação nos confronta e nos consola.
Confronta, porque não podemos conhecer a Deus à nossa maneira. Ele se revelou
como quis, em Cristo. Consola, porque esse Cristo conhece nossas dores, limites
e tentações. Ele não observa a humanidade à distância. Ele caminhou entre nós.
Sofreu. Chorou. Obedeceu. Redimiu. Seguir o Verbo encarnado é aprender a viver
uma fé encarnada, que ama pessoas reais, enfrenta o sofrimento com esperança e
revela o Pai por meio de uma vida transformada.
2. A
plenitude da graça e da verdade. João
afirma que contemplou “a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de
verdade” (Jo 1.14b, NVI). Essa não é
uma percepção mística distante, mas o testemunho de quem caminhou com Cristo,
ouviu Suas palavras e viu Sua vida de perto. A palavra grega dóxa aponta para
peso, valor e manifestação visível da presença divina. No Antigo Testamento,
essa glória se revelava de forma localizada e momentânea, como na shekinah que
enchia o Tabernáculo e o Templo. Em Cristo, porém, a glória não visita um
espaço sagrado. Ela habita permanentemente em uma pessoa. A revelação deixa de
ser episódica e torna-se relacional.
Essa glória é a do “Unigênito do Pai”.
O termo grego monogenḗs não descreve apenas alguém gerado no tempo, mas único
em sua categoria, singular em essência e relação. João está afirmando que a
glória vista em Jesus é a mesma glória que procede eternamente do Pai. Não há
distância entre o que Deus é e o que Cristo revela.
Quem vê o Filho vê o Pai. Aqui a
cristologia joanina atinge seu centro. A revelação não é fragmentada, nem
progressiva em Cristo. Ela é plena, final e suficiente.
João então nos mostra o conteúdo dessa
glória. Ela é “cheia de graça e de verdade”. Essas duas realidades não competem
entre si. Elas caminham juntas. A graça sem verdade se torna permissividade. A
verdade sem graça se transforma em condenação. Em Jesus, ambas se encontram de
forma perfeita. A palavra cháris aponta para o favor imerecido de Deus, que
alcança o pecador e o restaura. Já alḗtheia expressa aquilo que é firme,
confiável e revelador da realidade divina. Cristo não apenas comunica verdades
sobre Deus. Ele é a própria verdade encarnada (Jo 14.6).
João faz um contraste cuidadoso com a
Lei dada por meio de Moisés (Jo 1.17).
A Lei foi santa, justa e necessária, mas limitada em sua função. Ela revelou o
pecado, mas não tinha poder para transformá-lo. Em Cristo, a graça não
substitui a verdade da Lei, mas a cumpre e a supera. A graça agora não é apenas
um conceito teológico, mas uma pessoa viva que perdoa, regenera e sustenta.
Como ensinam os comentaristas pentecostais, essa graça não é estática. Ela
continua fluindo do Verbo encarnado para a Igreja pelo agir do Espírito.
Pastoralmente, essa verdade nos chama
a uma fé madura e equilibrada. Muitos desejam a glória, mas rejeitam a verdade
que confronta. Outros defendem a verdade, mas se esquecem da graça que acolhe e
restaura. Em Cristo, aprendemos que a verdadeira espiritualidade nasce do
encontro com o Verbo cheio de graça e de verdade. Segui-Lo é permitir que Sua
graça nos cure e que Sua verdade nos transforme diariamente. É viver uma fé que
não mascara o pecado, mas também não nega a possibilidade real de redenção.
3. O
revelador do Deus invisível. O
prólogo de João alcança seu ponto mais elevado quando afirma: “Deus nunca foi
visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez
conhecer” (Jo 1.18, NVI). Aqui não
há apenas uma conclusão literária, mas uma declaração teológica definitiva.
João começa falando do Verbo eterno e termina afirmando que esse Verbo é o
único intérprete autorizado de Deus. O Deus invisível, inacessível aos sentidos
humanos e inalcançável por esforço religioso, decidiu dar-se a conhecer. E o
fez não por conceitos, símbolos ou visões fragmentadas, mas por meio de uma
pessoa viva. A afirmação “Deus nunca foi visto” não contradiz as teofanias do
Antigo Testamento. Moisés viu a glória pelas costas. Isaías contemplou o Senhor
em visão. Contudo, ninguém jamais percebeu a essência plena de Deus. A
Escritura é clara ao afirmar que Deus habita em luz inacessível (1Tm 6.16). João nos conduz além dessas
experiências parciais. Ele afirma que aquilo que sempre esteve oculto agora foi
revelado de forma plena e definitiva no Filho.
Não se trata de mais uma revelação.
Trata-se da revelação final. O texto grego é teologicamente denso. Algumas
testemunhas manuscritas trazem a expressão monogenḗs theós, literalmente “Deus
unigênito”. Longe de enfraquecer a divindade de Cristo, essa leitura a
aprofunda. João não está dizendo que o Filho é um deus menor, mas que Ele é o
Deus único revelado em relação filial.
Monogenḗs não descreve origem
temporal, mas singularidade de essência e relação. O Filho é Deus em sua plena
natureza, distinto do Pai quanto à pessoa, mas da mesma substância. Aqui está a
base joanina para aquilo que a Igreja mais tarde chamaria de
consubstancialidade. João acrescenta que esse Filho “está no seio do Pai”. A
expressão grega eis ton kólpon tou Patrós comunica intimidade contínua,
comunhão eterna, proximidade sem ruptura. Não se trata apenas de um estado
passado, mas de uma realidade permanente. Mesmo encarnado, o Filho jamais
deixou de estar em perfeita comunhão com o Pai. Isso significa que tudo o que
Jesus disse, fez e revelou brota dessa intimidade eterna. Ele não fala sobre
Deus por observação externa. Ele fala de dentro da comunhão divina. O verbo
final é decisivo. João afirma que o Filho “o fez conhecer”. O termo grego
exēgésato é a raiz da palavra exegese. O Filho é o exegeta do Pai. Ele
interpreta Deus para a humanidade. Isso significa que não há conhecimento
verdadeiro de Deus fora de Cristo. Toda tentativa de compreender o Pai sem o
Filho resulta em distorção, projeção ou idolatria. Em Jesus, Deus não apenas
fala. Ele se explica, se revela e se entrega.
Essa verdade confronta tanto o
intelectualismo religioso quanto o misticismo sem Cristo. Não conhecemos Deus
por especulação filosófica, nem por experiências espirituais desconectadas do
Verbo. Conhecemos o Pai olhando para o Filho, ouvindo Suas palavras e
obedecendo Seu caminho. Como ensinam os comentaristas pentecostais, essa
revelação não é apenas informativa, mas transformadora. Conhecer a Deus em
Cristo é ser chamado à comunhão, à santidade e à vida no Espírito. João 1.18 nos chama a uma fé centrada
em Cristo. Muitos falam sobre Deus, mas poucos se deixam revelar por Ele. Quem
se aproxima do Filho não encontra um Deus distante, mas um Pai que se deixa
conhecer. Seguir Jesus é aprender a viver à luz dessa revelação diária. É
abandonar imagens distorcidas de Deus e permitir que o Verbo revele quem o Pai
realmente é. Misericordioso, santo, fiel e próximo. Em Cristo, o invisível se
fez conhecido. E isso muda tudo.
CONCLUSÃO
O Evangelho de João apresenta Jesus
Cristo como o Deus unigênito (monogenḗs Theós, Jo 1.18), aquele que procede eternamente do Pai e que O revela de
maneira plena, final e definitiva. Não se trata apenas de uma revelação parcial
ou progressiva, como ocorreu por meio dos profetas, mas da auto-revelação
pessoal de Deus na história.
Em Cristo, Deus não apenas fala; Deus
se dá a conhecer em Pessoa. Tudo o que o Pai é em sua natureza, caráter e
propósito redentor se manifesta no Filho. A glória, a graça e a verdade de Deus
encontram em Jesus sua expressão máxima. João afirma que o Verbo “se fez carne
e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória” (Jo 1.14). A palavra glória (dóxa) não
aponta para brilho externo apenas, mas para o peso da presença divina, aquilo
que no Antigo Testamento se manifestava no tabernáculo e no templo.
Agora, essa glória não habita em
tendas feitas por mãos humanas, mas na própria humanidade do Filho. A
encarnação, portanto, é o clímax da revelação divina: Deus se aproxima, assume
nossa condição e caminha entre nós. A encarnação do Verbo não é apenas uma
doutrina essencial da fé cristã; ela é o coração do evangelho. Negá-la é
esvaziar a própria identidade cristã. O Deus que se faz carne não apenas revela
o Pai, mas torna possível a reconciliação entre Deus e os homens. Em Cristo,
vemos a santidade que confronta o pecado, a graça que acolhe o pecador e a
verdade que liberta. Ele não apenas ensina sobre Deus; Ele é Deus conosco
(Emmanuel), a imagem visível do Deus invisível (Cl 1.15). Essa verdade tem implicações profundamente pastorais e
missionais. Se conhecer a Cristo é conhecer o próprio Deus (Jo 14.9), então a fé cristã não se baseia em conceitos abstratos,
mas em um relacionamento vivo com o Filho. Adorar a Cristo é adorar o Pai;
ouvir a Cristo é ouvir o Pai; obedecer a Cristo é submeter-se à vontade do Pai.
Não há outro caminho para o conhecimento de Deus senão por meio do Verbo
encarnado.
Por isso, a igreja é chamada não
apenas a crer nessa verdade, mas a proclamá-la. Tornar Cristo conhecido é
tornar a glória do Pai conhecida no mundo. Em um contexto de pluralismo
religioso e relativização da verdade, afirmar que Jesus é a perfeita revelação
do Pai não é arrogância teológica, mas fidelidade ao testemunho bíblico. A
missão da igreja é anunciar, com palavras e vida, que em Jesus Cristo Deus se
revelou, se aproximou e ofereceu salvação. Conhecer o Filho é entrar na vida
eterna; proclamá-Lo é participar do propósito eterno de Deus para a humanidade.
Considerando a Lição 6, que se
estrutura em três grandes tópicos cristológicos (o Verbo eterno, o Verbo
revelador/criador e o Verbo encarnado), seguem três aplicações práticas, uma
para cada tópico, bíblico e aplicável à vida cristã e à EBD.
1.
Submissão à soberania de Cristo: Se o Verbo já
existia “no princípio”, então Cristo não entra na nossa história para nos servir,
mas nós entramos na história dEle para servi-Lo. Isso confronta a fé
utilitarista. O crente é chamado a viver sob o senhorio de Cristo em todas as
áreas da vida: decisões, planos, ministério e relacionamentos.
2.
Valorização da Palavra escrita. Se o Verbo é o
meio pelo qual Deus cria e revela, então desprezar a Palavra é desprezar o
próprio Cristo. O crente é chamado a cultivar disciplina bíblica diária,
leitura reverente e estudo sério das Escrituras.
3.
Fé relacional, não apenas intelectual: Se o Verbo se fez
carne, então o cristianismo não é apenas doutrina correta, mas relacionamento
vivo com Cristo. O crente é chamado a caminhar com Jesus diariamente em oração,
dependência e obediência.
Crer que Jesus é o Verbo eterno,
revelador e encarnado não é apenas afirmar uma verdade teológica, mas viver uma
fé transformada por essa verdade. Ele governa nossa história, ilumina nosso
entendimento e caminha conosco. Conhecer o Verbo é conhecer a Deus; segui-Lo é
viver para a glória do Pai.
AMEM
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