domingo, 20 de maio de 2012

O JULGAMENTO FINAL O DESTINO DA RAÇA HUMANA


O JULGAMENTO FINAL

O DESTINO DA RAÇA HUMANA

No final desta vida, o que nos acontecerá? Eis uma das perguntas mais importantes que alguém pode fazer. Quão maravilhoso é saber que o Livro dos livros supre-nos com as informações necessárias acerca de nossa existência na eternidade. Assim, não carecemos andar ansiosos nem frustrados quanto ao nosso destino. Embora não tenhamos todos os detalhes acerca de nossa vida ao lado de Cristo, há luz
Suficiente para não andarmos em trevas.

Que acontece por ocasião da morte? Ela é a separação entre o corpo e alma (Jo 1.11,13; 2 Co 5.1-9). E o salário do pecado (Rm 6.23; 5.12). E a manifestação final do pecado (1 Co 15.26). No entanto, Cristo venceu a morte, anulando suas conseqüências através de seu triunfo na cruz (2 Tm 1.10). Apesar de lhe estarmos ainda sujeitos, ela já não tem mais poder sobre nós, Os que morreram em sua impiedade, porém, terão de enfrentar igualmente a segunda morte - a eterna separação de Deus (Ap 20.14).

Na vida futura, o ser humano não mais estará sujeito ao aniquilamento (Rm 2.7; 1 Co 15.53,54). Em nosso caso, mesmo que a imortalidade seja uma condição além-túmulo, a vida eterna, a vida de Cristo em nós, já é um usufruto dessa bem-aventurada eternidade. Através do Espírito Santo, recebemos a primeira prestação de nossa herança: fomos selados e aceitos por Deus como seus filhos. Sim, o Cristo ressurreto vive dentro de nós (01 2.20 e Ef 1.13,14).

Entre a morte e a ressurreição do corpo, há o estado intermediário. Para alguns teólogos, essa etapa nada mais representa do que o sono da morte: a pessoa morre e a alma simplesmente deixa de existir, até que seja novamente chamada à existência por ocasião da ressurreição do corpo. A Bíblia, no entanto, deixa bem claro que, no além-túmulo, há vida consciente. Quando Moisés e Elias apareceram com Jesus, no monte da Transfiguração, ambos continuavam sendo Moisés e Elias (não se haviam reencarnado em nenhuma outra pessoa). Além do mais, sabiam o que estava prestes a acontecer (Lc 9.28-31). A narrativa do rico e Lázaro salienta a mesma doutrina (Lc 16.19-31), E, no Calvário, Jesus promete ao ladrão moribundo: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.43). O apóstolo Paulo, ao se referir à morte, indicou que o morrer significa apresentar-se imediatamente ao Senhor (Fp 1.21- 24).

O significado do termo hebraico she’ol já foi exaustivamente debatido. Para alguns significa sepulcro; para outros, é o período intermediário que vai da morte à ressurreição. E, para outros, ainda, significa tanto o sepulcro como o estado intermediário. Tendo em vista as diversas interpretações, precisamos tomar muito cuidado com o contexto no qual vem inserido este vocábulo. Em Salmos 9.17 e Provérbios 15.24, por exemplo, o destino dos ímpios é contrastado com o dos justos.

Visto ter Jacó falado em ir ao seol, onde supostamente já se achava seu filho José (Gn 37.35), alguns rabinos sugeriram que lá deveria haver dois compartimentos separados por um palmo, ou mesmo por u dedo. Entretanto, como Jacó “recusou ser consolado” (Gn 37.35), é possível também que ele fosse levado a pensar fosse o seol o julgamento divino tanto para si quanto para José.
No entanto, Lucas 16.26 declara que há um espaço intransponível entre as chamas do hades e o lugar onde Abraão e Lázaro se encontravam.

No Novo Testamento, a palavra grega hades veio para substituir o vocábulo hebraico she’oI. Hades é sempre um lugar de punição e tormentos; é, por conseguinte, um lugar de existência consciente (Lc 16.23). Para alguns estudiosos, gehenna pode ser tido como sinônimo do hades.

A gehenna, que ficava no vale de Hinon, ao sul de Jerusalém, havia sido transformado pelo rei Acaz num centro de adoração idolátrica (2Cr 28.3; 33.6; Jr 7.3 1; 32.35). Mas quando de sua reforma, o rei Josias ordenou fosse poluído o local, transformando-o num lugar abominável. Jesus referiu-se a esse monturo como um tipo da punição eterna (Mt 25.46; Mc 9.47,48; Ap 14.11). Como se vê, a gehenna é um termo mais apropriado para descrever o lago de fogo, que é a segunda morte.

O Novo Testamento, pois, deixa claro que o inferno realmente existe. Para os gregos, o hades era um lugar de sombras. Mas Jesus referiu-se às suas chamas e aos seus tormentos (Lc 16.24,28). Por isso, esse é um assunto que muitos procuram evitar. Quem há, porém, de lhe negar a realidade? Deus não poderia ser o Deus santo que é sem prover um lugar apropriado aos que se rebelam contra Ele.

Assim como o inferno é real, o Céu também o é. E a habitação dos que são filhos de Deus (co-herdeiros com Jesus Cristo, e que já desfrutam da vida eterna). E um lugar na presença do próprio Deus. Paulo identificou o terceiro céu como o lugar onde se acha o trono divino. E aí que fica o paraíso conforme presenciou o apóstolo. “Paraíso” (no grego, paradeisos) vem de uma palavra persa que significa “parque cercado”. No Novo Testamento, é usado apenas como o lugar das bem-aventuranças no Céu. Como vivemos neste mundo não pela vista, mas pela fé, no Céu encontraremos a realidade de tudo quanto, por esta mesma fé, aceitamos na terra.
O estado intermediário será seguido pelas ressurreições e pelos julgamentos, resultando no destino final dos justos e dos ímpios.

OS JULGAMENTOS

Hebreus 9.27 refere-se ao tempo vindouro onde todos compareceremos diante do Justo Juiz para prestarmos conta de tudo quanto tivermos feito durante nossa vida terrena. “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo...” Fica claro, pois, que após a morte não haverá segunda oportunidade, nem reencarnação. As Escrituras não ensinam, porém, que haverá apenas um único julgamento universal. Há passagens realmente que falam do julgamento de um modo genérico, sem se referir a qualquer intervalo entre eles. Mas assim como o Antigo Testamento pode falar da primeira vinda de Cristo num único versículo, e da segunda no versículo seguinte (Zc 9.9,10), de igual modo a Bíblia nem sempre determina o tempo que mediará entre as ressurreições e os julgamentos. Porém, há na Bíblia a questão da revelação progressiva, deixando evidente pelo menos quatro episódios específicos de julgamento nos estádios finais do programa que Deus estabeleceu à humanidade.

O Tribunal de Cristo, por exemplo, visa apenas os crentes. Não é um julgamento quanto ao pecado, pois este já foi julgado no Calvário. Ele decidirá, pois, quantos aos méritos dos serviços que prestamos ao Reino de Deus aqui na terra.
Um sistema de galardões faz parte do ensino de Cristo sobre a outra vida, recebendo elaborado tratamento em suas parábolas. Esse mesmo princípio é claramente afirmado por Paulo em Romanos 14.10 e 2 Coríntios 5.10. Em 1 Coríntios 3.11-15, Paulo salienta que todos os crentes encontram-se edificando um edifício. Uns usam ouro, prata e pedras preciosas; mas outros lançam mão da madeira, palha e feno.

Como nossos feitos serão provados pelo fogo do juízo de Deus, precisamos agir com muito cuidado, principalmente quanto às intenções que os motivam (1 Co 13.3). Perante quem compareceremos nesse julgamento?

Apocalipse 1.13-17 retrata a glória do Cristo triunfante; ante os seus olhos, coisa alguma se ocultará. Em face da responsabilidade que nos foi confiada, como mordomos de preciosas oportunidades, é necessário que, antes de mais nada, lhe sujeitemos nossas vidas para que não sejamos submetidos aos julgamentos posteriores (1 Co 11.31). Se nos mostrarmos sensíveis ao impulso do Espírito Santo, e permitirmos que Cristo viva diariamente através de nós, agiremos então como recomenda 1 João 2.28: “Tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda”.

Haverá também um julgamento para Israel. Lendo profecias como Isaías 43.5-10, e passagens como os capítulos 9 a 11 de Romanos, tornamo-nos conscientes de que o Estado de Israel constitui-se, de fato, num milagre. Porém, antes de sua restauração milenial, virá um tempo de angústias para Jacó — a Grande Tribulação, que terá lugar entre o arrebatamento e a revelação de Cristo. Em meio a essas profundas dificuldades, Israel clamará ao Senhor, pedindo- lhe socorro (Zc 12.9 -13.1).

Haverá igualmente o julgamento dos anjos, mencionado em 1 Coríntios 6.3. Quanto a esse julgamento, a única coisa que sabemos é que, quando ocorrer, já estaremos na companhia de Cristo. Afinal, o Pai lhe confiou todo o julgamento ( Jo 5.22).

Alguns eruditos interpretam a parábola registrada em Mateus 25.31-46 como o julgamento das nações, que terá lugar logo após a batalha de Armagedom no final da Grande Tribulação. Há duas interpretações dessa parábola. Uma diz que haverá pessoas salvas durante a Grande Tribulação. Eles estarão entre os perdidos que tiverem sobrevivido àqueles dias. Mas o julgamento estabelecerá a separação entre ambos os grupos com base nas obras de amor e bondade em relação aos seguidores de Cristo, mui especialmente aos judeus convertidos (Gn 12.1-3; Is 10.12; 47.5,6),

Uma outra interpretação, porém, diz que: (1) os atos de bondade são de indivíduos para indivíduos; (2) Jesus considerava seus discípulos como sua família (Mt 12.48-50); (3) seus discípulos são o “pequeno rebanho” que deve receber o reino (Lc 12.3 2); por conseguinte, são os “meus pequeninos irmãos” (Mt 25.40,45); e (4) a questão, nesse julgamento, não se resume à entrada no Milênio.

Aos que estiverem à mão esquerda de Cristo, está reservada eterna punição no lago de fogo preparado ao diabo e seus anjos; mas aos que estiverem à sua mão direita, será propiciada a entrada numa herança eterna, que lhes está reservada desde a criação do mundo. Esta visão também salienta que, tanto no Tribunal de Cristo, quanto no julgamento do grande trono branco, as obras serão julgadas.

Nessa parábola, Jesus reuniu ambos os julgamentos num único quadro para reforçar a lição que Ele ministrava aos discípulos (ver James Oliver Buswell, A Systematic Theology ofthe Christian Relígion, vol. 2, Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1962, págs. 417-423).

Por conseguinte, Jesus não ensinou que os anos do Milênio cabem nos dois julgamentos. De fato, esse período ainda não havia sido revelado. O intervalo entre esses julgamentos só é conhecido a partir do capítulo 20 do Apocalipse. Nesta passagem, vê-se que, antes do julgamento do grande trono branco, Satanás liderará a rebelião final da humanidade contra Deus.

A REBELIÃO FINAL DE SATANÁS

Terminado o reino milenial de Cristo, Satanás será solto por um breve período. Deus assim agirá para mostrar quão reta é a sua justiça. Cabe ressaltar, aqui, que o lago de fogo jamais foi preparado aos seres humanos; ele foi destinado ao diabo e seus anjos (25.41). Se as pessoas soubessem quão maravilhoso será o reino de Cristo, jamais se deixariam enganar por Satanás. Mas a soltura do adversário mostranos que, mesmo depois de a humanidade haver desfrutado das bênçãos do Milênio, há de dar ouvidos ao mal. Como os tais pediram a Deus que os deixasse em paz, nada mais resta ao Senhor senão separá-los de sua presença para sempre.

Em conseqüência da rebelião de Satanás, seus seguidores serão consumidos pelo fogo caído do céu. Ato contínuo, o próprio Satanás será lançado no lago do fogo para sempre. Imediatamente, será instaurado o grande trono branco.

O GRANDE TRONO BRANCO

Embora o trono de Deus seja o trono do julgamento, Jesus declarou: “E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo” (Jo 5.22). O único Mediador entre Deus e a humanidade tornar-se-á também o Mediador do julgamento. Por conseguinte, Jesus assentar-se-á sobre o trono. E tão grande será a sua majestade, que a terra e o céu “fugirão”, não havendo mais para eles “lugar, no plano de Deus”. Isto posto, abrir-se-á caminho para os novos céus e a nova terra.

Eis os que comparecerão diante do grande trono branco: “os mortos, grandes e pequenos” (Ap 20.12). Quanto aos justos, por haverem participado da primeira ressurreição, já terão corpos imortais e incorruptíveis. Portanto, os mortos que estarão de pé, diante do grande trono branco, para serem julgados, serão “os outros mortos” (Ap 20.5) que não tomaram parte na primeira ressurreição por ocasião do arrebatamento.

Esses serão os “mortos ímpios”, incluindo os que foram consumidos após o Milênio, por haverem seguido a Satanás. Dizem alguns que os que sobreviverem à Grande Tribulação e participarem do Milênio terão, juntamente com os que tiverem nascido neste período, a oportunidade de aceitar a Cristo. E, quando do julgamento do trono branco, apresentar-se-ão para receberem suas recompensas. A Bíblia, entretanto, não diz nada disso. Somente os “mortos” aparecerão na segunda ressurreição, que é a ressurreição para o julgamento (Jo 5.29). Os que forem salvos durante o Milênio, provavelmente receberão novos corpos antes dos mil anos se passarem — talvez após um período de provas.

No julgamento do grande trono branco, livros serão abertos, para que os ímpios sejam julgados de acordo com as suas obras. Então será aberto o Livro da Vida. Embora os ímpios venham a ser julgados por seus feitos, a salvação não é concedida por meio das obras. Estas servirão tão-somente para lhes evidenciar a incredulidade. Noutras palavras: o Livro da Vida será aberto como testemunha de que eles, de fato, não se acham entre os que, pela fé, receberam a Cristo Jesus como o seu Salvador, e devotaram-lhe inteira obediência.

O julgamento do grande trono branco estabelecerá o destino final dos ímpios. O período entre a eternidade passada e a futura, a que chamamos tempo, é apenas um período de provação. Nesse tão curto intervalo, todos temos oportunidade para escolher entre o bem e o mal. Mas no mundo vindouro, não haverá mais qualquer oportunidade de mudança. As decisões tomadas nesta vida serão irreversíveis na eternidade.
Precisamos tomar muito cuidado com o nosso destino eterno, pois as Escrituras não ensinam o aniquilamento dos ímpios, nem o estado destituído de mente no Nirvana conforme o querem os budistas. Sim, não haverá segunda oportunidade! Eis a razão pela qual devemos nos dedicar à evangelização. Como embaixadores de Cristo, não podemos permitir que, os que se acham à nossa volta, pereçam no lago de fogo.

LAGO DE FOGO

Os que não tiverem os nomes inscritos no Livro da Vida, serão lançados no lago de fogo, que é a segunda morte. Na Bíblia, a morte com freqüência significa separação. A segunda morte, pois, é a separação final entre a alma e Deus. Os ímpios perderão as glórias dos novos céus e da nova terra.

Jesus referiu-se à punição final dos ímpios como “trevas” (Mt 22.13). Isto implica, logicamente, na separação final de Deus, pois Deus “é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 Jo 1.5). Apocalipse 22.15 indica igualmente que os ímpios estarão “fora” não somente da Nova Jerusalém mas também dos novos céus e da nova terra.

A morte e o hades também serão lançados no lago do fogo. Noutras palavras: não terão eles parte na nova criação: serão mergulhados na segunda morte, nas trevas exteriores. Dessa maneira, o “último inimigo”, a morte, será para sempre destruído (1 Co 15.26). Nos novos céus e na nova terra, não haverá mais lágrimas, nem morte. No lago de fogo, porém, haverá lamentações e ranger de dentes (Mt 8.12; 13.49,50; Lc 13.28). Será um lugar pleno de remorso, amargura e frustração. Mesmo em todos esses tormentos, o pecador continuará pecador. Somente o sangue de Jesus poderá fazer do homem uma nova criatura. Hoje ainda há oportunidade.

Os que forem lançados no lago do fogo “de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Ap 20.10). Judas 7 também fala da punição no fogo eterno. Todavia, há os que buscam dar outra interpretação à palavra “eterno”, dizendo que ela significa “duradoura como a nossa era”. Mas um pouco de conhecimento do grego resolve a questão. O vocábulo grego aionios, traduzido por “eterno” ou “sempiterno”, é usado nas expressões “vida eterna, “morte eterna” e “Deus eterno”. Estaríamos todos em dificuldades, pois, se Deus durasse apenas por uma era. Outrossim, a Bíblia descreve as chamas do julgamento eterno de maneira que não deixa qualquer dúvida. Por sua própria natureza, o fogo da segunda morte é inextinguível (Mt 3.12; Lc 3.17). E interminável; não tem fim.

Também deveríamos observar que a promessa de vida, que Deus fez aos crentes fiéis, significa mais do que mera existência. O dom da vida eterna traz bênçãos e a comunhão plena e eterna com Deus e com Cristo, bem como a participação na glória vindoura. Portanto, a segunda morte, como penalidade, não significa logicamente a mera perda da existência. E a punição eterna e a separação perene de Deus. Não haverá mais ocasião a Fe (incluindo a confiança), à esperança (incluindo suas bênçãos contínuas) e ao amor.
Este há de permanecer ininterruptamente com os que receberam a Cristo (1 Co 13.13)
Não é da vontade de Deus que alguém pereça. Ele quer que todos cheguemos ao arrependimento (2 Pe 3.9). Visando a salvação da humanidade, Deus providenciou-lhe salvação segura e certa em Cristo Jesus. Mas cabe a cada um fazer a sua escolha.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Livro:- Doutrinas bíblicas William W. Menzies – Stanley M. Horton

APOCALIPSE CAPÍTULO VINTE


CAPÍTULO 20

Alguns expositores consideram esse capítulo a parte mais sombria de toda essa profecia. E muito provável que as coisas contidas nele ainda não tenham sido cumpridas; e por isso é mais sábio que nos contentemos com observações gerais, em vez de sermos concretos e específicos em nossas explicações dele. Aqui temos um relato dos seguintes aspectos: 1. Satanás é amarrado por mil anos (vv 1-3). II. O reinado dos santos com Cristo durante o mesmo tempo (vv 4-6). III. Satanás é solto, e o conflito da igreja com Gogue e Magogue (vv 7-10). IV O dia do juízo (vv. 11-15).

Satanás É Amarrado == vv. 1-10

Uma profecia de Satanás sendo amarrado por um certo período, no qual ele teria muito menos poder e a igreja muito mais paz do que antes. O poder de Satanás foi quebrado em parte pelo estabelecimento do reino do evangelho no mundo; foi reduzido ainda mais quando o imperador se tornou cristão; foi quebrado ainda mais pela queda da Babilônia mística; mas mesmo assim essa serpente tinha muitas cabeças, e, quando uma está ferida, outra ainda tem vida nela.

Aqui temos mais uma limitação e diminuição do seu poder. Observe: 1. A quem esse poder de amarrar Satanás é conferido — a “...um anjo que tinha a chave do abismo”. E possível que esse anjo não seja ninguém menos do que o Senhor Jesus Cristo; a descrição acerca dele dificilmente concordará com qualquer outro. Ele é o que tem poder para amarrar o valente, expulsá-lo e saquear a sua casa; e por isso precisa ser mais forte do que ele. 2. Os meios que Ele emprega nessa tarefa: Ele tem uma “...cadeia” e uma ‘.. chave”, uma “. . grande cadeia” para amarrar Satanás, e a “... chave” da prisão em que ele será confinado. Cristo nunca deseja poderes distintivos para quebrar o poder de Satanás, pois Ele tem os poderes do céu e as chaves do inferno. 3. A execução dessa tarefa (vv. 2,3). (1) “Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás”.

Nem a força do dragão, nem a sutileza da serpente eram suficientes para salvá-lo das mãos de Cristo; Ele o prendeu e o manteve preso. E: (2) Ele “... lançou-o no abismo”, lançou-o para baixo com força, e com uma justa vingança, ao seu próprio lugar e prisão, da qual tinha tido permissão para escapar e perturbar as igrejas, e enganar as nações; agora ele é levado de volta àquela prisão, e ali preso em correntes. (3) E “. .. ali o encerrou, e pôs selo sobre ele”. Cristo encerra, e ninguém consegue abrir; Ele encerra pelo seu poder sela pela sua autoridade; e seu fecho e selo nem mesmo os demônios conseguem abrir. (4) Temos a duração do confinamento de Satanás — “. mil anos”, após os quais ele seria “... solto por um pouco de tempo”. A igreja teria assim um tempo considerável de paz e prosperidade, mas nem todas as suas provações haviam passado.

Um relato do reinado dos santos durante o mesmo período em que Satanás esteve amarrado (vv. 4-6), e aqui observe:

1. Quem eram os que receberam tal honra — os que haviam sofrido por Cristo, e todos os que haviam se mantido leais a Ele, não recebendo o sinal da besta, nem adorando sua imagem; todos os que haviam se mantido puros da idolatria pagã e papal.


2. A honra que lhes foi conferida. (1) Eles foram ressuscitados dos mortos, e trazidos de volta à vida. Isso pode ser entendido literalmente ou figuradamente; eles estavam mortos no sentido civil e político; suas liberdades e privilégios foram reavivados e restaurados. (2) Eles receberam “...tronos” e “...poder de julgar”; foram presenteados com grande honra, e interesse, e autoridade, suponho que de natureza antes espiritual do que secular. (3) “.. . e reinaram com Cristo durante mil anos”. Os que sofrem com Cristo hão de reinar com Cristo; eles reinaram com Ele no seu reino espiritual e celestial, em conformidade gloriosa com Ele em sabedoria, justiça e santidade, além de tudo que tinha sido conhecido no mundo antes. Isso é chamado de primeira ressurreição, com a qual serão agraciados somente os que serviram a Cristo e sofreram por Ele. No que tange aos ímpios, estes não serão ressuscitados e levados novamente ao seu poder até que Satanás seja solto; isso pode ser chamado de ressurreição, assim como a conversão dos judeus é chamada de “...vida dentre os mortos” (Rm 11.15).

3. A felicidade desses servos de Deus é declarada. (1) Eles são bem-aventurados e santos (v. 6). Ninguém pode ser bem-aventurado a não ser os que são santos; e todos os que são santos serão abençoados. Esses eram santos como um tipo de primeiros frutos para Deus nessa ressurreição espiritual, e como tais são bem-aventurados por Ele. (2) Eles estão protegidos do poder da segunda morte. Sabemos um pouco do que é a primeira morte, e é terrível; mas não sabemos o que é essa segunda morte.
Deve ser muito mais horrível; é a morte da alma, a eterna separação de Deus. O Senhor ajude para que nunca saibamos por experiência o que ela é. Os que tiveram a experiência da ressurreição espiritual são salvos do poder da segunda morte.

Um relato do retorno dos problemas da igreja, e mais um conflito imenso, muito forte, mas breve e decisivo. Observe: 1. As restrições colocadas por um tempo sobre Satanás são finalmente tiradas. Enquanto este mundo durar, o poder de Satanás nele não será totalmente destruído; pode ser limitado e diminuído, mas ele ainda terá algo a fazer pela perturbação do povo de Deus. 2. Assim que Satanás é solto ele cai novamente na sua antiga ocupação, “...enganando as nações”, e assim incitando-as a fazer guerra contra os santos e servos de Deus, o que eles nunca fariam se ele não os tivesse enganado antes.

Eles são enganados tanto em relação à causa em que estão engajados (eles crêem que seja uma causa boa quando na verdade é uma causa má), quanto em relação ao resultado: eles esperam ser bem-sucedidos, mas certamente vão perder tudo. 3. Seus últimos esforços parecem ser os maiores. O poder que lhe é concedido agora parece ser mais ilimitado do que antes. Ele agora tinha a liberdade de recrutar voluntários em todos os “...quatro cantos da terra”, e levantou um enorme exército, cujo número era “... como a areia do mar” (v. 8). 4. Temos os nomes dos principais comandantes nesse exército sob o dragão — “Gogue e Magogue”.

Não precisamos investigar quais poderes específicos são tencionados por esses nomes, visto que o exército foi ajuntado de todas as partes do mundo. Esses nomes são encontrados em outras partes das Escrituras. Mago que encontramos em Gênesis 10.2. Ele foi um dos filhos de Jafé e povoou a terra chamada Síria, da qual seus descendentes se espalharam por muitas partes. Só encontramos Gogue e Magogue juntos mais uma vez em Ezequiel 38.2, uma profecia da qual essa em Apocalipse toma muitas das suas figuras de linguagem. 5.

Temos a ordem de marcha e disposição militar desse exército formidável (v. 9): “E subiram sobre a largura da terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada”, isto é, a Jerusalém espiritual, na qual estão depositados os interesses mais preciosos do povo de Deus, e por isso para eles uma cidade amada.

O exército dos santos é descrito como recrutado da cidade, e estando debaixo dos seus muros, para defendê-la; estavam acampados em volta de Jerusalém. Mas o exército do inimigo era tão superior ao da igreja que aquele rodeou a este e a cidade. 6. Temos aqui o relato da batalha e o resultado dessa guerra: “...mas desceu fogo do céu e os devorou”.

Assim a ruína de Gogue e Magogue é prenunciada (Ez 38.22): “E uma chuva inundante, e grandes pedras de saraiva, fogo e enxofre farei cair sobre ele, e sobre as suas tropas, e sobre os muitos povos que estiverem com ele”. Deus iria, de forma extraordinária e mais imediata, lutar essa última e decisiva batalha pelo seu povo, para que a vitória pudesse ser completa e a glória recaísse sobre si mesmo. 7. A sentença e o castigo do grande inimigo, o diabo: Ele é agora lançado no inferno, com seus dois grandes oficiais, “.. . a besta e o falso profeta”, a tirania e a idolatria, e isso não por um prazo especifico, mas para estar lá de dia e de noite [...] para todo o sempre”

O Julgamento Universal vv. 11-15

A destruição total do reino do Diabo muito apropriadamente conduz ao relato do dia do juízo, que vai determinar o estado eterno de todo homem; e podemos ter certeza de que vai haver um juízo quando vemos que o “...príncipe deste mundo está julgado” (Jo 16.11). Esse vai ser um grande dia, o grande dia em que “.. . devemos comparecer ante o tribunal de Cristo” (2 Co 5.10).O Senhor nos ajude a crermos firmemente nessa doutrina do juízo por vir. E uma doutrina que fez Félix tremer. Aqui temos uma descrição dela, em que: 1. Contemplamos o trono, e o tribunal do juízo, grande e branco, muito glorioso e perfeitamente justo.

O trono de iniqüidade, que forja o mal tendo por pretexto uma lei, não tem comunhão com esse justo trono e tribunal. 2. A aparência do Juiz, e este é o Senhor Jesus Cristo, que então se veste de tal majestade e terror que “. ..fugiu a terra e o céu” da sua presença, “. .. e não se achou lugar para eles”; há uma dissolução de toda a estrutura da natureza (2 Pe 3.10). 3. As pessoas a serem julgadas (v. 12): “... os mortos, grandes e pequenos”; isto é, jovens e velhos, baixos e altos, pobres e ricos. Nenhum é tão insignificante que não tenha talentos pelos quais precisa prestar contas, e ninguém é tão grande para que possa fugir da jurisdição dessa corte; não somente os que serão encontrados vivos na vinda de Cristo, mas todos os que morreram antes; os túmulos vão entregar os corpos dos homens, o inferno vai entregar a alma dos maus, o mar vai entregar os muitos que aparentemente estavam perdidos nele.

Todos esses lugares são prisões de reis, e Ele vai fazer com que liberem os seus prisioneiros. 4. A regra do juízo é estabelecida: “.. . e abriram-se os livros”. Que livros? O livro da onisciência de Deus, que é maior do que nossa consciência, e sabe todas as coisas (há um livro de memórias com Ele tanto do bem quanto do mal); e o livro da consciência dos pecadores, que, embora antigamente secreto, agora será aberto. “E abriu-se outro livro” — o livro das Escrituras, o livro dos estatutos do céu, a regra da vida. Esse livro é aberto e contém a lei, a pedra fundamental pela qual o coração e a vida dos homens serão testados.
Esse livro determina questões de direito; os outros livros determinam questões de prática. Alguns entendem que o outro livro, chamado o livro da vida, é o livro dos conselhos eternos de Deus; mas isso não parece pertencer à esfera do juízo. Na eleição eterna, Deus não age de forma judicial, mas com absoluta liberdade e soberania. 5. A causa a ser julgada: as “.. . suas obras”, o que os homens fizeram, e se foi bom ou mau. “Por suas obras os homens serão justificados ou condenados”; pois embora Deus conheça seu estado e seus princípios, olha principalmente para estes. Mas mesmo assim, querendo demonstrar a anjos e homens que é um Deus justo, Ele vai testar os princípios deles por suas práticas, e assim vai ser justificado quando falar e puro quando julgar. 6.

A questão do julgamento; e esse será realizado de acordo com as evidências dos fatos, e a regra do julgamento. Todos aqueles que fizeram “. . . concerto com a morte e aliança com o inferno”, serão então condenados com seus infernais confederados, lançados com eles no lago de fogo, como não estando intitulados à vida eterna, de acordo com as regras da vida estabelecidas nas Escrituras; mas aqueles cujos nomes estão escritos nesse livro (isto é, os que estão justificados e absolvidos pelo evangelho) então serão justificados e absolvidos pelo Juiz, e deverão entrar na vida eterna, não tendo nada mais a temer diante da morte, ou do inferno, ou de homens ímpios; pois estes foram todos destruídos juntos.

Que seja a nossa grande preocupação considerar em que pé estamos com nossa Bíblia, se ela nos justifica ou condena agora; pois o Juiz de tudo vai proceder de acordo com essa regra. “Deus há de julgar os segredos dos homens, segundo o evangelho” (Rm 2.16). Bem-aventurados são os que de tal maneira ordenaram e formularam a sua causa de acordo com o evangelho para que saibam de antemão que serão justificados no grande dia do Senhor!



Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Comentário Bíblico Mathew Henry  - Novo Testamento Edição Completa


sexta-feira, 11 de maio de 2012

A GRANDE TRIBULAÇÃO


A GRANDE TRIBULAÇÃO

Enquanto a Igreja galardoada estiver adentrando às mansões celestiais, a fim de participar das Bodas do Cordeiro, já terá começado na Terra o mais difícil período da História: a Grande Tribulação, através da qual a ira do Senhor, o Justo Juiz, se manifestará contra os ímpios e adoradores da Besta (Ap 6.16,17).

O que é a Grande Tribulação? A primeira alusão à Grande Tribulação, nas Escrituras, está em Deuteronômio 4,30: “Quando estiveres em angústia, e todas estas coisas te alcançarem, então, no fim de dias lit. “nos últimos dias”, te virarás para o Senhor, teu Deus, e ouvirás a sua voz”. Esta e outras passagens veterotestamentárias se referem, profeticamente, ao evento em análise (Dt 31.4; Is 13.9-13; 34.8; Jr 30,7,8; Ez 20.33-37; Dn 12,1; Jl 1.15).

Há teólogos que se precipitam em afirmar que esse terrível e aterrorizante evento escatológico não acontecerá. Estes deveriam atentar para o que o Senhor Jesus disse em Mateus 24.21: “nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, nem haverá jamais” (ARA).

Em Apocalipse 2.22, a expressão “grande tribulação” é empregada com o sentido de punição à falsa profetisa Jezabel e seus seguidores. Mas, no mesmo livro, encontramos a ênfase à “hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo” (3.10), isto é, a Grande Tribulação — expressão empregada em Apocalipse 7.14 e que melhor define esse evento, apesar de as Escrituras o apresentarem com outras designações: “tempo de angústia” (Dn 12.1); “dia da vingança do nosso Deus” (Is 61.2), etc.

Para alguns teólogos, Apocalipse 7.13,14 não alude a esse tempo de angústia, posto que — segundo eles — os servos de Deus ali mencionados são os que sofrem aflições e tribulações hoje (cf. Rm 8.18; Jo 16.33). Afinal, “por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22).

Entretanto, ao lermos o contexto imediato (Ap 6.9-11), vemos que os tais servos serão os “mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram” (v.9), vítimas do Anticristo (Ap 13.7,15). E estes, vestidos de branco (Ap 6.11; 7.13), virão “da grande tribulação” (Ap 7.14, ARA), um período de sofrimento que atingirá todos os habitantes da Terra.

A Igreja passará pela Grande Tribulação? E comum recorrer-se à simbologia para se fundamentar a idéia de que a Igreja não enfrentará esse tempo de angústia:

1) Assevera-se que Enoque foi arrebatado antes do dilúvio; e que, antes deste, Noé e sua família entraram na arca.

2) Afirma-se que as águas do Mar Vermelho só caíram sobre os egípcios depois que Israel passou; e que Elias subiu num redemoinho antes do cativeiro.
3) Assegura-se que a Igreja, quando for arrebatada (posto que é a 1uz do mundo), instalar-se-á um período de trevas; e ainda que, ao ser tirada da Terra “a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade , o mundo desmoronara.

No entanto, todos esses exemplos apenas ilustram uma verdade revelada claramente nas páginas sagradas. Não há dúvidas de que a Igreja será arrebatada “antes” desse período de trevas,

Por que a lgreja não passará pela Grande Tribulação? Os teólogos pós e mesotribulacionistas têm as suas razões pessoais para não crer no rapto dos salvos antes da Grande Tribulação.  Não devemos ir além do que está escrito nas Escrituras (1 Co 4.6) nem nos movermos facilmente de nossas convicções quanto ao livramento
da ira futura, por ocasião do Arrebatamento (2 Ts 2.2-9).

Há muitas evidências de que a Igreja não passará pela Grande Tribulação:

1) A Noiva de Cristo estará no Céu durante esse período e voltará com Ele para pôr termo ao império do mal: “vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos. (...) E seguiam-no os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestidos de linho fino, branco e puro” (Ap 19.7-14).

2) A Palavra de Deus nos exorta a “esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” (1 Ts 1.10).
E o próprio Senhor Jesus disse: “Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do homem” (Lc 21.36, ARA). Note: “escapar de todas estas coisas”, e não “participar delas”,

3) Em Apocalipse 3.10, Jesus fez uma promessa à igreja de Filadélfia: “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”. Contudo, esta mensagem não foi apenas para aquela igreja, haja vista o que está escrito nos versículos 13 e 22 do mesmo capítulo: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

A promessa de livramento da tentação mundial é extensiva “às igrejas”.
Conquanto os crentes de Filadélfia estivessem passando por tribulações, naqueles dias, não passaram pela “hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo”, pois todos os mortos em Cristo têm a garantia de que não passarão pela Grande Tribulação; ressuscitarão e serão tirados da Terra antes dela. Da mesma forma, os vivos que guardarem a Palavra não passarão pelo tempo da angústia.
Todas as mensagens registradas em Apocalipse às igrejas da Asia possuem mandamentos e exemplos para nós, hoje, quanto à manutenção do amor e da fidelidade (2.4,10; 3.11); quanto às falsas profecias (2.20-22); quanto ao perigo de Jesus estar do lado de fora (3.20), etc. Portanto, não há dúvidas de que a promessa de livramento da hora da tentação é extensiva a todos os salvos.

4) Antes de o Cordeiro de Deus desatar o primeiro selo, dando início a uma série de juízos (Ap 6), João viu os 24 anciãos diante de Deus, no Céu (Ap 4—5). Eles representam a totalidade da Igreja: as doze tribos de Israel e os doze apóstolos de Cristo. E isso prova que, desde o início da Grande Tribulação, os salvos já estarão no Céu! Aleluia!

5) Em Apocalipse 13.15, está escrito que serão mortos todos os que não adorarem a imagem do Anticristo. Se este fará guerra aos santos, a fim de vencê-los (v.4), quantos deles restariam para um arrebatamento durante ou depois do período tribulacionista? Como vimos acima, tais santos, mortos pela Besta, serão os mártires da Grande Tribulação, e não a Igreja, que já terá sido arrebatada.

6) Em suas duas Epístolas aos Tessalonicenses, a ênfase de Paulo foi o Arrebatamento da Igreja. Ao mencionar esse glorioso evento pela primeira vez, ele deixou claro que Jesus nos livrará da ira vindoura (1 Ts 1.10). E isso é confirmado ainda na primeira Epístola: “quando disserem: Há paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina destruição (...) e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele Dia vos surpreenda como um ladrão” (5.3,4).

Conforme o texto acima, são os que estão “em trevas” que não escaparão da destruição. Os filhos da luz (5.5) já terão sido arrebatados (4.16-18). Por isso, mais adiante, Paulo reafirma que os salvos escaparão da ira futura: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” (5.9).

7) A passagem de 2 Tessalonicenses 2.6-8 é de difícil interpretação, e não nos convém fazer especulações sobre o que não está revelado claramente. Não obstante, vemos nela a reiteração de que a Igreja não estará sob o domínio do Anticristo e seu comparsa, o iníquo Falso Profeta:

E, agora, vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado, Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que, agora, resiste até que do meio seja tirado; e, então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda.

Se o mistério da injustiça opera, por que a Besta e o Falso Profeta ainda não se manifestaram de maneira visível? O que os detém? Quem os resiste? Quem será tirado da Terra, para que o Anticristo e seu aliado tenham total liberdade até à esplendorosa vinda de Cristo?

A única revelação que temos, retratada pelo próprio apóstolo Paulo, é que o povo de Deus será tirado do mundo, no aparecimento de Jesus Cristo (Tt 2.13,14; 1 Ts 4.17). E, se é “depois disso” que será revelado o Iníquo (gr. anomos, “transgressor”, “sem lei”, “desordeiro”, “subversivo”), então estamos diante de mais uma prova de que a Igreja não passará pela Grande Tribulação!

Quanto tempo durará a Grande Tribulação? Nos tempos bíblicos, os meses eram de trinta dias. Não havia meses de 31 ou 28, tampouco se considerava o ano bissexto. Os anos tinham sempre 360 dias (30x12360). Em Apocalipse 11.3 está escrito que as duas testemunhas de Deus profetizarão por 1.260 dias ou três anos e meio (1.260/360=3,5). Esse período também aparece em Apocalipse 13,5 sob a forma de 42 meses (42x30 1.260).

Esses três anos e meio são apenas a “primeira metade” da Grande Tribulação, que terá duração total de sete anos, conforme a profecia registrada em Daniel 9.24-27. Esta passagem menciona o concerto que o Anticristo firmará com muitos por uma semana de anos, Na metade desta (depois de três anos e meio), ele rompera o pacto, inaugurando a segunda metade

A septuagésima semana é a última de um total de “setenta setes”, revelados ao profeta Daniel (9.24). A contagem das setenta semanas — ou 490 anos — começou com o decreto de Artaxerxes para restaurar Jerusalém e foi interrompida com a morte do Messias (Ne 1—2; Dn 9.25,26). De acordo com a revelação dada ao profeta, essas semanas se subdividem em três períodos.

Eurico Bergstén explica isso com muita clareza:

A primeira parte compreende “sete semanas”, isto é 7x 7 ou 49 anos (Dn 9.25), e destaca, com clareza, o começo da contagem dessas semanas — desde a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém” (.) Daquela data até á conclusão desse trabalho (Ne 6. 15) passaram-se realmente 49 anos.

A segunda etapa compreende “sessenta e duas semanas”, isto é 62x 7, ou 434 anos, tempo que abrange da restauração de Jerusalém ao Messias, o Príncipe, Dn 9.25. E realmente impressionante observar que desde a data do decreto para a restauração até á data da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (IvIt 2 1. 1— LO) passaram-se exatamente 69 “semanas” ou 69x7, que são 483 anos.

A terceira parte compreende a última semana, isto é, a septuagésíma semana, sobre a qual a profecia diz: “Ele ,firmará um concerto com muitos por uma semana, e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares, e sobre a asa das abominações virá o assolador..,”, Dn 9.27. Comparando esta expressão com apalavra de Jesus, quando profetizava sobre esses acontecimentos ( Mt 24. 15,2l),,fica provado que a septuagésima semana, sem dúvida, representa o tempo da grande aflição.

O estudo comparativo das passagens proféticas de Daniel, Apocalipse e Mateus
24 indica que, após a destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C., haveria um lapso temporal indefinido — chamado de Dispensação da Igreja ou Tempo dos Gentios — até que os eventos da septuagésima semana começassem a se cumprir. Depois desse período parentético indeterminado, entre o século 1 d.C. e o Arrebatamento da Igreja, a Besta firmará o tal concerto ou pacto com muitos por sete anos, mas só cumprirá a sua parte nos primeiros três anos e meio.
Na segunda metade da semana, ela se voltará contra os judeus, e juízos divinos cairão de maneira intensa sobre o Império Anticristão (Dn 9.27; Ap 15-16).

Haverá salvação na Grande Tribulação? Nesse período, Deus dará mais uma oportunidade de salvação a todos aqueles que não foram arrebatados, Tudo será muito difícil, pois os poderes do mal estarão multiplicados e atuando numa escala nunca vista, mas a salvação será possível (Ap 6.9-11; 7.9-17; 12.12,17; 14.1-5; 20.4). Não só os desviados poderão se reconciliar com Cristo; todos os seres humanos terão oportunidade de salvação, desde que invoquem o nome do Senhor (Jl 2.32). O texto de Apocalipse 7.14 menciona uma multidão de salvos durante esse período, os quais lavarão suas vestiduras, branqueando-as no sangue do Cordeiro.

Mas será difícil a salvação nos angustiosos e inquietantes dias da Grande Tribulação. Derramar-se-ão juízos de Deus sobre os adoradores da Besta (Ap 6—9), que, mesmo assim, não se arrependerão (Ap 9.20,21; 16.9). A misericórdia do Senhor será patente nesse período, pois todos os acontecimentos catastróficos visarão, sobretudo, ao despertamento das pessoas para o arrependimento antes do último grande juízo (cf. At 17.30,31).

A falsa trindade satânica. Na Grande Tribulação, o Diabo terá permissão para dominar todas as ações na Terra. Quando a Igreja sair do mundo, ele será precipitado de onde está — nas regiões celestiais (Ef 2.2; 6.12) —, juntamente com as suas hostes, e terá permissão para agir com mais liberdade entre os homens, A Palavra de Deus diz que ele estará cheio de fúria, sabendo que pouco tempo lhe resta (Ap 12.9,12).

Satanás jamais conseguirá ser igual a Deus (Is 14.12-14). E essa frustração faz dele um “imitador” das obras divinas, porém com intentos maus, Ele formará a sua falsa trindade — na verdade, uma tríade, haja vista não ser ela uma união de três pessoas formando um único deus, e sim três pessoas distintas agindo separadamente, tendo como líder Satanás.

Como lemos em Apocalipse 16,13, duas Bestas — uma que sobe do mar (cf. Ap 13.1-10), e outra, que emerge da terra (Ap 13.11-18) — se aliarão ao Adversário: “E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi saírem três espíritos imundos, semelhantes a rãs”, Deus também revelou ao apóstolo Paulo essas duas Bestas, em 2 Tessalonicenses 2: os versículos 3 a 6 se referem à primeira (o Anticristo); e os 7 a 12, à segunda (o Falso Profeta).

O Diabo, o Anticristo e o Falso Profeta tomarão posse, temporariamente, da Terra. Se a Santíssima Trindade é composta de Deus Pai, Cristo e Espírito Santo (Mt 28,19; 2 Co 13.13), a falsa trindade satânica terá como protagonistas o Antideus, o Anticristo e o Antiespírito.

Assim como Cristo veio ao mundo para revelar a glória do Pai (Jo 1.14), a Besta revelará a natureza funesta do Diabo, agindo segundo o seu poder (Ap 13.1,2). E, da mesma forma que o Espírito convence os pecadores e glorifica a Jesus (Jo 16.8-14), o Falso Profeta induzirá todos a adorarem o Anticristo (Ap 13.11-15).

Quem receberá o sinal da Besta? Na Grande Tribulação, quem desejar comprar alguma coisa só poderá fazê-lo mediante o sinal, o nome ou o número do nome da Besta. Somente o número é revelado na Bíblia, Quanto ao nome e ao sinal, que poderá ser colocado na mão direita ou na testa dos adoradores do Anticristo (Ap 13.16-18), não há maiores informações nas Escrituras.

A Igreja não receberá o tal sinal, que será uma marca para aqueles que, tendo ficado na Terra, após o Arrebatamento, forem convencidos pela segunda Besta, o Falso Profeta, de que o Anticristo é o “salvador do mundo”. O sinal os separará como adoradores conscientes do Homem do pecado.

Contrastes entre Cristo e o Anticristo. As diferenças entre Cristo (o Cordeiro de Deus), e o Anticristo (a Besta do Diabo), são muitas:

1) Cristo é a imagem de Deus (Cl 1.15); o Anticristo, a de Satanás.

2) Cristo é a segunda Pessoa da Trindade; o outro também será a segunda pessoa, mas da falsa trindade satânica.

3) Cristo desceu do Céu (Jo 6.51); o outro subirá do abismo (Ap 11.7).

4) Cristo é o Cordeiro; o outro, a Besta.

5) Cristo é o Santo; o outro, amante da iniqüidade, terá um aliado chamado de “o iníquo” (2 Ts 2.8).

6) Cristo veio em nome do Pai; o outro virá em seu próprio nome.

7) Cristo subiu ao Céu (At 1.9-1 1); o outro descerá para o Inferno.

8) Cristo é o Filho de Deus; o outro, o filho da perdição.

9) Cristo é o mistério de Deus; o outro, o da iniqüidade.

10) Cristo recebe louvor dos santos; o outro o receberá dos ímpios.

11) A Noiva de Cristo é a Igreja; a do outro será “uma prostituta” (Ap 17.16,17).
12) Cristo é a verdade; o outro, a mentira,

13) Cristo é a luz (Jo 8.12); o outro, trevas,

14) Os seguidores de Cristo andam na luz; os do outro andarão em trevas (Ap 16.10).

I5) O Reino de Cristo é eterno; o Império do Anticristo durará apenas sete anos.


Os 144 mil judeus eleitos. Serão santos homens de Deus, responsáveis pela pregação do evangelho durante a Grande Tribulação. Esses servos do Senhor, provenientes das tribos de Israel (Ap 7.1-8), cumprirão cabalmente a sua missão, não tendo por preciosas as suas vidas.

As suas testas serão assinaladas a fim de indicar a sua consagração a Deus (Ap 14.1). Isso não os protegerá das perseguições e do martírio. Haja vista o que está escrito em Apocalipse 7.13,14. Tal marcação denota a proteção que eles terão quanto aos juízos divinos sobre o mundo (Ap 9.4). O Cordeiro os honrará por sua fidelidade, como lemos em Apocalipse 14.3-5:

E cantavam um cântico novo diante do trono e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém podia aprendei- aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra. Estes são os que não estão contaminados com mulheres, porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vai. Estes são os que dentre os homens foram comprados como príncipes para Deus e para o Cordeiro. E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus.

As duas testemunhas. Haverá, no tenebroso período tribulacionista, duas duplas: uma do mal e outra do bem, A primeira, bestial, formada pelo Anticristo e pelo Falso Profeta, blasfemará e guerreará contra os santos; também fará grandes sinais, para enganar os que habitam na Terra. A segunda, celestial, será composta de duas testemunhas enviadas por Deus, que profetizarão, com grande poder, e também farão sinais.

As duas testemunhas serão dois profetas do Altíssimo que — à semelhança de Moisés, Elias, Micaías, Jeremias, João Batista, Estevão, Paulo e o próprio Senhor Jesus — entregarão mensagens de juízo com toda a ousadia, a ponto de deixar os adoradores da Besta atormentados (Ap 11.10). As características delas à luz de Apocalipse 11.1-13 serão as seguintes:

1) Elas exercerão o seu ministério na primeira metade da Grande Tribulação: “e [os gentios] pisarão [lit. pisotearão] a Cidade Santa por quarenta e dois meses, E darei poder às minhas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias” (vv.2,3). Como vimos acima, 42 meses ou 1.260 dias equivalem a três anos e meio, tempo de duração de cada metade do período em análise,
2) As duas testemunhas terão um especial poder e grande autoridade da parte de Deus para cumprirem a sua missão (vv.3,5,6). Isso será necessário em razão da terrível oposição que enfrentarão por parte dos adoradores da Besta,

3) Trajar-se-ão de pano de saco (v.3).Vestir-se de pano de saco, especificamente, denota pesar, coração quebrantado. Elas serão, por assim dizer, antítipos dos profetas do passado, como João Batista, que não andava ricamente vestido (Mt 11.8); antes, usava uma veste de pêlos de camelo e um cinto de couro em torno de seus lombos (Mt 3.4).

4) Elas são identificadas apenas como “as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus [lit. Senhor da terra” (v.4). O fato de a Bíblia não mencionar as suas identidades tem motivado muitos a explorarem o campo das especulações inúteis, Alguns teólogos afirmam que elas já estão no Céu. Desta dedução decorre a especulação de que são Enoque e Elias, em razão de não terem passado pela morte (Gn 5.24; 2 Rs 2.11; cf, Ap 11.7). Lembremo-nos uma vez mais de que as coisas encobertas pertencem ao Senhor (Dt 29.29).

5) Enquanto elas não cumprirem a sua missão, ninguém poderá vencê-las:
“se alguém lhes quiser fazer mal, fogo sairá da sua boca e devorará os seus inimigos; e se alguém lhes quiser fazer mal, importa que assim seja morto” (v.5). Isso é uma prova de que Deus protege os seus mensageiros (cf. At 12.11).

6) Farão sinais e prodígios: “têm poder para fechar o céu, para que não chova nos dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue e para ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes quiserem” (v.6). Tudo isso será permitido por Deus, para que todos os seres humanos, na Terra, ouçam a sua Palavra, não tendo nenhuma desculpa no dia do juízo.

7) Quando acabarem a sua missão, serão mortas pelo Anticristo (v.7). Isso acontece com todos os profetas verdadeiramente enviados por Deus. O Senhor Jesus não foi preso ou morto antes de consumar a obra que o Pai lhe dera, apesar das muitas tentativas do Inimigo (Lc 4.29,30; Jo 18.4-11).

8) Os corpos delas permanecerão expostos em praça pública, em Jerusalém, chamada espiritualmente de “Sodoma e Egito” — devido à sua imoralidade e ao seu mundanismo —, durante três dias e meio, e os adoradores da Besta se regozijarão com isso, mandando presentes uns aos outros (vv.8-I0).

9) As testemunhas ressuscitarão depois de três dias e meio: “o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre os pés, e caiu grande temor sobre os que os viram” (v.II).

10) Ao ressuscitarem, elas ouvirão uma grande voz do Céu: “Subi cá. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram” (v.I2). Esse fato apresenta uma semelhança com ascensão de Cristo, que, observado por seus discípulos, subiu aos céus (At 1.9-1 1).

A diferença é que as testemunhas subirão diante dos olhares de seus inimigos. Há similaridade também com a ressurreição dos justos, por ocasião do Arrebatamento (cf 1 Ts 4.16,17).

11) Após a ascensão das duas testemunhas, haverá um grande terremoto, e sete mil homens morrerão. Os que restarem ficarão muito atemorizados e darão glória ao Deus do Céu (v.13). Isso comprova que o trabalho desses dois servos do Senhor não será em vão. Quando a Palavra do Senhor é pregada com verdade, sempre há “alguns” que lhe dão ouvidos (Mt 13.23; At 17.34).
O julgamento de Israel. O julgamento dos israelitas durante o período tribulacionista está previsto no Antigo Testamento (Ez 20.33-38; Zc 13.8,9; Am 9.8,10). Um dos objetivos dos juízos apresentados em Apocalipse, sob selos, trombetas e taças (6—17), é levar Israel ao arrependimento. Como resultado, o remanescente desse povo se voltará para Deus arrependido, aceitando Jesus como o Messias (Rm 9.27; 11,25,36; Mt 23.39; Zc 12.10-14; 13.1).

Esse juízo divino ocorrerá durante a Grande Tribulação, como está escrito em Daniel 12.1:

E, naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele; mas, naquele tempo, livrar—se—á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Teologia Sistemática Pentecostal – CPAD - 2º.  Edição