sexta-feira, 18 de março de 2011

O NOME DO ESPÍRITO SANTO

O NOME DO ESPÍRITO SANTO

“O nome ‘Parácleto’ aplica-se a Cristo assim como ao Espírito Santo. Porque é o ofício de cada um consolador, animar- nos e conservar-nos defendidos. Cristo era o Mestre dos discípulos, enquanto viveu no mundo; então os encomendou à direção e proteção do Espírito Santo. Se alguém, nos perguntar se estamos sob a direção de Cristo, a resposta é fácil: Cristo é um guia perpétuo, mas não visivelmente. Enquanto andou na terra mostrou-se abertamente como seu protetor. Agora preserva-nos pelo seu Espírito. Chama ao Espírito ‘outro Consolador’ pela distinção que observamos às bênçãos que procedem de cada um”. — João Calvino.

1. 0 NOME DADO POR JESUS

Ao Filho de Deus foi dado pelo anjo o nome antes de ter sido concebido no ventre de Maria. “Chamarás o seu nome Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados”. E Jesus veio não para receber um nome, mas para cumprir com um nome já predeterminado para. Ele. Da mesma maneira foi pelo Senhor posto o nome do Espírito Santo antes do seu advento ao mundo. “Mas quando vier o Consolador (ou Parácleto), que eu da parte do Pai vos hei de enviar...”, Jo 15.26.

Esta designação do Espírito Santo ocorre aqui pela primeira vez — é um novo nome para um novo ministério no qual vai entrar.

Muita discussão se tem levantado acerca da palavra e a questão da sua interpretação. Se deve ser “Consolador”, “Advogado”, “Mestre”, ou “Ajudador”. Este problema não é de fácil solução, se apelar para o grego clássico ou patrístico, pelo motivo de que se trata de um nome dado divinamente e cujo verdadeiro significado tem de manifestar-se na vida e operações atuais do Espírito. O nome é a própria Pessoa, e só conhecendo a Pessoa se pode interpretar o nome. Portanto a linguagem do Espírito não pode ser entendida se apelar apenas ao dicionário. O léxico do Espírito é o coração da Igreja, se bem que corretos todos os sinônimos já re feridos, nenhum deles é adequado nem todos juntos são suficientes para trazer à luz o pleno significado deste grande nome “Parácleto”.

Consideremos, não obstante, quanto está sugerido pelo significado literal a palavra “Parácleto”, e por tudo o que Jesus disse acerca d’Ele em seu último sermão. “Chamar um para que ajude”, é o significado do verbo do qual se deriva o nome. Que famosa a palavra e a sua aplicação aos discípulos de Jesus! Iriam perder a presença visível de seu Senhor. É verdade que após a sua ausência pela cruz e pelo sepulcro, depois de três dias voltou em gozo com a sua ressurreição. Agora, porém, lhes sobreviria outra separação com a partida para o Pai, após a nuvem o haver ocultado a seus olhos. Neste último e mais doloroso pesar, que fariam? O seu amado Mestre antecipadamente lhes havia dito qual a atitude a tomar. Ensinou- lhes a suplicar ao Pai que lhes enviasse.

Um que enchesse o lugar vago, e o que havia de ser enviado, seria o “Parácleto”, “o chamado para ajudá-los”. Que questões tão profundas se suscitaram no coração dos discípulos ao ouvirem a promessa do Salvador! “Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que Eu vá; porque, se Eu não for o Parácleto não virá a vós; mas, se eu for enviar-vos-ei”, Jo 16.7. Ele viria para fazer coisas maiores do que Jesus tinha feito e guiá-los a conhecimentos mais profundos do que Jesus lhes havia comunicado.

II. UM NOME - UMA PESSOA

Houve dúvidas sobre se este “Misterioso” seria uma pessoa? Ë impossível imaginá-lo! A discussão sobre a personalidade do Espírito Santo é tão desnecessária à luz do último discurso de Cristo, que a evitamos. Temos razão para admitir e crer que o Espírito Santo é uma Pessoa, porque Ele opera e sustenta relações que são próprias de uma pessoa: Fala, At 1.16; opera milagres, At 2.4; 8.39; coloca os ministros nas igrejas, At 20.28; guia e proíbe, At 8.29; 11.12; 13.2; 16.6,7; intercede por nós, Rm 8.16; pode ser entristecido, Ef 4.30; pode ser blasfemado, Mc 3.29; pode ser resistido, At 5.51, etc.

No tocante a promessa do Parácleto, encontramos estas observações:

a. — Ë outro, e não obstante, Ele mesmo: “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador”, Jo 14.16. Ao usar a expressão “outro” Jesus distingue o Parácleto de Si mesmo; porém, também o iguala consigo mesmo. Porque não há paridade nem comparação entre uma pessoa e uma influência. Se o visitante prometido fosse somente uma emanação impessoal de Deus, pareceria impossível que nosso Senhor o houvesse coordenado consigo mesmo ao ponto de dizer: “Serei um advogado para vós no Céu’, 1 Jo 2.1 e enviarei outro para ser vosso advogado na terra. Mas se Cristo desta maneira faz distinção entre si e o Consolador, também o identifica consigo: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós”, Jo 14.18. Esta promessa refere-se ao advento do Espírito, porquanto a conexão claramente o indica.

b. — O Espírito é subordinado e não obstante superior em seu ministério à Igreja. “Porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir”, Jo 16.13. interessante fixarmos a santa diferença entre as Pessoas da Trindade. Cada uma recebe da outra aquilo que comunica, e cada uma magnifica a outra em seus louvores. “O Filho glorifica o Pai; o Espírito Santo glorifica o Filho”.

Qual será, pois, o ofício do Espírito Santo, até onde podemos investigar, senão o de comunicar e aplicar a obra de Cristo aos corações humanos? Se convence do pecado, fá-loá exibindo a obra redentora e da graça do Salvador e manifestando aos homens a sua culpabilidade em não crerem nEle. Se dá testemunho ao arrependido da sua aceitação, fá-lo testificando do sangue expiatório de Jesus, sobre que se baseia essa aceitação, fá-lo comunicando a vida do Senhor ressuscitado. Cristo é tudo em “Todos” os que o Espírito Santo regenera.

III. A ATUAÇÃO PESSOAL DO PARÁCLETO

Que vantagem porém, havia em Cristo enviar o “Parácleto” para o substituir? Não seria simplesmente mudar Cristo por Cristo? — Sua presença visível pela invisível?

A resposta a esta pergunta é muito óbvia. Não era o Cristo terreno que o Espírito Santo havia de comunicar à Igreja, mas sim o Cristo celestial, — o Cristo reinvestido com o seu eterno poder, com a glória que tinha com o Pai antes que o mundo existisse, e de novo dotado com os infinitos tesouros da graça que havia adquirido com sua morte sobre a Cruz. Por sua morte e herança que pertence aos crentes lhes seria servida, e quando ascendesse ao céu enviaria o “Parácleto” para distribuir a herança entre os co-herdeiros com Ele,

O que é esta herança, pode melhor entender-se através da formosa expressão que tão freqüentemente se encontra nas Epístolas de Paulo, “as riquezas da sua glória, Ef 3.16, e “as riquezas da sua graça”, Ef 1.7. As riquezas de sua graça foram-nos asseguradas pelo perdão dos nossos pecados; no Trono “as riquezas da sua glória” são-nos garantidas em sermos corroborados com o poder pelo Espírito no homem interior; por Ele morar nos nossos corações pela fé e em sermos cheios de toda a sua plenitude. O “Parácleto” havia de comunicar Cristo à sua Igreja — sua vida, seu poder, suas riquezas, sua glória.

Cristo à destra do Pai teria mais para dar do que tinha estando na terra; portanto a Igreja pode receber mais pelo “Parácleto” do que pelo Cristo visível. “Na verdade, na verdade vos digo que o que crer em Mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque Eu vou para Meu Pai”, Jo 14.21. A corrente da vida (expressando-nos por outras palavras), terá mais poder por ser mais alta a fonte de onde procede. Mui profundos são os mistérios que aqui se consideram, e só podemos falar deles à luz que conseguimos comparando Escritura com Escritura.

“Assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”, Jo 20.22. Os discípulos poderiam ter dito: “Basta, Senhor, esta porção do teu Espírito que acabas de nos dar”! Mas Jesus queria dar- lhes mais, porque antecipando o dia da sua glorificação, disse: “Mas quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, Ele testificará de Mim”, Jo 15.26. Quando Jesus ascendesse, então poderia mandar-lhes o Espírito Santo. Por isso era conveniente que Ele fosse. A coroação de Cristo era, portanto, a condição indispensável para se receber não só a justificação, mas revestimento do poder do Espírito Santo.

IV. O PARACLETO TRAZ NOVAS REVELAÇÕES

O “Parácleto” somente ensina as coisas de Cristo; mas ensina mais do que Cristo ensinava: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas quando vier aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir”, Jo 16.12, 13. É como se lhes tivesse dito: “Eu vos tenho guiado através de uma pequena distância no conhecimento da minha doutrina; Ele vos levará por todo o caminho”.

O ensino de Jesus através de seu ministério terreno esperava ser iluminado por uma luz que ainda não tinha brilhado — a luz da cruz, a luz do sepulcro vazio, a luz da ascensão. Por conseguinte, até que estes acontecimentos se verificassem, a doutrina estava por desenrolar-se e não podia ser plenamente comunicada aos discípulos de Cristo.

Que o estudo do novo nome do Espírito nos ajude a distinguir entre os dois termos inspirados, “Parácleto” e “Parousia”, desnecessariamente confundidos por alguns escritores e comentadores cristãos. Esta última palavra, que é usada para descrever a segunda vinda de Cristo, tem sido aplicada erradamente ao advento do Espírito Santo; e por ter Cristo vindo na Pessoa do Espírito, tem-se argüido que o advento prometido do Redentor em glória já se efetuou.

Mas confundem-se termos que na Escritura são completamente distintos. Observe-se a diferença: No “Parácleto” Cristo veio espiritual e invisivelmente; na “Parousia” virá corporalmente. O advento do “Parácleto” está realmente baseado sobre a ascensão pessoal do Salvador dentre o seu povo: “Se eu não for, o Consolador não virá a vós”, Jo 16.7. A palavra “Parousia”, por sua vez, não se realizará senão pela sua volta pessoal ao seu povo.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Revista o Obreiro – CPAD – 1981

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